Rajada de rádio na Via Láctea gera discussões entre cientistas

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Desde abril de 2020, um fenômeno na Via Láctea atraiu bastante a atenção dos astrônomos. Começou a ser percebida uma emissão forte de sinais de rádio advindos do espaço, e foi seguro afirmar que a fonte era um magnetar, basicamente uma estrela composta por nêutrons com forte carga que, em consequência, transmite um altíssimo sinal magnético.

Estrelas de nêutrons comuns já possuem um alto potencial, mas o magnetar é colocado em um nível ainda mais acima. O CHIME (Canadian Hydrogen Intensity Mapping Experiment) começou a realizar estudos a partir do sinal captado e foi levado até o magnetar SGR 1935 + 2154, sendo esse um feito importante, pois foi possível localizar uma fonte específica. Ao contrário do que muitos esperavam, nem mesmo isso foi suficiente para sanar as dúvidas - pelo contrário, apenas levantou outras.

(Fonte: Pixabay)(Fonte: Pixabay)Fonte:  Pixabay 

Resultados encontrados

O CHIME não foi o único instituto a realizar pesquisas. Pouco depois, o STARE2 (Transient Astronomical Radio Emission 2) e o FAST, radiotelescópio chinês, também começaram seus respectivos estudos. A união das três perspectivas foi essencial para chegar a resultados mais concretos de forma rápida, pois cada um ia propondo respostas e refutando o que não era realmente válido.

Como esse é um fato importante, já que a rajada de rádio nunca havia sido detectada dentro da Via Láctea, cada instituto acabou publicando os resultados encontrados na revista Nature, oficializando as descobertas e podendo servir como base teórica futuramente.

No entanto, mais recentemente outro estudo sobre o magnetar 1935 + 2154 foi publicado, trazendo à tona algumas inquietações importantes sobre o fenômeno descrito.

Como é apontado no artigo publicado na revista Nature Astronomy, o sinal detectado deveria ser bem mais forte, já que se trata de um magnetar. Diferentes amostras apontam exatamente essa tendência abaixo do esperado, levando os astrônomos a elaborarem algumas possíveis tendências que tenham influenciado nos dados colhidos.

Uma delas é a idade do magnetar, por exemplo, que pode ser um mais velho, cuja rajada de rádio é mais fraca do que os de magnetares mais novos que chegam até nós e foram medidos anteriormente, justificando essa discrepância.

Tendo essa nova hipótese estabelecida, os cientistas podem focar melhor nos problemas, utilizando, inclusive, a base criada pelos três institutos iniciais. Mesmo que ainda não haja uma resposta concreta, o fato de rastrear os sinais de rádio diretamente até um magnetar específico já é um momento importante para a ciência.

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