Origem dos robôs: como e quando tudo começou

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Todos os dias acompanhamos notícias dos avanços no setor de robótica. Os aspiradores robôs estão cada vez mais populares por aí, os modelos da Boston Dynamics já dançam melhor que muita gente por aí e a Amazon está com vários centros de distribuição dependentes de funcionários automatizados.

Nós costumamos associar o robô a avanços bem graduais no presente e sonhando com o futuro cheio de máquinas por aí fazendo de tudo. Mas afinal, você sabe qual é a origem dos robôs? Confira abaixo como tudo começou:

A palavra Robô

Antes de mais nada, precisamos falar sobre a origem do termo. A palavra robô tem uma origem bem curiosa e bastante diferente. Ela nasceu muito antes da construção real de máquinas automatizadas e que fazem trabalhos para os humanos ou vão exterminar a nossa espécie, dependendo se você é pessimista ou não.

O escritor tcheco Karel Capek foi o responsável por cunhar essa expressão em 1920, enquanto escrevia uma peça de teatro. Ela foi chamada de RUR, Robôs Universais de Rossum, e conta a história de um personagem chamado Rossum, que descobre como criar vidas humanas em fábricas para realizar trabalhos pesados.

Eles não eram de metal, mas sim de um material orgânico que ficava fácil confundir os robôs com humanos, o que só tornava tudo ainda mais assustador, numa vibe meio Westworld. E nem é spoiler, porque a obra tem mais de 100 anos, e é até um pouco óbvio: claro que eles se rebelam contra os donos no ato final. Pois é, a tal revolução das máquinas, que na verdade sentiam sim que eram exploradas por nós, já é um clichê centenário.

Robô na verdade vem de robota, uma palavra de origem eslava que significa trabalho árduo, e esse era o único objetivo das vidas artificiais criadas pelo cientista da peça. Na verdade, quem teria dado a ideia de robota foi Josef, o irmão do escritor, que recebeu os devidos créditos do próprio Karel e impediu que ele usasse labori, que seria um derivado parecido em significado, mas vindo do latim.

A ideia era criticar o ritmo de trabalho intenso da época, que desumanizava os funcionários e transformava todos em extensões de máquinas, todos iguais, como se fossem mesmo criados em laboratório só para manusear equipamentos.

Os dois irmãos eram notórios opositores a regimes totalitários e foram declarados inimigos do regime nazista, que invadiu a na época Tchecoslováquia no fim da década de 1930. Karel morreu no Natal de 1938, de pneumonia, e Josef morreu em um campo de concentração sete anos depois.

A peça estreou oficialmente em Praga no dia 25 de janeiro de 1921 e foi considerada um sucesso, com adaptações em vários países e roteiro adaptado para leitura, traduzido para diversos idiomas, incluindo o português.

As referências na criação dos robôs

Para entendermos de onde veio a ideia de Karel para criar esse tipo de criatura, precisaremos voltar ainda mais no tempo. Isso porque, diversas civilizações antigas e até concepções religiosas falam sobre dar vida a seres inanimados ou criar organismos de forma mágica ou artificial.

E aí são várias as possíveis referências: O deus grego Hefesto teria criado seres para trabalhar em suas oficinas. Um conto chinês do século III antes da era comum fala de Yan Shi, um engenheiro que constrói um boneco praticamente perfeito, até com órgãos e esqueleto parecidos com o de um humano de verdade.

Tem ainda a narrativa do Golem, da tradição judaica, uma figura gigante de barro convocada por poderes divinos e que podia ser usada como um servo. E claro que não podemos deixar de citar Frankenstein, de Mary Shelley, publicado em 1818. A criatura se encaixa mais ou menos nos padrões de servo ou trabalhador forçado e também tem seus momentos de rebeldia após um cientista desafiar leis da natureza para criar vida.

Já na peça RUR, vemos robôs com ideais e até personalidades diferentes. Tem aquele que desafia a autoridade dos humanos de um jeito mais radical, mas tem também aquele que só quer liberdade e é mais controlado. E isso foi bastante reproduzido mais tarde na ficção.

Com o tempo, surgiram vários projetos e relatos de aparatos mecanizados que faziam tarefas simples e sem parar, como os funcionários meio humanos da peça. Mas no nosso imaginário, robô é a figura humanoide e claramente com traços mecânicos, seja na fala ou na movimentação. Até por isso, figuras como o Atlas da Boston Dynamics dançando e correndo por aí de forma tão eficiente são tão assustadoras.

Por isso, rapidamente, robô também foi adotado na ficção e consagrado em filmes, peças,
livros e contos. Lógico que não dá pra citar tudo aqui, mas a gente precisa reservar pelo menos uma menção para Metropolis.

A obra de Fritz Lang feita na Alemanha em 1927 traz a personagem Maria, que não foi só um dos primeiros robôs com destaque em um longa-metragem, mas também por ser uma representação da figura feminina.

Ah, e tem outra palavra relacionada que não surgiu junto: robótica, que é o campo de estudo e conhecimento dos robôs, também foi criação da ficção. Ela veio de um conto de Isaac Asimov publicado em 1941, um pouco antes dos trabalhos que fundamentaram outro clássico do autor.

As chamadas três leis da robótica, que indicam que um robô não deve ferir um ser humano, deve seguir ordens dos humanos e deve proteger a sua própria existência, desde que isso não entre em conflito com as outras duas leis.

Robô, autômato, androide ou ciborgue?

A área de pesquisas sobre máquinas já existia há bastante tempo, mas quando o termo robô pegou e virou sinônimo disso tudo, a robótica foi incorporada também. Aliás, a gente precisa diferenciar os termos robô, autômato, androide e ciborgue. Entenda:

  • Robô: é um termo mais generalizado pras figuras mecanizadas e tidas como sem consciência que normalmente têm uma tarefa fixa.
  • Autômato: é um ser que opera de forma automatizada e independente, mas que responde a instruções ou configurações prévias.Essa palavra era bastante usada antes da criação de robô, mas agora é cada vez menos comum.
  • Androide: é uma palavra que combina termos do grego e significa “ter a forma de homem”. Ou seja, são robôs que possuem uma semelhança visual com seres humanos. Todo androide é um robô, nem todo robô é um androide. George Lucas bagunçou tudo isso quando resolveu chamar de “droide” qualquer máquina nos filmes, desde o humanoide C3PO até o R2-D2.
  • Ciborgue: É um organismo natural, tipo uma pessoa, combinando com elementos artificiais, tipo implantes, próteses e melhorias. O universo Cyberpunk em geral usa bastante isso em suas histórias e o Robocop, que é um humano com partes robóticas, é um ciborgue.

E aí, qual é a sua obra de ficção favorita com robôs? Será que vamos ver mesmo máquinas
cada vez mais parecidas com a gente? Devemos ter medo da Boston Dynamics? Deixe a sua opinião nos comentários.