Covid-19: Brasil dá sinais de terceira onda ainda mais letal

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A média móvel de novas mortes por covid-19 parou de cair no Brasil. Para especialistas, esse é um dos vários sinais de alerta que apontam para uma terceira onda de casos da doença.

A situação preocupa devido à falta de capacidade do sistema de saúde para enfrentar um novo aumento no número de pessoas necessitando internação. A isso se somam baixos índices de vacinação, flexibilização na circulação de pessoas e tendência de alta nos casos graves da doença.

Especialistas alertam para risco de terceira onda de covid-19 no Brasil.Especialistas alertam para risco de terceira onda de covid-19 no Brasil.Fonte:  Pixabay 

Tendência de alta nos casos de covid-19

Desde a primeira onda, em novembro de 2019, o Brasil teve uma espécie de "escada" de aumento de casos de covid-19. Quem explicou foi o médico e neurocientista Miguel Nicolelis, em entrevista ao portal UOL. Segundo ele, subimos um degrau em novembro e ficamos nesse platô – não descemos. O que ficou conhecido como "segunda onda" foi um salto no número de casos – devido às festas de fim de ano e carnaval – que se tornou o segundo degrau dessa escada. E tudo indica que estamos rumo ao terceiro.

A média móvel após a segunda onda, em 30 de abril, estava em 2.523 mortes por dia, segundo dados do Consórcio de veículos de imprensa. Essa média continuou em queda até 15 de maio, quando chegou a 1.910 casos - e parou de cair.

Rt: a taxa efetiva de reprodução viral

O índice revela a quantidade de pessoas que cada infectado contamina. Quando a taxa está em 1, significa que cada pessoa infectada contamina mais uma. Para conter a pandemia, é preciso que essa taxa seja inferior a 1. No Brasil, a Rt está acima de 1 desde o início da segunda onda. A única exceção foi entre 18 de abril e 3 de maio. Desde 4 de maio a taxa subiu acima de 1 e continua crescendo.

Na última semana, a média brasileira foi de 1,02. Nordeste e Sul ficaram acima da meta, com 1,09 e 1,03 respectivamente; a região Norte registrou taxa de 0,97 e Sudeste e Centro-Oeste 0,94.

Novas flexibilizações

São Paulo anunciou mais flexibilizações a partir de junho, mesmo com a Prefeitura da capital confirmando ao site UOL que a cidade prevê a chegada da terceira onda para o começo do segundo semestre. Outros estados também estão mantendo as reaberturas. Curitiba, no Paraná, aumentou as restrições de circulação, fechando shoppings e supermercados aos finais de semana, mas permitindo circulação em dias de semana. O estado reabriu mais 30% das escolas nesta segunda-feira (24).

O problema das variantes

Às variantes P1 – mais transmissível que a cepa original da covid-19 e que pode infectar mesmo quem já tem anticorpos, segundo um estudo do Centro Brasil-Reino Unido –, e P2, agora pode se somar a indiana B.1.617, que comprovadamente já chegou ao Brasil a bordo de um navio.

Redução da vacinação

O ritmo de vacinação no Brasil caiu 17% em maio, em comparação com o mês de abril, segundo a Info Tracker, plataforma das universidades estaduais Unesp e USP para monitoramento da covid-19. A desaceleração na vacinação se deve ao atraso na chegada de insumos farmacêuticos tanto para o Instituto Butantan, que produz a CoronaVac, quanto para a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), que precisou desligar a linha de produção da vacina AstraZeneca.

A falta de UTIs

Outro fator que indica a proximidade de uma terceira onda de casos de covid-19 é a lotação das Unidades de Terapia Intensiva - UTIs, que crescem ao redor do país: 2.739 pessoas foram internadas em UTI e enfermaria entre 19 e 20 de maio, o que foi "o maior pico registrado nos últimos 42 dias", segundo Wallace Casaca, coordenador da Info Tracker.

Nicolelis afirmou que o país não tem condições para enfrentar uma terceira onda de casos: "faltam medicamentos, leitos e equipes de UTI".

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