NASA comemora avanços da missão Psyche e se prepara para o lançamento

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Dando continuidade a seus planos de explorar um asteroide que pode ser composto de, principalmente, níquel e ferro, a NASA anunciou na última terça-feira (2) que dará início à montagem da espaçonave a ser utilizada na missão Psyche, revelada ao mundo em 2019. Trata-se,de acordo com a agência, de um marco importante nas preparações.

De acordo com a entidade, após uma revisão intensa do progresso de construção de instrumentos científicos e sistemas de engenharia, ela obteve autorização para avançar à chamada Fase D do ciclo do projeto, que nada mais é que o passo final das operações antes do lançamento efetivo do maquinário, programado para agosto de 2022.

Até então, as equipes têm-se concentrado em planejar, projetar e construir o corpo da espaçonave, seu sistema de propulsão elétrico-solar, três componentes voltados a análises diversas e seu subsistema de energia, além de outros detalhes. A partir de agora, tudo poderá ser entregue ao Jet Propulsion Laboratory, responsável pelo gerenciamento da missão e que deverá encaixar cada peça em seu devido lugar.

"De tudo o que acontece no solo, a última etapa é, definitivamente, a mais intensa; será quando todos os elementos se juntarão e entraremos, de fato, no foguete", explicou Lindy Elkins-Tanton, líder da Psyche.

Peças e mais peças

Explorar o asteroide cujo nome inspirou a missão em questão pode fornecer informações valiosas sobre como a Terra e outros planetas se formaram, uma vez que ele poderia ser o núcleo de algum planeta primitivo que perdeu suas camadas externas. É para coletar dados variados que os instrumentos carregados pela espaçonave foram desenvolvidos e extensamente avaliados.

Um deles é o magnetômetro. Com o dispositivo, será possível detectar campos magnéticos que eventualmente estejam presentes no objeto espacial e, em caso positivo, perceber um forte indício de que as teorias da agência estão no caminho certo. Já o gerador de imagens multiespectral deve capturar imagens da superfície e desvendar a composição e a topografia do Psyche.

Por fim, espectrômetros entrarão em ação para identificar nêutrons e raios gama vindos da superfície, revelando, assim, o que compõe o viajante. Não se pode deixar de citar que tudo estará acoplado à estrutura principal: o chassi Solar Electric Propulsion (SEP) — que foi projetado e construído pela Maxar Technologies. Aliás, ele está quase finalizado.

Obviamente, muitos testes estão programados para os próximos meses, também relacionados ao computador de voo e aos subsistemas térmico, de telecomunicações, de propulsão, de energia e aviônicos. Inclusive, a demonstração de uma tecnologia de laser chamada Deep Space Optical Communications, que aplica um método supereficiente de transmissão de dados com fótons, encontra-se entre os procedimentos esperados.

"Tivemos um progresso impressionante, especialmente considerando o mundo ao nosso redor, a covid-19 e as restrições impostas. Estamos em muito boa forma, no caminho certo, e temos um plano para avançar para o lançamento", comemorou Henry Stone, gerente do projeto.

Objetivo, agora, é juntar as peças.Agora, o objetivo é juntar as peças.Fonte:  Reprodução 

Quase um milagre

Paralisações geradas pela pandemia e adesão a protocolos de segurança adicionais se tornaram rotina na atuação de engenheiros e técnicos à frente das ações práticas da Psyche, mas, felizmente, a missão continua dentro do cronograma.

Até o fim de junho, a ideia é que a espaçonave, já pronta, seja enviada ao Centro Espacial Kennedy da NASA, no Cabo Canaveral, de onde será lançada rumo aos arredores de Marte, por onde deve transitar em 2023. Chegando à órbita do asteroide, em 2026, passará 21 meses coletando dados.

"O fato de que ainda podemos fazer isso acontecer e de estarmos superando nossos desafios parece quase um milagre", destacou Elkins-Tanton, cientista planetário. "É também um presente incrível por manter todos nós focados e avançando em um momento difícil", ele complementou.

"Alcançar esse marco tem um significado especial — não apenas para esse projeto em que estamos trabalhando há 1 década, mas também por causa do que vem acontecendo mais recentemente em todas as nossas vidas", ele finalizou.

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