Um grupo de pesquisadores de várias universidades canadenses começou a operar neste mês o radiotelescópio CHIME, Canadian Hydrogen Intensity Mapping Experiment. A grosso modo, o aparelho pode ser considerado uma antena gigantesca captando sinais de rádio do universo a fim de ajudar a humanidade a entender a misteriosa “energia escura”.

Isso só foi possível graças à tecnologia criada para compressão de dados desenvolvida para consoles de videogame nos últimos anos

A função do CHIME é basicamente registrar mapas detalhados do cosmos à nossa volta medindo as distâncias entre os astros a cada segundo. Falando nisso, o aparelho gera nada menos que 1 TB por segundo, o dia inteiro, todos os dias da semana. Isso tornaria o armazenamento e o processamento dessas informações um processo bastante desafiador até pouco tempo atrás. Para conseguir armazenar esses mapas, os computadores do CHIME comprimem esse 1 TB em um fator de 100.000, e, só então, o processamento ocorre. Isso só foi possível graças à tecnologia criada para compressão de dados desenvolvida para consoles de videogame nos últimos anos.

Esse telescópio consiste essencialmente em quatro “metades de tubo” com cem metros de comprimento cada, o que é suficiente para captar os sinais de rádio mais fracos gerados pela expansão do cosmos. A maioria dos sinais é proveniente da própria Via Láctea, mas uma pequena fração deles já teve a origem identificada datando de quando o universo tinha algo entre 6 e 11 bilhões de anos. A estimativa mais aceita na comunidade científica é a de que o universo teria hoje cerca de 13,3 ou 14 bilhões de anos.

Energia escura

“Com o radiotelescópio CHIME, nós mediremos a história da expansão do universo e esperamos ampliar nosso entendimento acerca da misteriosa energia escura que propele essa expansão cada vez mais rapidamente. Essa é uma parte fundamental da física que ainda não entendemos, um mistério profundo. A intenção é entender melhor como o universo começou e compreender o que temos pela frente”, detalhou Dr. Mark Halpern, da University of British Columbia, um dos líderes do projeto.

De acordo com Keith Vanderlinde, da University of Toronto, o CHIME é uma máquina de processamento de dados impressionante. “O CHIME ‘vê’ de uma maneira fundamentalmente diferente de outros telescópios. Um supercomputador enorme é usado para processar as ondas de rádio e montar uma ‘imagem’ do céu”, comentou.

Como faz poucos dias desde o início da operação, os pesquisadores responsáveis pelo radiotelescópio canadense ainda não divulgaram nenhum resultado das observações, mas a ideia é comparar os mapas cósmicos conforme eles vão se desenvolvendo para, com isso, ter uma ideia mais concreta de como a expansão do universo acontece.