Asteroide Apophis não cairá na Terra neste século, garante NASA

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O asteroide Apophis não deve causar problemas para a Terra tão cedo. Em comunicado divulgado na sexta-feira (26), a NASA descartou qualquer chance de a gigantesca rocha espacial colidir com o planeta em 2068 e garantiu que não há risco de queda pelos próximos 100 anos.

As boas notícias foram dadas após os astrônomos realizarem uma análise mais detalhada da órbita do corpo celeste durante a aproximação mais recente do Apophis, ocorrida no início de março. A observação permitiu refazer os cálculos das chances de impacto.

Descoberto em 2004, o asteroide 99942 recebeu o nome do deus egípcio do caos e das trevas por causa do perigo que representa para o planeta. Os primeiros cálculos indicavam uma chance de colisão com a Terra em 2029, descartada posteriormente pelos cientistas.

Antena do Complexo de Comunicações Espaciais Goldstone usada na observação.Antena do Complexo de Comunicações Espaciais Goldstone usada na observação.Fonte:  Wikimedia Commons 

Observações adicionais do objeto, que tem cerca de 340 metros de diâmetro, apontaram para uma aproximação perigosa em 2036, depois modificada para 2068. Esta última chance de impacto era considerada até o início do mês, quando um olhar mais próximo trouxe novas perspectivas, eliminando as possibilidades de queda no século XXI.

De olho no Apophis

Ao passar “perto” da Terra no dia 5 de março, chegando a 17 milhões de quilômetros de distância, o Apophis proporcionou uma boa oportunidade para estudá-lo. Na ausência do Observatório de Arecibo, colapsado em dezembro passado, foi usada a antena de rádio de 70 metros do Complexo de Comunicações do Espaço Profundo Goldstone, na Califórnia.

Os astrônomos também utilizaram, nesta campanha, o radiotelescópio do Observatório de Green Bank, na Virgínia Ocidental, para o qual foram transmitidas as imagens geradas pelo equipamento californiano. Embora pareçam pixeladas, as fotos têm uma resolução de 38,75 metros por pixel, considerada pela agência espacial como “notável”, devido à distância do asteroide.

Imagens do Apophis captadas no início de março.Imagens do Apophis captadas no início de março.Fonte:  NASA JPL-Caltech/Divulgação 

Apesar da distância do objeto, o trabalho permitiu a obtenção de dados valiosos para a astronomia. “Esta campanha não só nos ajudou a descartar qualquer risco de impacto, mas também nos preparou para uma oportunidade científica maravilhosa”, revelou a cientista do Jet Propulsion Laboratory (JPL) Marina Brozovic, que liderou a observação.

Com os novos dados de radar, os astrônomos também esperam aprender mais a respeito da forma do Apophis e a sua taxa de rotação. Estudos anteriores sugerem que ele tenha uma forma de amendoim e dois lóbulos, aparência comum entre os asteroides próximos à Terra e com mais de 200 metros de diâmetro.

Observação a olho nu

Também conhecido como “asteroide do fim do mundo”, o Apophis dará aos cientistas e à humanidade uma ótima chance de observação no final desta década. No dia 13 de abril de 2029, ele passará a 32 mil quilômetros de distância da superfície terrestre, abaixo dos satélites geossíncronos.

Nesta aproximação (veja na animação abaixo), a rocha espacial será visível aos observadores do hemisfério oriental sem a necessidade de usar telescópio ou mesmo binóculo, consistindo em uma oportunidade sem precedentes para os astrônomos.

E como agora sabemos que o corpo celeste não oferece perigo imediato para a Terra, mesmo com um sobrevoo tão perto, os pesquisadores poderão aproveitar a observação sem qualquer preocupação.

“Um impacto em 2068 não está mais no reino da possibilidade, e nossos cálculos não mostram nenhum risco de impacto por pelo menos os próximos 100 anos”, afirmou o especialista do Centro de Estudos de Objetos Próximos à Terra (CNEOS) Davide Farnocchia.

Fontes