HIV: altas doses de anticorpo intravenoso pode proteger humanos

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Anticorpos amplamente neutralizantes (bNAbs) podem proteger humanos contra a exposição a algumas cepas do vírus HIV. Quem apresentou a boa notícia foi o cientista Dennis Burton, à frente do Centro de Anticorpos Neutralizantes da Iniciativa Internacional da Vacina da AIDS (IAVI) e pesquisador do Ragon Institute, em artigo publicado na revista Science, no dia 25 de junho.

Os bNAbs trazem esperança de um futuro com humanos imunes ao HIV. Na imagem, uma mulher se liberta de algemas.Os bNAbs trazem esperança de um futuro com humanos imunes ao HIV. Na imagem, uma pessoa se liberta de algemas.Fonte:  PxHere 

"Os bnAbs, anticorpos que podem neutralizar uma grande fração das cepas de HIV em circulação global, são o foco de muitos esforços de vacinas contra o HIV e de estratégias para prevenir ou tratar o HIV por imunização passiva [infusão com anticorpos]", explicou Burton no artigo. E emendou: "Esse foco resulta da enorme variabilidade de cepas do HIV, apenas o bnAb pode esperar contrariar essa variabilidade".

Estudo fracassado pode ajudar

Embora o estudo Prevenção Mediada por Anticorpos (AMP), lançado em 2016, não tenha mostrado eficácia significativa em dois ensaios clínicos, Burton disse acreditar que os resultados da experiência representam um marco na pesquisa da Aids. Para ele, apesar de os dados não mostrarem uma diferença significativa entre o número de indivíduos infectados entre os grupos tratado e placebo, o estudo deve auxiliar no projeto futuro de vacinas contra o HIV e em estratégias de uso passivo de bnAbs.

O estudo AMP avaliou o uso do recém-descoberto anticorpo monoclonal amplamente neutralizante VRC01 e envolveu dois ensaios com quase 3 mil homens HIV negativos e homens trans que fazem sexo com homens nos Estados Unidos, América do Sul e Europa e quase 2 mil mulheres HIV negativas na África. Eles receberam o bnAb VRC01 – isolado em 2010 de um doador HIV-positivo – em duas doses a cada 8 semanas, totalizando dez infusões intravenosas.

O regime de dosagem aplicado no estudo manteve os anticorpos séricos em limites definidos, mas, no geral, a experiência falhou em mostrar eficácia porque o número de indivíduos infectados nos grupos tratados não foi significativamente diferente daqueles nos grupos de placebo. Mas Burton afirmou que se o estudo fosse examinado em termos de sensibilidade de neutralização de vírus isolados nos participantes infectados, haveria uma diferença importante entre os grupos.

Testes da vacina contra HIV em animais

Em seu artigo, Burton também falou sobre os estudos da infecção em animais. Para ele, uma ampla proteção contra uma variedade de cepas de HIV pode ser alcançada usando títulos séricos mais elevados de anticorpos terapêuticos em infusão (soro). Segundo Burton, os insights da pesquisa podem ser usados para melhorar futuros ensaios clínicos de bnAb de HIV em humanos.

Muitos estudos investigaram a capacidade dos anticorpos de protegerem contra a infecção pelo HIV em modelos animais. Burton lembra que a imunização passiva com transfusão intravenosa de um anticorpo monoclonal protegeu um chimpanzé contra um vírus sensível à neutralização, adaptado em laboratório, já em 1992.

Estudos de proteção de anticorpos foram realizados inicialmente em camundongos com imunodeficiência combinada grave, povoados com linfócitos de sangue humano possivelmente infectados com HIV, e mostraram que a imunização passiva com um bnAb de primeira geração poderia proteger contra o HIV adaptado em laboratório. Para Burton, o estudo é representativo dos vírus de circulação global e as concentrações de bnAbs necessárias para proteção nos camundongos eram altas.

Um exame abrangente dos dados de proteção de bnAb obteve números parecidos com os estimados no estudo AMP para proteção em humanos. Para Burton, concentrações mais altas de anticorpos podem ser necessárias para evitar a entrada do vírus nas células vivas do que nos ensaios in vitro.

Como está a pesquisa contra o HIV?

Os estudos em modelos animais sugerem que a maioria dos bnAbs pode oferecer proteção para humanos no futuro, mas a terapia ainda requer mais análises. Burton acredita que os resultados sugerem que, para atingir e manter a proteção contra a infecção em humanos no futuro, a atenção deve ser focada nos bnAbs mais potentes.