Expor olhos à luz vermelha reduz problemas de visão, diz estudo

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Expor os olhos à luz vermelha uma vez por semana durante três minutos pode reduzir problemas de visão, segundo um estudo da University College London, do Reino Unido. A intervenção pode ajudar principalmente pessoas a partir dos 40 anos, que são mais afetadas pelo envelhecimento dos olhos.

A pesquisa apontou uma melhora de cerca de 17% na visão do contraste de cores. Entre os mais velhos, o aumento da visão foi de até 20%. Os participantes foram expostos à luz vermelha do tipo LED uma vez por semana, pelas manhãs. O artigo com os resultados foi publicado no dia 24 de novembro na revista Scientific Reports.

Os efeitos positivos da exposição duraram mais de sete dias, mas, quando feitos pela tarde, não obtiveram os mesmos resultados positivos.

Em pessoas de cerca de 40 anos, as células da retina do olho começam a envelhecer, o que em parte é causado pela redução das atividades da mitocôndria, principal responsável pela produção de energia das células.

Ao serem expostas à luz vermelha, as mitocôndrias conseguem recuperar a eficiência, melhorando as funções da retina.

Os cientistas afirmam que os resultados são promissores, capazes de gerar tratamentos para saúde ocular seguros, de baixo custo e fáceis de serem manuseados em casa.

A exposição à luz vermelha pode ajudar principalmente pessoas a partir dos 40 anos, que são mais afetadas pelo envelhecimento da vistaA exposição à luz vermelha pode ajudar principalmente pessoas a partir dos 40 anos, que são mais afetadas pelo envelhecimento da vistaFonte:  Shutterstock 

O estudo contou com 24 participantes, com idades entre 34 e 70 anos, que não tinham doenças oculares. Eles completaram um questionário sobre a saúde do olho e, em seguida, fizeram um “Chroma Test”, ou teste de cores, no qual identificaram letras coloridas que tinham pouco contraste e ficavam cada vez mais borradas.

Após o teste, os participantes foram expostos a 670 nanômetros (medida equivalente a um bilionésimo de um metro) de luz vermelha entre as 8h e 9h da manhã, durante três minutos.

Três horas depois, a visão dos participantes era testada novamente, quando os pesquisadores concluíram que, de fato, havia ocorrido uma melhora.

Meses depois do primeiro experimento, alguns dos participantes fizeram o teste novamente, dessa vez na parte da tarde, entre 12h e 13h. No entanto, os resultados não foram os mesmos.

Glen Jeffery, professor da UCL e líder do estudo, declarou que recarregar o sistema de energia das células da retina com o dispositivo LED é como recarregar uma bateria.

“E a exposição feita pela manhã é fundamental para essa melhora na visão: as mitocôndrias têm certos padrões de trabalho e não geram os mesmos resultados à tarde”, afirmou.

Um dos principais benefícios é a simplicidade da intervenção, o que pode reduzir o custo e ser mais facilmente disponibilizado.

Para Jeffery, será possível, em um futuro próximo, fazer o tratamento em casa. “Essa simples adição pode transformar o cuidado com o olho e a visão em todo o mundo.”

Apesar dos benefícios, os cientistas indicam que os resultados ainda variam muito de acordo com a idade, e que, portanto, é preciso cautela na hora de interpretar os dados.

É possível que a variabilidade entre as pessoas influencie o grau de melhora que os pesquisadores não puderam identificar.

ARTIGO Scientific Reports: doi.org/10.1038/s41598-021-02311-1