Quem acompanha o TecMundo sabe que, recentemente, estivemos na China a convite da Huawei e pudemos conhecer um pouco mais sobre a sede e os centros de pesquisa da empresa em território chinês. Além desse passeio tecnológico, conseguimos também conversar com um universitário brasileiro que saiu da Paraíba para estudar engenharia em mandarim. Opa, mas será que depois de viajar mais de 18 mil quilômetros só vimos isso por lá? Claro que não, afinal nossa missão era cobrir a edição deste ano do Huawei Cloud Congress.

O evento, que é um dos maiores do mundo quando o assunto é apresentar soluções na nuvem e novidades sobre a tecnologia, rolou na cidade de Xangai entre os dias 18 a 19 de setembro. Assim, fizemos as malas e fomos ao HCC 2015 para conferir em primeira mão painéis, apresentações e, claro, debates agendados para a feira. Como nos anos anteriores, a quinta edição do encontro reuniu milhares de pessoas, entre membros da indústria, representantes de grandes companhias, parceiros da Huawei e jornalistas de todo o mundo.

Para garantir que fosse possível receber todo esse pessoal, o congresso foi realizado mais uma vez no Shanghai Expo Center, um dos maiores centros de convenção da metrópole chinesa. Mesmo com o local sendo usado para uma infinidade de eventos e estando acostumado a hospedar um grande número de visitantes, quase todos os espaços do recinto foram tomados pelo público. Felizmente, depois de experimentar um pouco do “calor humano” na entrada no edifício, tudo estava muito bem organizado e com atividades distribuídas por todo o lugar.

A cerimônia de abertura e as principais apresentações da feira, por exemplo, foram feitas no auditório principal do prédio, um salão amplo reservado apenas para a imprensa e outros convidados internacionais. Com um paço bem espaçoso, esse estágio inicial do HCC 2015 acabou contando até com um número bem inusitado de dança – misturando música eletrônica e balé – para atrair a atenção dos visitantes ao principal tema a ser discutido durante a feira: como simplificar e agilizar os negócios utilizando os recursos da nuvem.

Ferramentas para o sucesso

Para dar o pontapé inicial no encontro, quem foi chamado ao palco foi Eric Xu, CEO e atual líder da Huawei – que possui um trio de gestores que se revezam no cargo. O chefão da companhia fez um discurso no qual ficaram mais claros os planos da empresa para o futuro próximo: criar um ecossistema na nuvem que seja dinâmico e flexível o suficiente para dar conta das necessidades de clientes e parceiros – eliminando grande parte da burocracia das plataformas atuais.

A ideia é derrubar barreiras que impeçam as empresas de “cloudificar” seus sistemas e também ajudar na migração de plataformas legadas. “Nos próximos anos, a Huawei desenvolverá um sistema operacional para a nuvem, um sistema para Big Data e uma plataforma como serviço (PaaS ou Platform as a Service), que permitirá aos clientes desenvolverem e gerenciarem aplicativos diretamente na nuvem”, explicou o executivo.

Mostrando que não está de brincadeira, a chinesa revelou seus três novos produtos para suprir exatamente essas demandas do setor: o FusionSphere 6.0, que faz integração de data centers através de sua plataforma aberta; o FusionInsight, especializado na convergência e monitoramento de dados; e o FusionStage, ferramenta que deve facilitar consideravelmente o desenvolvimento de aplicativos cloud.

Além desses softwares, a Huawei também anunciou seu OceanStor DJ, uma solução de armazenamento e gerenciamento de dados mais inteligente para data centers. A oferta de todas essas ferramentas casa com a ideia de que o futuro está todo na nuvem, juntando dados, inteligência e serviços em um ambiente unificado. Mais uma vez, o ano de 2020 é taxado como de extrema importância, sendo a data esperada para que pelo menos 50% das soluções e aplicativos estejam utilizando a nuvem de alguma forma para agilizar seus processos.

De olho no horizonte

Para mostrar um pouco da importância da nuvem nos mais diversos patamares e setores dos negócios apoiados em tecnologia, a Huawei chamou ao tablado executivos de outras companhias para apresentar casos de sucesso ou dar sua visão sobre o futuro. Com um plantel bem variado de convidados, o restante do painel incluiu desde figurões de gigantes europeias de telecomunicações a representantes de startups internacionais em plena ascensão e jornalistas – todos apostando, de um jeito ou de outro, na plataforma cloud.

Entre as pessoas que subiram ao palco estava Kevin Kelly, editor-executivo da Wired, que falou sobre como a nuvem é um futuro inevitável e já está transformando completamente o cenário e evoluindo para uma versão ainda mais inteligente. Em sua análise, isso segue o conceito da informação e dos dados em produtos ou serviços, um conceito capitaneado pelo Facebook e seguido atualmente por um bom número de marcas que dão acesso em vez de posses, como Uber, Alibaba e Airbnb – que não possuem carros, estoque ou hotéis próprios.

Outros nomes que tomaram o microfone e deram seu pronunciamento foram Matthieu Blumberg, CTO da Criteo, e Joern Kellermann, vice-presidente sênior de Computing Services na T-Systems. No caso do francês Blumberg, as soluções da Huawei permitiram que a companhia pudesse lidar melhor com a avalanche de dados vindas de seus mais de 2 bilhões de anúncio diários. O executivo da gigante alemã, por sua vez, acredita que apenas a nuvem pode permitir uma era de digitalização de forma simples, segura e, claro, acessível.

