Plutão pode ter conservado seu oceano primordial

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Imagem: NASA/JHUAPL/SwRI
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Ao contrário do que se supunha até agora, Plutão pode ter tido um início incandescente e guardado, sob sua crosta gelada, um oceano surgido quando ele se formou, o que aumentaria suas chances de sustentar vida.

Sempre se pensou que Plutão se originasse do Cinturão de Kuiper, um anel de objetos gelados além da órbita de Netuno. Um estudo publicado agora no jornal Nature Geoscience questiona essa teoria: para o principal autor do trabalho, o cientista planetário da University of California, Carver Bierson, seu começo foi violentamente explosivo e quente.

"Quando olhamos para Plutão hoje, vemos um mundo congelado, com uma temperatura superficial de cerca de -228 °C. Acho incrível que, analisando a geologia registrada em sua superfície, possamos deduzir que Plutão teve uma formação rápida e violenta, que aqueceu o interior o suficiente para formar um oceano subterrâneo", disse Bierson ao site Space.

Oceano subterrâneo

Há tempos os astrônomos colecionam evidências de que Plutão tem um oceano sob sua superfície. Porém, a teoria mais aceita é que ele teria se originado muito tempo após a formação do planeta: a deterioração radioativa de seu núcleo forneceria calor suficiente para derreter o gelo.

"Agora que temos imagens da superfície de Plutão na missão New Horizons da NASA, podemos comparar o que vemos com as previsões de diferentes modelos de evolução térmica", explicou o cientista planetário Francis Nimmo, coautor do estudo — o trabalho contou, ainda, com o cientista planetário Alan Stern, principal pesquisador da missão citada).

Usando as imagens capturadas pela sonda em 2015, os três cientistas analisaram os padrões surgidos na superfície do planeta anão que seriam condizentes com o congelamento e a posterior liquefação da água — fisicamente falando, sua compressão e expansão.

Evidências à vista

No caso de um início a partir das rochas do Cinturão de Kuiper (ou seja, frio), sua crosta teria sido formada por compressão, com a água derretendo lentamente, à medida que fosse aquecida pelo decaimento dos elementos radioativos em seu núcleo. Ao examinar a superfície de Plutão através das imagens da New Horizons, os três cientistas planetários não encontraram, nas regiões geologicamente mais antigas, sinais de compressão.

Em contrapartida, foram achadas evidências de que o nascimento de Plutão se deu rápida e violentamente, com rochas colidindo e se fundindo com o calor do impacto, que rapidamente se dissiparia, e a crosta, congelando, teria em sua superfície marcas desse processo.

As fissuras na superfície de Plutão indicariam a expansão de sua crosta por conta do congelamento de um oceano subterrâneo.As fissuras na superfície de Plutão indicariam a expansão de sua crosta por conta do congelamento de um oceano subterrâneo.Fonte:  NASA/JHU/SwRI/Alex Parker 

"Se sua formação fosse fria e o gelo derretesse internamente, Plutão teria se contraído, deixando marcas de compressão em sua superfície. Se seu início fosse quente, ele se expandiria à medida que seu oceano congelasse; veríamos características de extensão na superfície. Encontramos muitas evidências de expansão, mas não vemos nenhuma de compressão, então as observações são mais consistentes com Plutão começando com um oceano líquido", disse Benson.

Vida em mundos gelados

Sinais de um início ígneo foram reconhecidos na superfície gelada de Plutão, como rachaduras na crosta e um sistema de cordilheiras e vales.

"A implicação mais emocionante é que oceanos subterrâneos podem ter sido comuns entre os grandes objetos do Cinturão de Kuiper quando se formaram", explicou Bierson. Isso quer dizer que se o processo se repetiu com outros grandes planetas anões (como Eris, Makemake e Haumea) eles também teriam oceanos subterrâneos desde a sua formação, abrindo a possibilidade de sustentarem vida.

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