Os desenhos animados sempre conseguiram conquistar um espaço maior nas telas do que simples curtas-metragens, com produções sofisticadas e histórias emocionantes — algumas baseadas em contos de fadas. A Disney foi uma das empresas que mais teve importância nesse sentido.

Com o desenvolvimento da computação gráfica, vários curtas começaram a aparecer, de maneira que foram abertas as portas para a animação 3D. A ideia de fazer com que personagens criados por computador tivessem vida foi muito sedutora para diversos estúdios.

E foi assim que nasceu o primeiro filme do “Toy Story”, considerado o primeiro longa-metragem feito totalmente por computação gráfica. A nova técnica utilizada, uma boa direção e um roteiro excelente fizeram com que o filme fosse um completo sucesso. E, junto com isso, foi percebido o potencial enorme que as produções com animações 3D tinham.

Os primeiros passos para uma produção

O tratamento dado às animações 3D é praticamente o mesmo dos grandes filmes “reais”, que trazem atores de verdade. A única diferença é que praticamente tudo é feito por computador. E, como em um grande filme, o produtor precisa escolher bem quem deve ser o diretor — já que é ele quem precisa imaginar a história na tela.

Nem sempre o roteiro já existe, somente conceitos. Assim, é preciso também um roteirista, que junto com o diretor e/ou uma equipe consegue elaborar todo o desenrolar da história, com um início, meio, fim, problemáticas e pontos de virada. Em seguida, toda a equipe necessária é contratada, como artistas, designers, atores e profissionais da computação gráfica.

Contrata-se toda a equipe.

No caso do uso de conteúdo protegido por outras empresas é necessária a aprovação delas. “Toy Story”, por exemplo, precisou da licença de cada empresa fabricante dos brinquedos para que eles pudessem se integrar ao filme.

Há inclusive indagações a respeito de a Mattel não permitir o uso da boneca Barbie no primeiro filme, pois cada garota que brinca com uma boneca passa sua personalidade para ela. Entretanto, não só a Barbie como também seu namorado — Ken — dão as caras.

Isso realmente funciona?

Assim que o roteiro já estiver pronto, a equipe de direção de arte se reúne para elaborar os conceitos e os storyboards — desenhos que ilustram como os cenários e as cenas devem ser. É a partir dos esboços e do roteiro que o filme finalmente pode ser começado, pois a visão do diretor foi literalmente passada para o papel e toda a equipe consegue ver o que ele quer.

A partir de todos os storyboards é possível montar uma animação de verdade, ao juntar todos os desenhos em uma sequência e adicionar as falas dos personagens. Isso é extremamente necessário, pois agora são pessoas de uma selecionada audiência que assistem a "pré-história" e podem dizer se realmente a história funciona e vale a pena ser produzida.

Rascunhos antes da produção.

Fonte: site oficial do "Toy Story".

E se as opiniões forem negativas? Aí a produção tem poucos caminhos a serem seguidos: continuar com a mesma ideia (o que é muitíssimo raro de acontecer), desistir do projeto ou começar tudo do zero — como aconteceu com o primeiro “Toy Story”: precisou de uma reformulação principalmente dos personagens, que eram sarcásticos demais.

Como são feitas as animações dos personagens?

Depois de elaborar os conceitos de arte dos personagens, é necessário criá-los na tela do computador com as modelagens de softwares 3D. Alguns programas famosos entram em cena, como 3D Studio Max e Maya. O processo é minucioso e os personagens precisam ficar perfeitos e suscetíveis às animações.

Sendo assim, o próximo passo é animá-los. Muitos acham que uma animação é totalmente feita pelo computador, mas isso é um engano completo. Para dar vida a tudo é feita a "Motion Capture" (captura de movimento). São várias as técnicas de captura: roupas com sensores, um capacete com câmeras ou simplesmente detectores grudados no rosto e no corpo.

O conceito de captura é simples: os "atores", com os vários detectores espalhados pelo corpo fazem os movimentos normalmente, tanto do corpo quanto do rosto. Isso então é enviado para o computador e analisado, para ser aplicado nas modelagens dos programas de edição 3D como se fossem atores reais.

Nas gravações do filme "Avatar", os atores usavam uma espécie de capacete com várias câmeras sobre os atores para detectar movimentos faciais e expressões.

É por isso que a direção de uma animação pode acabar sendo mais difícil do que de um filme de verdade: é necessário fazer com que simples animações criadas no computador passem sentimentos. Em “Toy Story”, por exemplo, simples brinquedos passam a ser personagens com personalidades e sentimentos únicos.

Em “Toy Story 1”, o personagem Woody era o mais complexo em relação à animação, pois era operado com 723 controles de movimentos, com 212 para seu rosto e 58 só para sua boca.

Geralmente a criação computadorizada passa uma ideia muito fria e “perfeita” das coisas. E, quando se tenta retratar a realidade, imperfeições são mais do que necessárias — principalmente nos personagens. E é isso que os diretores tentam fazer: transformar simples animações em “criaturas” de fato "orgânicas".

O processo de finalização

Depois de ajustar os personagens às suas respectivas animações e cenários para montar o filme, são feitas as gravações das cenas para valer. Como em um set de produção, as câmeras são posicionadas virtualmente e capturam as cenas da melhor maneira possível: seguindo as instruções do roteiro e, claro, do diretor.

Em seguida, é necessário “polir" ainda mais para que o visual fique exatamente como o diretor pretende. Novamente, o termo "perfeito" aqui não pode ser usado, pois os diretores buscam as "imperfeições" naturais do mundo "real".

Fonte: site oficial do "Shrek".

Em “Toy Story 3”, o diretor simplesmente tentou evitar ao máximo que o filme ficasse "realista" e “bonito” demais em relação aos outros filmes e deixasse de ser de fato uma continuação. É preciso manter o gancho e não se desviar da proposta.

Assim, as modelagens são aperfeiçoadas e as texturas são aplicadas em todo o filme: personagens, cenários, objetos etc. A iluminação é inserida de maneira que fique perfeita. Isso faz com que o visual final seja finalmente alcançado e deixe o filme quase pronto para ir às telas.

Renderização dos quadros

Quando a finalização e as gravações terminam, com o filme já bem polido, é chegada a hora de fazer a renderização do filme como um todo. Se você não sabe do que se trata, é muito simples: cada segundo conta com 24 quadros (ou frames). Cada um desses quadros precisa ser processado pelos computadores para que a cena criada seja 100% fiel à imaginada, sem falhas gráficas.

Renderização completa.

Fonte: site oficial do "Toy Story".

O único problema é o tempo que a renderização leva: para um único quadro é de mais ou menos 7 horas. Isso faz com que um minuto do filme precise de 420 dias. Como isso é solucionado? Utiliza-se uma "técnica" chamada "Render Farm", capaz de fazer o trabalho de renderização em paralelo com vários computadores.

“Toy Story 1” contou com 114.240 quadros, 600 bilhões de bytes, 160 bilhões de pixels e cerca de 800.000 horas de processamento — divididas em vários computadores.

Etapas finais

Depois do processo de renderização, o filme já pode ser passado para a edição final. Todos os quadros passam a ficar juntos e as cenas são organizadas. A edição também corta as cenas consideradas “desnecessárias” para deixar o filme mais curto. A partir desse ponto, só falta a sonorização, que inclui a trilha sonora, as vozes dos personagens e as narrações.