Um bom carro deve ser rápido, grande e imponente. Embora este seja o sonho de muitos de nós, não podemos ficar cegos diante do que está acontecendo às grandes cidades. Desordem. Acidentes. Poluição.

A verdade é que existe uma quebra de paradigma a ser realizada. Basta fazer perguntas óbvias: realmente precisamos de carros muito potentes nas metrópoles? É necessário tanto espaço?  Não poderíamos aproveitar os avanços da computação e tornar os veículos mais inteligentes?

A CES 2011 não é apenas o grande palco de novos televisores, tablets, notebooks e celulares. Estas perguntas, por exemplo, foram parcialmente respondidas pela General Motors com o EN-V, um protótipo de carro elétrico planejado para um futuro próximo.

Passeio sobre duas rodas na CES 2011

O pequeno notável da GM foi desenvolvido em parceria com a Segway (a mesma do P.U.M.A) e estava em exibição na maior feira de eletrônicos do mundo. O Baixaki pôde dar uma voltinha para contar como é a experiência.

Para começar, o EN-V possui apenas 2 rodas laterais, tem 500 kg de massa, autonomia de 50 km e uma velocidade máxima de 50 km/h. Comporta no máximo 2 pessoas, sem bagageiro, e também não possui suspensão.

Sua porta é frontal e abre para cima, o motor elétrico fica logo abaixo dos assentos e o cinto de segurança é apenas pélvico, ou seja, não protege o tórax. Isso não quer dizer que ele é menos seguro do que os carros comuns, como você descobrirá a seguir.

Assim que entrei no veículo, o piloto que realizou a demonstração forneceu mais algumas informações: o EN-V não tem pedais para acelerar ou frear, apenas um volante com botões. Ele puxou a direção junto ao corpo e apertou um botão para ligá-lo.

Em seguida, o corpo do carro deslizou para frente e para trás e se equilibrou sobre o assento, em uma plataforma chamada skateboard. Para acelerar, ela se inclina levemente para frente. Como se trata de um protótipo, o painel do volante estava desligado, mas futuramente, ele poderá exibir uma tela com GPS e outros dados, como aceleração, pontos de partida e chegada etc.

Demos uma volta agradável e tranquila em uma área restrita destinada ao veículo. O mais divertido, entretanto, foi a praticidade com que o EN-V é capaz de alternar a direção. É possível, por exemplo, realizar  um giro em 360 graus com o auxílio de um botão ou apenas manter o volante virado para um dos lados. É o fim da baliza.

Alô, carro? Vem me pegar, por favor

Apesar de algumas especificações iniciais, como a velocidade máxima, serem um pouco desanimadoras, é na conectividade de rede que o EN-V se destaca como um carro inovador e impressionante.

Isso porque ele é munido de vários sensores e pode se comunicar com outros veículos que utilizem a mesma tecnologia. Desta forma, o carro pode frear automaticamente quando há rotas de colisão iminentes com pedestres, obstáculos ou veículos.

Já imaginou ir ao trabalho lendo seu site favorito em um tablet enquanto o carro anda sozinho? Esta possibilidade é viável, porque o EN-V pode realizar uma prática conhecida como platooning, que permite seguir outros veículos em uma fila indiana, em que apenas o primeiro lidera o percurso e os demais o acompanham.

Mas a cereja do bolo é ainda mais surpreendente. Digamos que depois do trabalho você pretenda fazer umas comprinhas em algum shopping. Assim que chegar ao estacionamento, basta descer e pedir para ele estacionar sozinho pelo smartphone. Na volta, basta chamá-lo novamente que ele vem buscá-lo. Sozinho. Sem ninguém o pilotando. E você aí pensando no custo de tempo ou do valet para estacionar...

Inspiração para as demais montadoras

Nas grandes cidades, as ruas já não são mais largas o suficiente, os estacionamentos não contam com boas sinalizações e o estresse causado pelos congestionamentos apenas piora a qualidade de vida.

Se de um lado da balança ainda temos que adicionar o esgotamento dos combustíveis fósseis ­– e consequentemente o aumento de seu preço ­–, do outro é preciso pesar ainda a necessidade de transporte para tarefas cotidianas, triviais, que não exigem muito espaço nem potência. E a GM, pelo menos, forneceu uma prévia do que pode ser feito.

O projeto está apenas em estágio conceitual, podendo demorar anos até se tornar realmente viável comercialmente. O carro pode não ter ainda um botão de nitro e freio a ar, mas quem sabe no lançamento? O que não podemos fazer é deixar de imaginar soluções mais plausíveis e úteis para as pessoas e  para o planeta. Capacidade nós temos.

Texto redigido por Gustavo Bonato Abrão.

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