Geofísicos confirmam a existência de placa tectônica ancestral

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Imagem: National Geographic/Tomáš Müller/Reprodução
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O trocadilho é inevitável: dois geólogos da Universidade de Houston encontraram, usando tecnologia de mapeamento 3D, evidências que mostram que a Resurrection (Ressurreição) — uma ancestral placa tectônica no que hoje é a costa da América do Norte voltada para o oceano Pacífico — realmente existiu.

A leste de onde é hoje o Alasca, medições detectaram a presença de grandes quantidades de magma, o que pode ser a consequência de intensa atividade vulcânica na região. Por isso, enquanto alguns geofísicos punham em dúvida a existência de uma terceira placa tectônica na região, além das já conhecidas Kula e a Farallon, outros argumentavam que faltava uma peça no quebra-cabeça.

Para estes, a hipótese é que, como as outras, ela subduziu – moveu-se para baixo do manto terrestre, às margens do oceano Pacífico, entre 40 milhões e 60 milhões de anos atrás. Na imagem abaixo, a Resurrection estaria entre as placas Kula e Farallon, tendo sido empurrada para debaixo do que hoje é a América do Norte pela Placa do Pacífico.

"Os vulcões se formam nos limites das placas; quanto mais placas existem, consequentemente teremos mais vulcões, cuja atividade também afeta as mudanças climáticas. Portanto, para modelar a própria Terra para entender como o clima mudou, é preciso saber quantos vulcões havia no planeta", disse o geólogo Jonny Wu, autor do estudo, publicado agora no jornal GSA Bulletin, juntamente com o aluno de doutorado Spencer Fuston.

Desdobrando o passado

Para descobrir se a Resurrection existiu ou não, foi usada uma técnica 3D desenvolvida pelo UH Center for Tectonics and Tomography, chamada slab unfolding (desdobramento de placa) para refazer o cenário geológico há 60 milhões de anos, reconstruindo a maneira como as placas tectônicas no oceano Pacífico se posicionavam no início da Era Cenozoica.

À época, a litosfera (camada rígida e mais externa da crista terrestre) à borda do Pacífico na América do Norte era dividida em placas tectônicas Kula e Farallon. A questão era se uma terceira placa, a hipotética Resurrection, formava um cinturão vulcânico ao longo do Alasca e do estado de Washington.

Para encontrar a Resurrection, os geólogos precisaram voltar no tempo, usando o modelo computacional que reverteu o movimento das placas tectônicas até o início do Cenozoico, há 65 milhões de anos. Ao fazer isso, conseguiram “desdobrar” a crosta terrestre, virtualmente trazendo as placas de volta à superfície.

Ao fazerem isso, descobriram que uma terceira placa tectônica realmente se encaixava no quadro, mostrando que a Resurrection fez parte da crosta terrestre e hoje se encontra embaixo da costa ao norte do Canadá.

“Depois que a 'elevamos' de volta à superfície da Terra, pudemos ver que os limites dessa antiga placa tectônica combinam com a localização de antigos cinturões vulcânicos ativos ao longo dos estados de Washington e Alasca, fornecendo o elo há muito procurado entre os registros geológicos do antigo oceano Pacífico e da América do Norte", disse Wu.

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