Mario Kart ensina a reduzir a pobreza mundial, defende cientista

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Andrew Bell, professor da Boston University College of Arts & Sciences (EUA), defende, em artigo publicado no último dia 5, que Mario Kart é muito mais que um simples jogo de corrida e que as características que o tornam tão viciante e divertido servem como um guia para a criação de programas sociais e econômicos mais justos, ensinando táticas para a redução da pobreza mundial e o aprimoramento da sustentabilidade.

Segundo o especialista em princípios econômicos, mesmo quando se vai muito mal nas partidas, o título foi construído de tal modo que faz de tudo para manter jogadores em disputas. "É legal desde que eu era uma criança e é legal para meus filhos, em parte, porque qualquer um pode aproveitá-lo", salienta o pesquisador.

Para embasar seu argumento, Bell explica que, durante viagens ao Paquistão, a Bangladesh, a Camboja, a Malawi e a outros países do sul da África, se deparou com uma história comum a famílias que conheceu, o fato de que grande parte daqueles e daquelas que atuam como fazendeiros e fazendeiras executam suas tarefas por terem herdado bens relacionados à área, os únicos – o que impedia a dedicação a outros setores.

A partir dessas constatações, Andrew indica que políticas que forneçam assistência a esse público são capazes mudar esse cenário. Como exemplo, traça um paralelo com as mecânicas do Mario Kart, em que jogadores mais rápidos e que estejam na frente não têm os mesmos impulsos de outros. Ou seja, poderes mais fracos são reservados aos da dianteira.

Tal princípio de incentivo, destaca, vai ao encontro da elasticidade econômica, o que mantém o jogo interessante, já que sempre há uma chance de progressão. "É exatamente isso o que queremos fazer em relação ao desenvolvimento”, diz ele. "E é muito, muito difícil."

Distribuição justa de poderes é um dos aspectos mais atraentes do título.Distribuição justa de poderes é um dos aspectos mais atraentes do título.Fonte:  Reprodução 

Cogumelo dourado

O maior obstáculo para a implementação de iniciativas semelhantes no mundo real, acredita Bell, é descobrir como encaminhar assistências para as pessoas comprovadamente necessitadas, pois até recentemente elas se encontravam "fora da pista."

Programas governamentais que envolvem terceiros – como a concessão de recursos por empresas hidrelétricas a agricultores que adotem práticas sustentáveis – até funcionaram em contextos muito específicos, não mais que isso, exemplifica. Também, encontrar companhias dispostas a contribuir com projetos do tipo é um desafio, assim como conectá-las a quem precisa.

Por outro lado, salienta, quando algo dá certo, a boa notícia sobre a elasticidade é que o grau de participação é exponencial, um conceito que Bell batizou de "crowding in" em sua análise – um fator impulsionado pela adoção crescente de telefones celulares, que ajudam governos e organizações na identificação de indivíduos em busca de meios de subsistência mais prósperos além da prática da agricultura e no contato deles com quem possui oportunidades.

Obstáculos dificultam processos no mundo real.Obstáculos dificultam processos no mundo real.Fonte:  Reprodução 

Por fim, segundo o professor, expandir ainda mais o acesso a dispositivos móveis em regiões pobres do mundo também permitiria que a diferença entre as famílias mais ricas e mais pobres fosse calculada e ajudaria a medir o sucesso de políticas e programas recém-implementados.

"O caráter elástico de Mario Kart é levar àqueles que estão atrás os itens que melhor os ajudem a diminuírem suas diferenças – seus próprios 'cogumelos dourados'", que devem ser considerados desde o início de desenvolvimento de programas por pesquisadores e tomadores de decisão, finaliza Bell.

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