Novo mapa do Universo revela a violência do cosmos

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O cosmos há bilhões de anos explode em violência: buracos negros engolindo estrelas, que são destroçadas, expelindo gás e matéria incandescente; estrelas em colapso, ejetando sua matéria no espaço; galáxias colidindo umas com as outras. É esse o retrato captado pelo telescópio espacial de raios X eROSITA, do Max Planck Institute for Extraterrestrial Physics (MPE).

Parte alemã do observatório espacial Spektr-Roentgen-Gamma (ou Spektr-RG), o eROSITA começou o trabalho em dezembro do ano passado. O resultado é um mapa do Universo com um milhão de objetos, quatro vezes mais rico do que o anterior (feito há 30 anos) e com dez vezes mais fontes de raios X.

O mapa em raios X feito pelo observatório espacial ROSAT, em 1996.O mapa em raios X feito pelo observatório espacial ROSAT em 1996.Fonte:  MPE/NASA 

"O acréscimo é praticamente o mesmo número do que foi detectado em 60 anos de astronomia de raios X", disse à BBC o astrofísico Kirpal Nandra — diretor do MPE.

Primórdios do cosmos

Segundo Mara Salvato, astrofísica do MPE e líder da equipe que combinará as observações com as de outros telescópios, o novo mapa se revelou "uma fonte preciosa de fenômenos raros, como fusões de estrelas de nêutrons e buracos negros em pleno ato de engolir sistemas solares".

O eROSITA varre as profundezas do Universo em todas as direções, representando a esfera do céu em uma elipse (chamada Projeção de Mollweide), combinando o centro da Via Láctea (o equador) e do mapa no mesmo ponto. As cores representam a energia contida na radiação captada: os azuis são os raios X de maior energia; os verdes, intermediária; os vermelhos, menor energia.

A mancha amarela brilhante à direita é uma concentração de restos de supernovas (principalmente a da Vela); as manchas em vermelho, amarelo e verde são gás quente; os pontos brancos, buracos negros supermassivos, alguns da infância do Universo.A mancha amarela brilhante à direita é uma concentração de restos de supernovas (principalmente a da Vela); as manchas em vermelho, amarelo e verde são gás quente; os pontos brancos, buracos negros supermassivos, alguns da infância do Universo.Fonte:  MPE/IKI 

Esse é apenas o primeiro dos oito mapas a serem elaborados pelo eROSITA até fins de 2023 (o segundo já está em andamento). Espera-se que eles elucidem, entre outras questões, a natureza da energia escura responsável pela expansão do cosmos.

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