A Bitcoin é uma moeda digital que surgiu na internet. O sistema é completamente descentralizado, ou seja, não existe um grande servidor responsável pelo gerenciamento dela. Toda a rede de Bitcoins é Peer to Peer (P2P) e isso garante que o sistema seja autorregulado.

A falta de regulamentação também faz com que essa criptomoeda seja completamente livre de influências políticas ou fronteiras. Se ela está na internet, está em todo o mundo ao mesmo tempo. Por isso podemos dizer que essa é a primeira moeda realmente mundial de que se tem notícia.

Hoje em dia muitos estabelecimentos já aceitam transações com Bitcoins. Desde empresas grandes ou pequenas, cada dia mais companhias acreditam nela. Já é possível comprar serviços de internet e até mesmo carros apenas com Bitcoins.

O site UseBitcoins traz uma lista completa com milhares de locais onde é possível gastar a moeda virtual. Quer reservar um quarto de hotel? Tudo bem, o La Magnolia Hotel, na Itália, permite que você utilize a moeda virtual como pagamento. Alguns cassinos em Las Vegas também já aderiram à moda e passaram a aceitar Bitcoins.

Que tal utilizar as suas Bitcoins para comprar alimentos, jóias, livros, brinquedos, ou até mesmo novos equipamentos para minerar mais Bitcoins? Hoje em dia, isso é possível.

Quem inventou a Bitcoin?

Não se sabe exatamente quem foi o criador da Bitcoin, mas tudo indica que uma pessoa (ou grupo de pessoas) com o apelido de “Satoshi Nakamoto” seja o criador do protocolo. Em 2009, Nakamoto criou e postou o conceito da Bitcoin em uma lista de discussão.

Segundo as informações, o trabalho de Nakamoto é baseado em um conceito de criptomoeda descrito pela primeira vez em 1998 por Wei Dan. A ideia de Dan era que essa nova forma de dinheiro pudesse utilizar a criptografia para controlar a sua criação e as transações em vez de uma autoridade central.

(Fonte da imagem: Reprodução/Bitcoin Magazine)

Apesar de o criador do protocolo ter desaparecido logo após a sua publicação (Nakamoto aparentemente saiu de cena em 2010), não existem motivos para se preocupar com o controle das Bitcoins. Isso porque o código do projeto é completamente aberto e pode ser visualizado por qualquer um.

Onde fica a “Casa da Moeda” das Bitcoins?

Como já dissemos, a Bitcoin foi desenvolvida para ser completamente livre e descentralizada, ou seja, não existe um órgão responsável por definir e controlar a emissão das moedas e tudo o que acontece é de controlado pela rede P2P. Essa rede é responsável por gerenciar as transações, confirmações e geração de moedas.

Mas e quem gerencia essa rede? Aí é que está o ponto: ninguém. Todos os que estão participando do sistema estão contribuindo automaticamente para manter a rede de Bitcoins ativa e funcional.

Esse controle é feito através dos programas mineradores. Qualquer um pode baixar um software do gênero e começar a minerar. Esse processo tem duas finalidades: gerar mais Bitcoins e ajudar a manter a rede funcionando, processando as informações.

O protocolo das Bitcoins é de código aberto e controlado por todos os usuários da rede ao mesmo tempo. Deste modo, mesmo que um desenvolvedor queira implementar alguma modificação no protocolo, ela só entrará em atividade se houver um consenso geral de todos os envolvidos na rede e isso garante a confiabilidade do sistema.

Como são geradas as Bitcoins

Para entender esse processo, é preciso compreender como a rede de Bitcoins funciona. Ela é, primariamente, formada por blocos encadeados uns nos outros. São esses blocos que carregam todas as informações, incluindo todas as transações já realizadas e todas as informações referentes ao processo.

(Fonte da imagem: Reprodução/Hongkiat)

A informação contida nesses blocos é processada por um sistema de mineração que basicamente é o processo de gastar poder computacional para processar as transações, garantir a segurança da rede e manter todo o sistema sincronizado e funcionando corretamente. Esse processo é chamado de mineração em analogia ao processo de mineração de ouro. Todos os mineradores que participarem da rede recebem comissão — em Bitcoins, é claro — pela sua contribuição.

Quem controla a quantidade de Bitcoins geradas?

É também através da mineração que novas Bitcoins são geradas. Como citamos anteriormente, esse é um processo competitivo e que exige muito poder computacional. Como a mineração é necessária para a manutenção da cadeia de blocos, os mineradores são recompensados com novas Bitcoins.

