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Por que empresas de transporte estão virando empresas de tecnologia

Telemetria moderna identifica acelerações bruscas, distração, uso de celular, desgaste de pneus, emissão excessiva de poluentes e risco de colisão. O resultado é menos acidente, menos manutenção emergencial e menos seguro caro.

Avatar do(a) autor(a): Igor Lopes - Colunista

schedule12/02/2026, às 08:30

updateAtualizado em 12/02/2026, às 15:15

Durante muito tempo, gerenciar uma frota era quase um trabalho arqueológico. Papel, planilha e um pouco de intuição. Quem viveu a época do tacógrafo lembra bem: um disco registrando velocidade por 24 horas e pronto. Se algo dava errado, restava investigar.
Hoje o caminhão virou outra coisa. Ele não só roda. Ele conta histórias.

Sensores, conectividade e inteligência artificial transformaram veículos em produtores de dados contínuos. Em vez de descobrir um problema depois do prejuízo, a empresa começa a prever antes dele acontecer.

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Na prática, isso muda completamente o jogo do empreendedor brasileiro.

Imagine um motorista excelente que começou a atrasar paradas. Antes, a hipótese seria simples: falha humana. Agora o sistema cruza informações de região, rota e contexto e percebe que ele atende uma área com clientes idosos, por exemplo, onde o tempo de atendimento é naturalmente maior. A análise deixa de punir e passa a entender.

A mesma lógica vale para segurança. Empresas já conseguem perguntar ao sistema algo como: “houve algum veículo meu naquela rua naquele horário?” Em segundos, a resposta aparece. Não é vigilância por obsessão, é gestão baseada em evidência.

Em uma análise da Geotab, plataforma global de telemetria e gestão inteligente de frotas, eles perceberam uma melhora de até 41% no comportamento de direção após treinamento baseado em dados em seus clientes.

Segurança virou retorno financeiro

O empresário normalmente quer saber uma coisa: onde está o dinheiro nisso?
E a resposta está na prevenção.

Telemetria moderna identifica acelerações bruscas, distração, uso de celular, desgaste de pneus, emissão excessiva de poluentes e risco de colisão. O resultado é menos acidente, menos manutenção emergencial e menos seguro caro.

Dashboards mostram consumo de combustível, bateria, motor e até padrão de condução. A operação deixa de reagir e passa a planejar.

O ROI vem de deixar de perder, mas também pode vir em análise de oportunidades. Hoje, uma inteligência artificial pode, literalmente, ligar para o motorista após uma entrega e perguntar se foi tudo bem, se o cliente estava satisfeito ou se percebeu alguma outra oportunidade de negócios ali. É inteligência sendo usada a favor do negócio.

O Brasil é um laboratório perfeito, graças às suas características peculiares

Aqui a tecnologia ganha ainda mais sentido. Estrada ruim, roubo de carga e longas distâncias fazem da informação uma ferramenta de sobrevivência.

Com telemetria e conectividade, dá para evitar rotas perigosas, indicar pontos seguros de parada, localizar veículos em tempo real, treinar motoristas preventivamente, entre outras. É só colocar a criatividade à prova e cruzar dados para ter a resposta que você quiser no momento.

O motorista experiente sempre soube muita coisa pela prática. A diferença agora é escala. A empresa inteira aprende com cada viagem.

Mas… E o futuro da logística?

Curiosamente, a tendência mais forte não é automação total. É suporte humano.
A IA não está substituindo o motorista. Está ajudando ele a trabalhar melhor. Menos risco, menos desgaste e mais previsibilidade.

Tecnologia boa deve ser invisível, ela apenas resolve sem “aparecer”.

A logística brasileira está entrando numa fase em que a pergunta deixa de ser “o que aconteceu?” e passa a ser “o que vai acontecer?”. E para quem empreende, isso muda o jogo. É menos aposta e mais decisão.

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