Debatendo a tecnologia

Mais tarde, foi possível falar com boa parte desses convidados e tantos outros participantes do congresso em salas reservadas para conversas mais informais. Nesses bate-papos, pudemos trocar informações inclusive com figuras de destaque dentro da própria Huawei, como Yan Lida, William Xu, Ren Zhipeng e Li Yang. Durante as discussões, a empresa revelou mais sobre os planos de expandir seus negócios no setor corporativo para outros países, mas também deixou claro que é preciso fechar parcerias com operadoras locais para fazer a empreitada dar certo.

A companhia se considera ainda um “peixe pequeno” nesse ramo, mas acredita que projetos como os que vem fazendo ao lado da Telekom alemã possam abrir portas para oferecer seus serviços de nível enterprise em outras praças – já que todos os seus dez data centers, hoje em dia, estão na China. A perspectiva é que o setor traga uma renda de US$ 10 bilhões (cerca de R$ 39 bilhões) até 2019, um valor considerado pequeno em comparação com os dos principais concorrentes nesse mercado.

Em uma das roundtables, a Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC) foi o grande tema central debatido entre a Huawei e seus parceiros. Justin Schmidt, gerente-executivo da sueca Hexagon, era um dos integrantes da mesa e mencionou como a união desse setor com a computação na nuvem possibilita um desenvolvimento cada vez maior de cidades inteligentes e seguras. Philip Mak, diretor sênior de cloud computing na Microsoft China, também falou sobre a importância da colaboração usando a tecnologia para os negócios da companhia.

Nada incomum, já que a Gigante da Informática tem investido uma parte considerável dos seus esforços na plataforma, migrando produtos com o Office, em sua versão 365, para a nuvem e elaborando planos ousados para Windows Server e Cloud PCs. No fim, o consenso geral entre esses e outros participantes da bancada foi de que, mesmo com a economia em escala mundial em queda, a TIC continua a crescer e reforçar a ideia de que está encaminhada para se tornar um produto, indo muito além de um mero suporte aos negócios.

William Xu, diretor-executivo da Huawei, também aproveitou a ocasião para esclarecer mais uma vez o rumor sobre a companhia utilizar os dados armazenados em seus servidores – iniciado pela investigação da Agência de Segurança Nacional norte-americana (NSA), em 2014. Segundo o chinês, diferentemente de operadoras de internet, a empresa não tem nenhum interesse em ter acesso a esse tipo de material, já que dados são o grande recurso de seus parceiros e clientes. A escolha por trabalhar com infraestrutura, então, é estratégica.

Showcase também mostrou serviço

Além das roundtables e palestras espalhadas pelos andares do Shanghai Expo Center, o evento contou com um pavilhão gigantesco com dezenas de expositores. As marcas presentes trouxeram um número grande de produtos e também apresentaram equipamentos e aplicações reais que usam a nuvem como base. Claro que a Huawei se fez vista em diversos pontos dessa área, exibindo algumas das soluções no seu catálogo. Nomes de grande porte do setor também deram as caras por lá, como Microsoft, NVIDIA, Deutsche Telekom e outras.

Investindo em todas as frentes, a sul-coreana Samsung atraiu olhares curiosos com sua linha de SSDs voltada especialmente para datacenters, trazendo tamanhos robustos e tecnologia V-NAND. A HGST foi mais uma a apostar no quesito armazenamento para conquistar os visitantes, mostrando sua série de HDs de alta capacidade selados a hélio. Se o assunto é hardware, não podemos nos esquecer da bancada da Kingston, que trouxe uma seleção invejável de módulos de memória DDR4 – que vêm sendo usados só agora em PCs caseiros.

Quem escolhia dar um passeio por lá também podia decidir exatamente que tipo de temática gostaria de explorar no local, já que os estandes se dividiam em segmentos bem definidos como: Energia, Transportes, Cidades Inteligentes, Finanças, Educação e Corporativo. Batendo perna por ali, dava para perceber que, enquanto companhias mais tradicionais exibiam seu portfólio de um jeito mais, digamos, clássico, outras empresas foram bem mais criativas na hora de “vender seu peixe” ou trocar contatos para conversas posteriores.

Festival tecnológico (e criativo)

As videoconferências, por exemplo, são um assunto batido há tempos, não é? Um dos estandes no HCC 2015 revitalizava um pouco o conceito com uma transmissão de altíssima qualidade em resolução 4K. Na enorme tela erguida no local, uma moça em outra cidade podia conversar com o visitante como se ambos estivessem no mesmo ambiente – sem qualquer tipo de engasgo. Além disso, uma dupla de mesas sensíveis ao toque utilizava cloud computing para simular traços e pincéis para quem quisesse tentar desenhar a simpática chinesa.

Esse tipo de processamento também deu vida a outros experimentos bacanas, como o de braços robóticos que não paravam um segundo e faziam belas ilustrações técnicas em uma lousa e um cockpit que contava com três displays e simulava de forma singular uma corrida no bom e velho estilo rally. Com o nome nada humilde de 4D Racing Detonating Ultimate Experience, esse kit utilizava a nuvem para calcular todas informações da pista e transmiti-las em tempo real para o sistema hidráulico que chacoalhava o conjunto – e o piloto.

Como toda feira de tecnologia, não faltaram brindes para garantir a visita do público. Alguns deles, porém, exigiam um pouco mais de habilidade de quem quisesse levar um agradinho para casa. É o caso de uma daquelas máquinas de pegar bichos de pelúcia. A versão hi-tech do equipamento dispensava o uso do ultrapassado manche e preferia monitorar a mão do usuário, fazendo cada movimento ser reproduzido pela garra. Como é? Quer saber nosso resultado ao testar o brinquedo? Bem, foi um sonoro dois a zero... para a máquina.

E esse foi nosso balanço geral do evento de cloud computing da Huawei durante a viagem do TecMundo à China. Curtiu as novidades dessa feira no outro lado do mundo? Gostaria de ver mais matérias como essa? Conte para a gente nos comentários.

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