O protocolo Bitcoin é concebido de tal maneira que são criadas novas Bitcoins a uma taxa fixa. Isso faz com que a mineração seja uma atividade cada vez mais competitiva, pois, quanto mais mineradores entrarem na rede, mais difícil torna-se o processo, obrigando os mineradores a encontrar maneiras de tornar seus trabalhos mais eficientes e com menos custos operacionais.

(Fonte da imagem: Reprodução/Bitcoin Clock)

As Bitcoins são criadas a uma taxa decrescente e previsível. O número de novas moedas geradas cai pela metade em períodos programados. Esse processo acontece geralmente a cada quatro anos, e pode ser verificado no Bitcoin Clock.

A taxa de geração de Bitcoins continuará decrescente até chegar ao número de 21 milhões, quando finalmente cessará completamente. Após esse evento, os mineradores serão recompensados apenas com as taxas de pequenas transações.

Como a mineração funciona

Qualquer pessoa que quiser poderá se tornar um minerador de Bitcoins. Tudo o que é necessário é um software e um hardware especializado. A mineração funciona assim: o software “escuta” transações que são transmitidas através da rede P2P e executa tarefas apropriadas para processar e confirmar essas transações. Esse trabalho é recompensado com comissões de transação pagas pelos usuários para o processamento mais rápido das transações e com Bitcoins recém-criadas emitidas de acordo com uma fórmula fixa.

Para que novas operações possam ser confirmadas, elas precisam, antes de tudo, serem incluídas em algum bloco juntamente a uma prova matemática de trabalho. Essas provas são muito difíceis e trabalhosas porque não existe maneira de criá-las senão pela realização de bilhões de cálculos por segundo. Esse processo exige que os mineradores realizem esses cálculos antes que esses blocos possam ser aceitos pela rede antes de serem recompensados.

À medida que mais e mais pessoas começam a minerar, a dificuldade de se encontrar blocos válidos é automaticamente aumentada pela rede para garantir que o tempo médio para encontrar um bloco permaneça igual a 10 minutos. Como resultado, a mineração acaba se tornando um negócio muito competitivo no qual nenhum indivíduo pode controlar o que está sendo incluído na cadeia de blocos.

(Fonte da imagem: Reprodução/Butterfly Labs)

A prova matemática de trabalho é projetada para depender de informações presentes no bloco anterior. Isso acontece para obrigar a cadeia a manter uma ordem cronológica, o que também faz com que seja exponencialmente difícil reverter operações anteriores, pois isso exige o recálculo das provas de trabalho de todos os blocos subsequentes.

Quando dois blocos se encontram ao mesmo tempo, os mineradores trabalham sobre o primeiro bloco que recebem e passam para a cadeia mais longa assim que o próximo bloco é encontrado. Isso garante que a mineração possa manter um consenso global com base no poder de processamento.

Apesar de qualquer pessoa poder modificar o seu software de mineração para tentar aumentar a própria recompensa ou processar operações fraudulentas — o que poderia corromper a rede de Bitcoins —, esse tipo de ato não tem como acontecer, simplesmente porque os nós da rede rejeitariam qualquer bloco que contém dados inválidos de acordo com as regras do protocolo Bitcoin. Desse modo, a rede continua segura, mesmo que nem todos os mineradores possam ser confiáveis.

Caso você queira tentar, pode acessar o site Bitcoinmining e baixar um software minerador. Mas atenção: esses aplicativos consomem quase todos os recursos da máquina e podem fazer o seu computador superaquecer. Utilize-os por sua conta e risco.

Mineração: lucro ou desperdício de eletricidade?

Na verdade, podemos dizer que podem ser as duas coisas. Isso porque a mineração de Bitcoins exige muito poder de processamento para funcionar. Muitas pessoas aproveitam que possuem máquinas antigas, paradas em algum canto da casa, para deixá-las minerando 24 horas por dia.

Contudo, esse processo pode acabar não sendo muito inteligente, uma vez que a força de processamento desses equipamentos é muito baixa. Desse modo, a geração de Bitcoins acaba sendo tão demorada que o custo com eletricidade é maior que o lucro obtido com a mineração.

Importante: para descobrir quanto o seu computador “custa” em eletricidade, utilize a calculadora do Tecmundo.

Por outro lado, se você tiver um equipamento próprio, otimizado para a mineração de Bitcoins, a atividade pode ser lucrativa. Muitas empresas se especializaram em criar máquinas e “fazendas de mineração” específicas para esse propósito. Esse tipo de equipamento possui um consumo energético incrivelmente baixo e possui um poder de processamento dedicado exclusivamente para a mineração de Bitcoins.

