Microrganismos ajudam animais a hibernarem, mostra pesquisa

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Um novo estudo mostrou que alguns tipos de microrganismos ajudam animais enquanto eles hibernam. A descoberta revelou que bactérias consomem ureia acumulada no corpo de esquilos, liberando nitrogênio para o hospedeiro.

Os resultados, publicados no dia 27 de janeiro na revista Science, abrem novos horizontes para o tratamento de pacientes com síndromes de desgaste muscular ou até mesmo para astronautas em viagens espaciais prolongadas, que poderiam se beneficiar da ajuda de alguns micróbios.

Cientistas descobriram que bactérias previnem os músculos de esquilos atrofiarem durante a hibernação (Fonte: Pexels/Pixabay)Cientistas descobriram que bactérias previnem os músculos de esquilos atrofiarem durante a hibernação (Fonte: Pexels/Pixabay)Fonte:  Pexels/Pixabay 

Quando um mamífero hiberna, ele reduz sua atividade metabólica em até 99% das funções, para economizar energia. Mas alguns nutrientes ainda são necessários. Um deles é a proteína. Sem ela, os músculos desses bichos atrofiariam pelo longo tempo parado.

Mutualismo

Pesquisadores da Universidade de Wisconsin-Madison já sabiam que a ureia acumulada no corpo desses roedores se movia para o trato digestivo durante o período de hibernação, onde entravam em ação as bactérias que processam essa molécula.

Restava saber se no processamento da substância sobravam átomos de nitrogênio que o próprio corpo dos esquilos pudesse absorver.

Para confirmar, os pesquisadores injetaram um tipo especial de ureia, como isótopos de carbono e nitrogênio que podem ser rastreados no sangue do animal. Alguns dos esquilos também receberam doses de antibióticos. A intenção foi matar parte da flora intestinal deles e comparar a absorção de nitrogênio com os outros.

Seguindo os rastros, o nitrogênio foi parar no fígado dos animais — órgão fundamental na produção de proteínas — e em alguns músculos. Os resultados demonstraram com clareza um dos fenômenos mais comuns na natureza: o mutualismo — relação entre animais de duas espécies com benefício pra ambos.

Entender essa peça chave do processo em animais pode ser mais um passo para que os cientistas consigam colocar seres humanos em estado de hibernação. Em viagens espaciais, isso significaria menor quantidade de comida, água e oxigênio a bordo, uma grande vantagem para viagens de longas distâncias.

Além disso, seria possível reduzir as taxas de perda e atrofia muscular geradas pela exposição à microgravidade. Quem sabe não estamos mais perto do que pensávamos das tecnologias de ficção científica? Talvez só falte olhar com um pouco mais de carinho para a natureza que nos rodeia aqui mesmo, na própria Terra.

ARTIGO Science: doi.org/10.1126/science.abh2950

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