Missão europeia de defesa contra asteroides sai do papel

2 min de leitura
Imagem de: Missão europeia de defesa contra asteroides sai do papel
Imagem: OHB/Divulgação
Avatar do autor

Para a Ciência, não é questão de “se”, mas de “quando” um asteroide vai atingir a Terra – e o planejamento de longo prazo é o cerne da defesa do planeta para evitar a catástrofe. Agora, chegou a vez da Agência Espacial Europeia (ESA), que assinou um contrato de quase 130 milhões de euros para construir e lançar sua primeira missão de defesa planetária: a Hera.

Batizada com o nome da deusa grega do casamento, a sonda deve ser lançada em outubro de 2024 e será a primeira a viajar ao encontro de uma dupla conhecida como Didymos (ainda pouco estudados, são sistemas binários que compõem 15% de todos os asteroides conhecidos). 

O corpo principal (Didymos A) tem 780 metros de diâmetro e é orbitado por uma lua de 160 metros (Didymos B, formalmente batizada de Dimorphos).

Hera será a observadora do trabalho da pequena espaçonave Double Asteroid Redirect Test (DART) da NASA. Com lançamento previsto para julho de 2021, ela vai propositalmente se chocar com o corpo menor.  

O impacto da DART na Dimorphos deve ocorrer em setembro de 2022. O resultado esperado é que ele consiga alterar sua órbita ao redor de Didymos, bem como criar uma cratera substancial.

A Hera chegará ao Didymos em fins de 2026 e navegará ao redor do sistema por, no mínimo, 6 meses, coletando dados sobre a composição do corpo atingido e identificando mudanças na trajetória do asteroide maior, trabalhando em conjunto com telescópios na Terra. Se comprovadamente a trajetória do sistema tiver sido alterada, o experimento servirá de base para uma técnica de deflexão de asteroides.

Porém, esse não será o único trabalho da sonda europeia: ela também implantará 2 cubesats (satélites em miniatura construídos a partir de caixas de 10 centímetros) dentro da cratera de impacto da Dimorphos – serão os primeiros engenhos europeus do tipo em espaço profundo.

Juízo Final à espreita

Em nosso sistema solar, a ciência estima existirem cerca de 25 mil grandes asteroides – só foram identificados até agora cerca de 8 mil. Por isso, a comunidade internacional uniu esforços através da Asteroid Impact & Deflection Assessment ("Avaliação do impacto e da deflexão do asteróide" — AIDA) na busca por um plano eficaz caso um objeto ameace a Terra. O uso da DART é um deles.

Estima-se que o choque com a Dimorphos do impactador de meia tonelada (que não leva nada a bordo, a não ser um sensor solar, um rastreador de estrelas e uma câmera de apoio à navegação ao se lançar contra o centro do pequeno asteroide) a uma velocidade de 6 km/s produza uma mudança na velocidade do sistema de 0,4 mm/s.

Pode parecer pouco, mas o efeito é cumulativo. O resultado esperado é que o impacto altere a velocidade da órbita da Dimorphos em cerca de meio milímetro por segundo, resultando em uma mudança de período orbital de 10 minutos.

Ainda com 11 milhões de quilômetros entre nós e o sistema, a mudança cumulativa na trajetória afastaria seguramente a colisão com o nosso planeta – e essa certeza seria assegurada pela Hera, que seguirá o sistema pelos anos que faltam até que ele chegue em nossa vizinhança.

Outras sondas acompanharam asteroides e estão voltando à Terra com amostras. A japonesa Hayabusa2, lançada em 2018 para estudar o asteroide Ryugu, pousará na Austrália em 6 de dezembro. No mesmo ano, a OSIRIS-REx subiu ao espaço, devendo chegar à Terra somente em 2023 com dados sobre o asteroide Bennu.

Missão europeia de defesa contra asteroides sai do papel