(Fonte da imagem: Reprodução/Wikimedia)

Outra alternativa são os pools de mineração. Esses grupos são como clubes de investimentos, ou seja, todas as máquinas que estiverem conectadas no mesmo pool compartilham o poder de processamento. Com mais força fica mais fácil e mais lucrativo minerar as Bitcoins que, depois de certo período, são distribuídas entre os participantes (geralmente uma vez por dia). É uma verdadeira cooperativa de mineração.

A principal desvantagem dos pools, segundo especialistas, é o fato de que o seu “dinheiro” fica armazenado na carteira de outras pessoas, geralmente o administrador do grupo. Dessa forma, o ideal é manter poucas Bitcoins no pool e fazer retiradas sempre que possível.

Como funcionam as transações com Bitcoins?

Executar uma transação de Bitcoins é uma tarefa relativamente simples. Toda a operação é feita a partir de um aplicativo de carteira (Bitcoin Wallet) que pode estar no computador ou smartphone. Basta digitar o endereço do destinatário, o valor do pagamento e enviar. Algumas carteiras permitem a digitalização de QR Codes ou transações através do NFC.

Todas as transações com Bitcoins são públicas e ficam armazenadas na cadeia de blocos. Entretanto, os donos das carteiras são anônimos. Por mais que seja possível saber de onde veio a operação, não é possível saber quem a executou.

(Fonte da imagem: Reprodução/Bitcoin.org)

Caso algum usuário perca a sua carteira, perderá as Bitcoins para sempre e elas nunca mais poderão ser recuperadas. Mesmo que elas continuem existindo na cadeia de blocos, não é possível descobrir a chave privada que permita que essas moedas possam ser utilizadas novamente.

Onde eu compro Bitcoins?

Existem diversas empresas especializadas exclusivamente no comércio de Bitcoins em todo o mundo, inclusive no Brasil. É nesses locais que você pode trocar dinheiro real pela criptomoeda, ou vice-versa.

Dica: nós temos um artigo completo no Tecmundo que explica como comprar e vender Bitcoins. Para acessá-lo, clique aqui.

Antes de entrar nesse mercado e pensar em especular com a moeda é bom estar preparado psicologicamente. Isso porque a volatilidade das Bitcoins é grande e todos os dias existem saltos e quedas grandes o suficiente para deixar até o mais experiente negociante com o coração disparado. Assim como qualquer moeda e/ou ações de uma empresa, o valor de mercado das Bitcoins é determinado pela oferta e pela demanda.

O pico histórico aconteceu no final do ano passado, quando a cotação da moeda ultrapassou os US$ 1.100 dólares (cerca de R$ 2.600). Depois desse dia, a variação foi grande e a queda levou o preço para a metade do valor histórico em menos de um mês. Hoje, o valor está relativamente estável mantendo-se na casa dos US$ 600 (cerca de R$1.415).

Veja o gráfico abaixo, na imagem da oscilação do preço da criptomoeda no último ano:

(Fonte da imagem: Reprodução/Bitcoin Charts)

Essa imagem foi retirada do site Bitcoin Charts, que mostra muitos detalhes sobre a situação do mercado de Bitcoins. Quem tiver interesse encontrará boas informações no local.

Posso confiar nessas corretoras?

Como já dissemos anteriormente, a rede de Bitcoins não possui uma central e nem uma autoridade que possa intervir caso algum problema aconteça. Desse modo, ao deixar as suas Bitcoins na carteira de uma corretora, é preciso estar ciente de que, se ela fechar ou sumir com as moedas, será difícil reclamar os seus direitos.

Nesse caso, a falta de um órgão regulamentador que garante a liberdade às Bitcoins pode justamente ser a causa de alguns problemas.

(Fonte da imagem: Daily Tech)

Foi mais ou menos isso o que aconteceu com o MtGoX, uma das maiores casas de troca de Bitcoins do mundo. Há pouco tempo a companhia simplesmente encerrou suas atividades alegando que hackers haviam levado quase de 1 bilhão de reais em Bitcoins. A casa de câmbio pediu falência e todos os que haviam depositado suas moedas no local ficaram a ver navios.

Para saber mais sobre isso, temos um artigo bem completo sobre o assunto chamado Ladrões digitais: os maiores roubos de Bitcoins de todos os tempos.

Apesar desse casos isolados como esse, é claro que não podemos julgar todas as corretoras da mesma forma. Muitas empresas oferecem um trabalho sério e seguro a todos os seus clientes, cabe a você pesquisar a idoneidade da empresa antes de investir o seu dinheiro.

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Agora que você já está por dentro de como funciona o mundo das Bitcoins, o que acha do negócio? Será que essa criptomoeda tem chance de se firmar como uma alternativa viável ao dinheiro tradicional? Deixe as suas impressões nos comentários.