Astrônomos tiram melhor foto da galáxia de Andrômeda até o momento

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Imagem: NASA/Reprodução
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Cientistas revelaram uma nova imagem da galáxia de Andrômeda, localizada a cerca de 2,54 milhões de anos-luz de distância da Terra. Para a descoberta, a equipe se baseou na radioastronomia — estudo de corpos celestes através das ondas de rádio que emitem.

Por conta de seus detalhes, ela foi considerada a melhor foto do grande sistema espacial — vizinho mais conhecido e próximo da Via Láctea —, o que também pode ajudar na identificação de regiões onde há o nascimento de estrelas.

A imagem foi elaborada a partir de observações com altíssima sensibilidade das radiações eletromagnéticas, obtidas pelo Radiotelescópio da Sardenha (SRT), Itália. Além disso, os pesquisadores desenvolveram um software com algoritmos inéditos capazes de identificar fontes de baixa emissão. A técnica mapeou o trecho no espaço e produziu um catálogo com cerca de 100 fontes pontuais, dentre elas estrelas e outros objetos na galáxia.

O estudo, conduzido pela Universidade da Colúmbia Britânica (UBC), do Canadá, é o primeiro a criar uma imagem de rádio de Andrômeda na frequência de microondas de 6,6 GHz e pode auxiliar na visualização de partes mais distantes do Universo. O artigo com a descrição da pesquisa foi publicado no final do mês passado na revista científica Astronomy & Astrophysics.

Foto da galáxia de Andrômeda mostra um disco formador de estrelasFoto da galáxia de Andrômeda mostra um disco formador de estrelasFonte:  UBC News/Reprodução 

“Essa imagem nos permitirá estudar a estrutura de Andrômeda e seu conteúdo com detalhes sem precedentes. Compreender a natureza dos processos físicos que ocorrem dentro [desse sistema] nos permite entender o que acontece em nossa própria galáxia de forma mais clara — como se estivéssemos nos olhando de fora”, disse Sofia Fatigoni, líder do trabalho, em comunicado da UBC.

A importância da pesquisa para a Astronomia

Até a publicação da nova foto, nenhum mapa foi capaz de mostrar com tanta riqueza a região do céu ao redor da galáxia — com a recepção de frequências de microondas entre 1 GHz a 22 GHz. Isso porque a emissão do aglomerado em questão é muito fraca, o que dificulta a observação de sua estrutura. No entanto, essa faixa é a que contém as maiores características específicas de Andrômeda e de seus processos físicos internos.

Graças ao SRT, a equipe analisou os dados e conseguiu criar um mapeamento completo. O resultado apontou a presença de um disco que pode originar diversas novas estrelas na galáxia.

“Ao combinar [a nossa] imagem com as adquiridas anteriormente, demos passos significativos para esclarecer a natureza das emissões de microondas de Andrômeda e distinguir processos físicos que ocorrem em diferentes regiões da galáxia”, comentou Elia Battistelli, professor do departamento de física da Universidade de Roma “La Sapienza” e coordenador do estudo.

“Em particular, fomos capazes de determinar a fração das emissões devido aos processos térmicos relacionados aos primeiros estágios de formação de novas estrelas e a fração dos sinais de rádio atribuíveis a mecanismos não térmicos, resultado de raios cósmicos que espiralam no campo magnético presente no meio interestelar”, adicionou.

ARTIGO Astronomy and Astrophysics: doi.org/10.1051/0004-6361/202040011