Cientistas revelam novo exoplaneta rochoso dominado por vulcões

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Imagem: NASA/Reprodução
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Um planeta recém-descoberto fora do Sistema Solar pode ajudar astrônomos a entenderem melhor mundos rochosos. O exoplaneta, chamado de Gliese 486 b, encontra-se em órbita de uma estrela anã vermelha a apenas 26 anos-luz da Terra e apresenta tamanho 30% maior do que o terrestre. Segundo Trifon Trifonov, líder do estudo no Instituto de Astronomia Max Planck (Alemanha), o local é “quente e seco, dominado por vulcões e rios de lava brilhantes”.

Ele foi descoberto com o uso do instrumento espectrógrafo CARMENES, situado no Observatório de Calar Alto, na Espanha. Esse instrumento tem o objetivo de buscar exoplanetas através do método baseado na velocidade radial, o qual detecta leves oscilações no movimento de estrelas causado por forças gravitacionais.

Após a observação, a equipe responsável pelo trabalho continuou a pesquisa utilizando-se de dados de outro espectrógrafo, MAROON-X (Havaí), bem como do Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS), telescópio espacial da NASA. Esse último indicou uma queda de brilho no possível local do Gliese 486 b e confirmou a presença do planeta após o tempo de órbita em torno de sua estrela hospedeira coincidir com o de 1,47 dia terrestre, apontado pelos cientistas.

Ilustração da superfície do exoplaneta Gliese 486 bIlustração da superfície do exoplaneta Gliese 486 b.Fonte:  Space.com/Reprodução 

Sua existência é comparada por especialistas da área à Pedra de Roseta para estudos de atmosferas alienígenas. O famoso objeto, descoberto em 1799 por arqueólogos, permitiu pela primeira vez a compreensão e a tradução de hieróglifos egípcios.

A combinação de características físicas e orbitais, bem como sua proximidade a Terra, pode torná-lo “um grande laboratório para aprendermos mais sobre as atmosferas planetárias alienígenas. As observações futuras do Gliese 486 b nos ajudarão a entender a formação de planetas rochosos e o quão bem eles podem manter suas atmosferas, influenciadas pela radiação estelar”, disse Trifonov ao site Space.com.

Devido ao fato de sua massa ser 2,8 vezes maior do que a de nosso planeta, com densidade de 7 gramas por centímetro cúbico — índice aproximado ao da Terra (5,5) —, os pesquisadores sugerem que o Gliese 486 b deve apresentar a mesma composição de silicato de ferro. No entanto, sua temperatura de superfície é cerca de 430 graus Celsius, mais similar à de Vênus, o que dificulta a presença de vida.

Essas informações são suficientes para sugerir a teoria de que o planeta suporta uma atmosfera; contudo, estudos a distância não podem confirmar sua ocorrência. Para isso, o vindouro telescópio espacial James Webb pode se tornar o maior candidato para definir as observações e está programado para ser lançado no final do ano pela NASA.

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