Em breve, Felix Baumgartner (famoso paraquedista e atleta de base jump austríaco de 43 anos) deve realizar um dos saltos mais arriscados de toda a história do paraquedismo. Se por um lado a façanha planejada pode matá-lo de diversas maneiras, por outro lado o feito será um novo marco para os amantes de esportes radicais.

O homem participa do projeto Red Bull Stratos, que tem como objetivo quebrar vários recordes ao mesmo tempo, incluindo o voo mais alto a bordo de um balão, a maior altitude alcançada para um salto de paraquedas, o maior tempo e a maior velocidade atingidos em queda livre.

Para isso, Baumgartner deve embarcar em uma cápsula acoplada a um balão estratosférico que o levará a mais de 36,5 mil metros de altura – atingindo a estratosfera. Durante a queda livre, o paraquedista deve alcançar a velocidade máxima aproximada de 1.324 km/h e se tornar o primeiro homem a quebrar a velocidade do som.

Além disso, o Red Bull Stratos pretende deixar um legado científico, proporcionando que os cientistas envolvidos no projeto façam descobertas importantes para a melhoria da segurança dos programas espaciais, principalmente no tocante a maneiras de escape dos astronautas durante emergências em altitudes muito elevadas.

(Fonte da imagem: Divulgação/Red Bull Stratos)

Para sobreviver a tal empreitada, Felix Baumgartner conta com uma roupa especial, repleta de tecnologias e mecanismos eletrônicos que pretendem garantir que ele pouse em segurança. E é exatamente sobre esse traje que falaremos neste artigo: você vai conhecer como é constituída a roupa desse “maluco” que cairá do céu.

Os perigos

Como você deve imaginar, existem diversos perigos em um salto como o proposto por Baumgartner. A estratosfera é um ambiente extremamente hostil, com pouca presença de oxigênio e temperaturas baixíssimas, que chegam a -50 C°. Com isso, o paraquedista pode morrer congelado ou por asfixia.

Cada movimento do austríaco deve ser feito com calma e precisão, pois qualquer dano à sua roupa especial pode fazer com que o ar escape, provocando uma despressurização do equipamento. Isso pode ocasionar a formação de bolhas de gás no sangue (conhecida como “ebullism”), devido ao reduzido ponto de ebulição da água (substância que compõe 70% do nosso corpo) em altas altitudes.

Assim, o sangue não consegue carregar a quantidade de oxigênio necessária até o cérebro e a pessoa morre. Em outras palavras, o paraquedista pode sofrer um efeito como se ele estivesse sendo fervido por dentro.

(Fonte da imagem: Divulgação/Red Bull Stratos)

Além disso, Baumgartner precisa saltar em uma posição previamente calculada, evitando que ele perca o controle do voo. Caso o homem comece a rodar, ele pode desmaiar e continuar girando até que as forças aplicadas sobre seu corpo rompam o seu tronco encefálico – parte do sistema nervoso que une o cérebro à medula espinhal.

Outra coisa que pode acontecer é o paraquedista vomitar dentro do capacete e ter sua visualização obstruída, ficando completamente desorientado. Por fim, os pesquisadores e especialistas envolvidos no Red Bull Stratos não sabem como o corpo humano irá se comportar ao ultrapassar a barreira do som, já que ninguém conseguiu tal proeza até hoje.

Para saber com mais detalhes como o salto acontecerá, confira esta linha temporal interativa criada pela Red Bull.

A vestimenta para um salto da estratosfera

Traje

Para assegurar que Felix Baumgartner evite ou saia de qualquer uma dessas situações fatais, a equipe do projeto desenvolveu um traje especial pressurizado baseado nos equipamentos utilizados pelos astronautas. A roupa pesa aproximadamente 13 quilos, sem considerar o capacete e o visor. O traje completo leva quase duas horas para ser colocado e verificado.

Para a confecção desse macacão espacial, foi utilizado um material que é resistente ao fogo e funciona como um isolante do frio externo. O traje também conta com sistemas computadorizados que controlam a pressão interna, que será ajustada constantemente enquanto o paraquedista estiver caindo, e a temperatura – evitando que ele sofra uma hipotermia.

Capacete

Obviamente, assim como a roupa, o capacete também será pressurizado. Esse equipamento possui mecanismos de aquecimento interno para que o seu visor não embace ou congele. Esse visor ainda conta com uma película protetora contra os raios ultravioleta – não se esqueça de que o paraquedista estará acima da camada de ozônio e, portanto, sem a proteção natural que nos protege da luz solar.

(Fonte da imagem: Divulgação/Red Bull Stratos)

Dentro do capacete, o atleta ainda terá um microfone de comunicação, o canal que leva 100% de oxigênio e um dispositivo que despeja alimentos no estado líquido em sua boca. Ao todo, o capacete pesa um pouco mais de 3,5 quilogramas.

Sistemas de segurança, comunicação e localização

Preso ao seu tórax, Baumgartner carregará uma espécie de bolsa na qual estarão todos os dispositivos eletrônicos responsáveis pela sua comunicação com a equipe em solo, o monitoramento de seus sinais vitais e o seu rastreamento no globo terrestre (um GPS melhorado).

Outro componente importante dessa caixa é o aparelho (denominado “Unidade de Medida Inercial”, também conhecido pela sigla IMU) que registrará todos os dados sobre altura, velocidade, tempo de queda e tudo mais que constatará a quebra, ou não, dos recordes mencionados no início do texto. A bolsa ainda terá uma câmera de alta definição com ângulo de visão de 120° para gravar o comportamento do paraquedista e o que acontecerá durante a sua queda livre.

(Fonte da imagem: Divulgação/Red Bull Stratos)

Fora dessa caixa, o austríaco terá acoplado em seu traje um dispositivo batizado de CYPRES 2. Em casos de emergência (qualquer uma das várias situações citadas anteriormente), esse gadget é acionado automaticamente e atua como se fosse uma “terceira mão” do atleta, ativando o paraquedas reserva assim que ele atingir a altitude e a velocidade limite de segurança.

Paraquedas

Depois de passar por tantos perigos durante a queda, não podemos esquecer que Felix Baumgartner ainda precisa chegar ao solo são e salvo. Para isso, os paraquedas são equipamentos fundamentais. Nesse salto, além dos dois paraquedas tradicionais (o principal e o reserva), o paraquedista ainda contará com um paraquedas específico para estabilizar o seu voo caso ele comece a girar.

Se contados os cilindros de oxigênio que ficam em suas costas, o experiente atleta de base jump ainda carregará mais 27 quilos. Nas laterais do macacão, existem mecanismos para cortar algum dos paraquedas caso ele se enrole.

(Fonte da imagem: Divulgação/Red Bull Stratos)

Câmeras

Fora a câmera localizada na bolsa torácica, o traje ainda comporta duas máquinas posicionadas perto dos joelhos para capturar o visual exuberante do salto. Todas essas câmeras foram desenhadas e desenvolvidas especialmente para o Red Bull Stratos, pois normalmente esse tipo de eletrônico não suporta o ambiente agressivo da estratosfera.

Não há dúvidas de que essa missão não será nada fácil. Mas para quem não acredita que ela poderá ser realizada, durante sua preparação e treinamento Baumgartner saltou de 20 quilômetros de altura e atingiu 580 km/h.

Fonte: Red Bull Stratos

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