É bem provável que, ao ouvir a palavra “hacker” (ou “cracker”, que tecnicamente seria o termo correto neste caso), a primeira coisa que você imagine seja um indivíduo usando métodos obscuros para invadir um computador ou algum sistema online. O que você provavelmente não sabia é que o ato de hackear não está limitado aos computadores — com os conhecimentos certos e um pouco de prática, é possível ir muito além.

Com o advento da Internet das Coisas (conceito também conhecido pela sigla IoT), é cada vez mais comum vermos objetos se conectando à internet. E, uma vez que um produto está na rede mundial de computadores, seja por cabos ou redes sem fio, é teoricamente possível invadi-lo para roubar dados ou até mesmo operá-lo remotamente. Essa segunda opção se torna particularmente perigosa em determinadas situações, como você pode conferir nos exemplos a seguir.

4) Cinema pornô ao ar livre

Outdoors eletrônicos não são populares no Brasil, mas, nos Estados Unidos, é possível encontrar esses painéis gigantescos com certa facilidade — e eles geralmente servem para fazer propaganda de produtos e serviços variados. Porém, em maio de 2015, os residentes do bairro de Buckhead, na cidade de Atlanta, tiveram uma surpresa desagradável ao levantar suas cabeças e olhar para mais um desses displays publicitários.

Em vez de anunciar a mais nova promoção do McDonald’s, o telão exibia a imagem de um homem completamente nu em uma posição que alguns poderiam considerar sensual. A “trollagem” foi atribuida ao grupo hacker Assange Shuffle Collective, que aparentemente conseguiu encontrar a interface de controle do outdoor e entrar no sistema como administrador (com uma senha que provavelmente continuava sendo a padrão do produto).

Um anúncio pouco convencional

Vale observar que esse não foi um caso isolado. Em 2010, algo parecido aconteceu em um outdoor eletrônico instalado em uma estrada de Moscou. Na ocasião, alguém hackeou o telão para exibir filmes pornográficos e acabou causando um engarrafamento no local — afinal, não é todo dia que você tem a oportunidade de assistir a um hardcore enquanto dirige seu carro pela capital da Rússia.

3) Brincando de cirurgião

Ainda não conseguimos inventar robôs-cirurgiões completamente autônomos (e não tenho certeza se você vai querer ser operado por um deles caso eles realmente sejam produzidos), mas estamos chegando lá. Um médico já consegue realizar pequenas intervenções cirúrgicas remotamente, controlando braços mecânicos a distância através da internet. Em termos técnicos, essa prática é conhecida como telecirurgia.

Parece ser uma técnica inovadora e impressionante, não é mesmo? O problema é que, no ano passado, um grupo de pesquisadores e especialistas em segurança da Universidade de Washington provaram que é extremamente simples para um hacker invadir os sistemas médicos e tomar total controle da operação. Tamara Bonaci, responsável por liderar o estudo, chegou a fazer um teste prático para provar o quão fácil era assumir o robô.

Até que deve ser divertido controlar um desses, não é mesmo?

Isso significa que, caso não sejam desenvolvidos padrões mais seguros para a telecirurgia, existe a possibilidade de que um garoto de 16 anos tome conta dos braços robóticos que estão te abrindo por completo e comece a fuçar nos seus órgãos internos, botando à prova os conhecimentos de anatomia que ele conquistou ao jogar Surgeon Simulator 2013.

2) Tiro certeiro — ou não

Você provavelmente vai ficar chocado quando eu contar que rifles de precisão — também conhecidos como “snipers”, embora tal termo seja mais apropriado para se referir aos indivíduos que utilizam tal equipamento — também podem ser hackeados. Mas é claro que não estamos falando de rifles comuns. Trata-se dos produtos da TrackingPoint, uma marca norte-americana que está se tornando extremamente popular em terras gringas.

Os armamentos produzidos pela companhia são recheados de funcionalidades tecnológicas — o modelo top de linha M1400 EMR, por exemplo, possui até mesmo um sistema operacional próprio baseado em Linux e conexão WiFi para transmitir a visão do atirador em tempo real para um app dedicado. Porém, como nem tudo são flores, uma dupla de pesquisadores provou que é bem simples invadir tais produtos.

Imagine só um soldado todo pomposo com uma dessas, e, do nada, vem um hacker e acaba com a brincadeira

Felizmente, durante seus experimentos com um rifle da TrackingPoint invadido, o casal Runa Sandvik e Michael Auger não conseguiu efetivamente disparar um projétil remotamente. Porém, eles desativaram o pino percursor, transformando o equipamento mortífero de US$ 16 mil em um brinquedinho incapaz de machucar uma lebre. Imagina isso em uma guerra?

1) Uma pequena turbulência

Chris Roberts é praticamente um mago do hacking. Em maio do ano passado, ele apareceu mais uma vez nos holofotes da internet após jurar ao próprio FBI que, entre 2011 e 2014, ele conseguiu invadir os sistemas de aviões comerciais em pleno voo usando seu próprio notebook. E ele não fez isso uma vez: ele fez “entre 15 e 20” vezes. Sabe como é, pessoas de idade geralmente não têm uma memória muito boa.

Você pode duvidar das capacidades de hacking, mas jamais poderá criticar essa barba estilosa

Como se não bastasse, Roberts afirma que, em um desses casos, ele foi capaz de comandar um dos motores da aeronave, fazendo com que ela se inclinasse para os lados. O especialista defende que as vulnerabilidades estão presentes em vários modelos de aviões fabricados pela Boeing e pela Airbus. Tudo indica que, em breve, teremos que nos preocupar com outras coisas além de turbulências enquanto estivermos voando.

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