'Planeta 9' pode já ter sido observado em 1983, diz pesquisa

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Aos 79 anos de idade, um dos mais renomados astrônomos da atualidade resolveu empreender uma busca por um planeta lendário. Ex-presidente da Royal Astronomical Society e professor emérito do Imperial College de Londres, Michael Rowan-Robinson afirma que pode ter descoberto o suposto Planeta Nove, um grande mundo gelado localizado nas regiões externas ao nosso Sistema Solar, além da órbita de Netuno.

Hospedada no serviço de pré-prints eletrônicos arXiv no dia 11 deste mês, e ainda sujeita à revisão por pares, a nova pesquisa de Rowan-Robinson baseou-se na revisão de antigos arquivos do Infrared Astronomical Satellite (IRAS), um observatório espacial lançado em 1983 e operado conjuntamente pela NASA, Países Baixos e Reino Unido. Nos seus dez meses no espaço, o telescópio fez uma varredura de 96% do céu em infravermelho.

Uma vez que esse comprimento de onda permite a detecção de objeto pequenos, como o Planeta Nove, Rowan-Robinson resolveu fazer novas análises dos dados do telescópio desativado, usando como parâmetros algumas informações de estudos anteriores sobre a tal Superterra. De fato, o pesquisador descobriu que o IRAS havia detectado sinais de um objeto com três a cinco vezes a massa da Terra, orbitando a cerca de 225 vezes a distância entre o Sol e a Terra.

Representação artística do Planeta Nove. (Fonte: nagualdesign/Wikimedia Commons/Reprodução)Representação artística do Planeta Nove. (Fonte: nagualdesign/Wikimedia Commons/Reprodução)Fonte:  nagualdesign/Wikimedia Commons 

Tentando provar o improvável

Das cerca de 250 mil fontes infravermelhas detectadas pelo IRAS em sua pesquisa de 1983, apenas três delas, feitas em junho, julho e setembro daquele ano, pareceram compatíveis com o que poderia ser o Planeta Nove. Se as estimativas de Rowan-Robinson estiverem corretas, o objeto misterioso está "viajando" em direção à Constelação de Cepheus, no hemisfério norte do céu.

Um dos cientistas que retomaram recentemente a discussão sobre o Planeta Nove, Mike Brown, do Instituto de Tecnologia da California (Caltech), disse estar "muito feliz por ele [Rowan-Robinson] ter feito essa análise" e considerou o artigo ótimo. Porém, considerou que as incertezas sobre a distância exata da fonte apontada na pesquisa podem tornar “difícil extrair sinais de toda essa poeira”.

Mas o astrônomo inglês não se dá por vencido. Para ele, o movimento da fonte observada no céu sugere se tratar da órbita de um planeta, que poderia ser recalculada através de avaliações feitas em telescópios mais modernos. "Uma busca em um anel de raio 2,5-4 graus centrado na posição de 1983 em comprimento de onda visível e próximo ao infravermelho valeria a pena", afirma o autor do estudo.

Com isso, Michael Rowan-Robinson reconhece que novas observações serão necessárias para confirmar a veracidade de sua hipótese. Se for o caso, o astrônomo inglês teria resolvido um dos mistérios mais intrigantes que, desde a descoberta de Netuno em 1846, tem desafiado a comunidade científica.

ARTIGO arxiv.org/abs/2111.03831v2