Misteriosos raios são captados na atmosfera de Júpiter

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Imagem: NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS/Kevin M. Gill
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Um mistério que sempre intrigou astrofísicos é a (aparente) falta de amônia em Júpiter. A sonda Juno, em órbita do planeta desde 2016, achou a resposta ao detectar um novo tipo de raio por lá: ela está presa no interior de bolas de lama (mushballs) congeladas (visíveis no centro da imagem acima).

Desde que a missão Voyager da NASA detectou relâmpagos jovianos em 1979, pensou-se que eles se formavam como na Terra: água líquida e gelo interagindo e acumulando carga elétrica. Mas os raios observados pela Juno mostraram que eles se formam na atmosfera alta de Júpiter, que é fria demais para ter água líquida.

"As fortes tempestades arremessam cristais de gelo a mais de 25 quilômetros acima das nuvens de água de Júpiter, onde encontram vapor de amônia. Ali, o gelo derrete e se mistura com a amônia, formando nuvens. Gotas dessa mistura em queda colidiriam com os cristais de gelo, eletrificando as nuvens", disse a física da NASA Heidi Becker, coautora do artigo publicado na Nature.

Durante um voo próximo a Júpiter, a sonda Juno captou tempestades elétricas incomuns a grandes altitudes.Durante um voo próximo a Júpiter, a sonda Juno captou tempestades elétricas incomuns a grandes altitudes.Fonte:  NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS/Gerald Eichstädt 

Ausência (quase) inexplicável

Os relâmpagos captados pela Juno também lançam luz sobre o que acontece nas profundezas da atmosfera do planeta gigante: segundo os dados enviados pela sonda, não há amônia na maior parte da atmosfera de Júpiter.

"Percebi que um sólido, como uma pedra de granizo, poderia consumir mais amônia na sua formação e explicaria o sequestro do gás da atmosfera", disse Scott Bolton, físico do Southwest Research Institute, acrescentando que as mushballs se tornariam cada vez maiores à medida que se movessem pela atmosfera.

O gráfico explica a formação das mushballs em JúpiterO gráfico explica a formação das mushballs em Júpiter.Fonte:  NASA/JPL-Caltech/SwRI/CNRS 

Segundo Tristan Guillot, físico da Université Côte d'Azur, principal autor do artigo publicado no Journal of Geophysical Research: Planets, "elas crescem tanto que as correntes de ar quente não conseguem segurá-las; então, caem profundamente na atmosfera, onde encontram temperaturas mais altas e evaporam, liberando a amônia".

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