Satélites e naves espaciais atualmente só conseguem determinar sua localização e trajetória no espaço ao se comunicarem com a Terra via ondas de rádio. Isso porque, até agora, não existia um relógio atômico confiável e pequeno o suficiente para ser levado a bordo. Para mudar essa história, a NASA anunciou na última terça-feira (06) que está pronta para testar o primeiro relógio atômico compacto o suficiente para ser levado ao espaço, o DSAC (Deep Space Atomic Clock).

A agência espacial norte-americana vem desenvolvendo esse equipamento há mais de 20 anos, mas só recentemente conseguiu fazer uma versão confiável e pequena o suficiente. Enquanto relógios atômicos atuais têm mais ou menos o tamanho de uma geladeira, o DSAC tem aproximadamente o volume de uma torradeira grande. Ele será enviado ao espaço ainda em 2018 para testes.

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DSAC deve melhorar a estabilidade dos contadores de tempo do sistema GPS e, dessa forma, afinar a precisão da triangulação de posição em terra

O objetivo da NASA é colocar o DSAC em órbita para testar seu desempenho de forma integrada à rede de satélites do sistema GPS. A expectativa é que ele consiga manter uma precisão melhor que dois nanosegundos (0,000000002 segundo) por dia. Essa precisão será confirmada por dados precisos que a agência tem acerca das órbitas dos satélites envolvidos no GPS. Em contrapartida, o DSAC deve melhorar a estabilidade dos contadores de tempo do sistema GPS e, dessa forma, afinar a precisão da triangulação de posição em terra.

Ter um relógio atômico preciso em órbita é importante para traçar trajetórias na Terra e no espaço, uma vez que eles servem para medir com precisão o tempo que leva para uma onda de rádio chegar ao receptor, rebater e voltar ao emissor. Como essas ondas viajam com velocidade próxima à da luz, somente um relógio atômico conseguiria medir a variação de tempo de forma confiável.

Com relógios atômicos portáteis a bordo, espaçonaves poderiam fazer os cálculos dessa variação de tempo sem depender de uma base na Terra. Assim, elas poderiam também tomar decisões autônomas quanto à correção de rotas, tornando missões a locais distantes, como Marte, mais seguras. Em contrapartida, as bases de comando aqui no nosso planeta poderão rastrear mais de um veículo espacial ao mesmo tempo, considerando que não terão mais que manter uma conexão constante com uma única espaçonave a fim de guiá-la em sua rota.

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