Covid-19: ciência guia apoio a vacinas, não nacionalidade, diz OMS

2 min de leitura
Imagem de: Covid-19: ciência guia apoio a vacinas, não nacionalidade, diz OMS
Imagem: Sinovac Biotech Ltd
Avatar do autor

Em resposta às declarações do presidente Jair Messias Bolsonaro, de que o governo brasileiro não comprará vacinas chinesas para combater o novo coronavírus, Margaret Harris, porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS), afirmou, nesta sexta-feira (23), que a entidade decide quem apoia pelo respeito aos critérios científicos estabelecidos, não pela nacionalidade. De acordo com Harris, "essa é a beleza de ser multilateral, esse é o ponto da ONU."

"Nós escolhemos a ciência e deveremos escolher a melhor vacina. E, como se sabe, não vamos apoiar nenhuma até que seja provada a obtenção do mais alto padrão de segurança e do nível certo de eficácia", complementa Margaret. Mariângela Simão, vice-diretora-geral da instituição, aponta: "Hoje o mundo depende de muitos produtos farmacêuticos que são oriundos da China. Muitos dos princípios ativos farmacêuticos, boa parte das plantas, das fábricas de produção, por exemplo, de antibióticos, são chinesas, vêm da China."

"O Brasil tem condições de avaliar, por meio da Anvisa, por que uma vacina não pode entrar no mercado antes de terminar a fase 3", destaca.

Margaret Harris, porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS).Margaret Harris, porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS).Fonte:  Reprodução 

Cenário de incerteza

A polêmica quanto à questão surgiu nessa semana. Na última terça-feira (20), o Ministério da Saúde anunciou a intenção de compra de 46 milhões de doses da Coronavac, desenvolvida pela asiática SinoVac em parceria com o Instituto Butantan. Um dia depois, Bolsonaro ordenou o cancelamento do acordo, alegando a falta de interesse mundial na substância.

Além disso, entraves burocráticos, segundo o diretor-geral do Instituto Butantan Dimas Covas, estariam atrasando a importação de insumos para a produção da solução, uma vez que a solicitação realizada à Anvisa, enviada em setembro, seria avaliada, apenas, em 11 de novembro – o que comprometeria a logística das operações no caso de aprovação da Coronavac, após a finalização dos testes.

A agência, por sua vez, afirmou ontem (22) que entrará em uma análise especial, chamada de circuito deliberativo, com prazo para resposta de até cinco dias úteis. Já o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, em entrevista realizada nesta manhã (23), lamentou a politização sobre o imunizante e indicou que os estados têm autonomia para adquiri-lo, desde que os processos sejam finalizados com sucesso.

De qualquer modo, Yin Weidong, CEO da SinoVac, diz que ele mesmo recebeu as doses experimentais e que a farmacêutica está preparada para distribuição global do que é considerado o imunizador mais seguro entre os testados no Brasil. "No início, nossa estratégia envolvia apenas China e Wuhan. Logo após junho e julho, ajustamos a abordagem, que é atender ao mundo."

Covid-19: ciência guia apoio a vacinas, não nacionalidade, diz OMS