Nascimento de magnetares pode estar ligado a rajadas rápidas de rádio

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Imagem: Syfy Wire / NASA / Reprodução - https://www.syfy.com/syfywire/anniversary-of-a-cosmic-blast
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Segundo um novo estudo, duas das entidades mais enigmáticas do cosmos podem estar conectadas – e a ocorrência de uma poderia explicar a existência da outra. Estamos falando das magnetares, isto é, uma classe de estrelas de nêutrons superdensas e com campos magnéticos incrivelmente poderosos, e as rajadas rápidas de rádio, fenômenos efêmeros que faz algum tempo que os cientistas tentam compreender.

União energética

Embora os cientistas saibam o que são e já tenham observado magnetares, ninguém sabe dizer ao certo como é que essas fascinantes estrelas nascem. Entre as teorias, está a de que esses astros surgem a partir de supernovas – nome dado à morte explosiva de estrelas massivas –, de colisões de remanescentes estelares ou de pulsares dormentes que, por alguma razão, voltam à atividade e se tornam altamente magnetizadas.

No entanto, de acordo com Paul Sutter, do site Space.com, o novo estudo apresenta uma proposta diferente, sugerindo que a origem das magnetares está relacionada com a fusão entre uma estrela de nêutrons convencional e uma anã branca – ou seja, entre o núcleo colapsado de uma estrela massiva e o “cadáver” de um objeto semelhante ao nosso Sol.

Fusão estelarFusão estelarFonte:  INSH / Reprodução 

Os pesquisadores por trás do estudo argumentam que, como é comum que as estrelas façam parte de sistemas binários, existe a possibilidade de que ambas “morram” e a interação gravitacional entre seus núcleos faça com que eles se atraiam mutuamente até que ocorra a fusão entre eles. E como se trata de corpos estelares muito, muito densos, esse processo resultaria na liberação de uma imensa quantidade de energia – as tais rajadas rápidas de rádio.

Considere uma estrela parecida ao nosso Sol – cujo volume é 1,3 milhão de vezes superior que o do nosso planeta e quase 333 mil vezes mais massivo – condensada até o tamanho da Terra. Isso é quão densa é uma anã branca. Já no caso das estrelas de nêutrons, pense em estrelas que, originalmente, tinham massas entre 10 e 29 vezes à do Sol, mas que, após entrarem em colapso, se converteram em núcleos compostos por nêutrons comprimidos até ficarem do tamanho de uma cidade. Agora, imagine como seria uma fusão entre esses dois corpos!

Cenários

Segundo os modelos criados pelos cientistas, 2 coisas poderiam acontecer pouco antes de a união entre os 2 astros ser concluída. Uma seria que a anã branca se expandiria e a estrela de nêutrons “engoliria” filamentos de sua atmosfera até consumir a companheira menos densa completamente. A outra possibilidade seria que a gravidade colossal da estrela de nêutrons acabaria levando à desintegração da anã branca – cujos fragmentos seriam atraídos e incorporados por ela.

Nascimento estelarNascimento estelarFonte:  Syfy Wire / NASA / Reprodução 

Independentemente do cenário, nos 2 casos propostos pelos pesquisadores, o material extra incorporado pela estrela de nêutrons faria com que ela passasse a girar mais depressa. Com isso, o campo magnético seria impactado e se tornaria gradualmente cada vez mais poderoso, até que, por fim, o astro se converteria em uma magnetar – e, como logo após o seu “nascimento” essa estrela ainda é bastante instável, qualquer interferência, por menos que seja, poderia gerar imensas descargas de radiação eletromagnética, registradas aqui na Terra na forma das misteriosas rajadas rápidas de rádio.

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