Concepção artística da mineração de um asteroide (Fonte da imagem: NASA/Denise Watt)

Lembra-se do filme “Armagedom”, de Michael Bay? Na película, um asteroide do tamanho do estado do Texas se dirige em direção à Terra, ameaçando extinguir a vida no planeta. Para salvar o mundo, os cientistas da NASA enviam uma equipe de perfuração até o corpo celeste, com o intuito de explodi-lo com bombas nucleares.

A NASA estima que há cerca de 19,5 mil asteroides com comprimento médio de 100 metros vagando a 45 milhões de quilômetros do planeta Terra. Não se preocupe: a agência mantém um sistema de monitoramento de possíveis ameaças estelares e, até o momento, não houve a necessidade de uma intervenção tão grandiosa.

Porém, engenheiros e cientistas da Terra têm mesmo planejado visitar algum asteroide próximo do nosso planeta. Mas não com o propósito de eliminá-lo, mas sim de trazê-lo para junto de nós, mais precisamente, na órbita terrestre, como noticiado pela revista Wired.

A ideia parece absurda quando a ouvimos pela primeira vez. Mas antes de rejeitá-la, é bom saber que ela tem sido levada a sério. Recentemente, cientistas e engenheiros se reuniram durante quatro dias no Instituto de Tecnologia da Califórnia para discutir a possibilidade de realizar tal tarefa.

Tinha um asteroide no meio do caminho

Asteroide Gaspara, fotografado pela sonda Galileo (Fonte da imagem: NASA)

Apesar de parecer loucura, existem diversas razões para colocar essa ideia em prática. Uma delas seria o fato de que cientistas teriam acesso a amostras muito antigas do nosso universo, que poderiam ajudar a decifrar alguns mistérios sobre ele e seu surgimento.

Mas o que tem deixados todos animados é a possibilidade de mantermos uma base no asteroide “laçado” pela NASA. Assim como costumamos fazer algumas paradas estratégicas durante uma viagem muito longa, para abastecer o veículo e fazer um lanchinho, por exemplo, poderíamos usar um asteroide como um ponto intermediário entre a Terra e um destino distante, fazendo até mesmo lançamentos a partir dele.

Além disso, asteroides podem oferecer riquezas. Esses corpos costumam ser uma fonte muito rica de metais, como o ferro, que poderiam ser explorados para a construção de alojamentos e bases. Outros possuem água, que pode ser usada não só para manter a vida no espaço, mas também para produzir combustível à base de hidrogênio e oxigênio.

Trator gravitacional empurrando asteroide (ilustração) (Fonte da imagem: Dan Durda)

E a mineração de asteroides pode render muito dinheiro. Um asteroide relativamente pequeno, com cerca de 1,6 km de diâmetro, contém mais de 20 trilhões de dólares em metais preciosos ou industriais, como ferro, cobalto e platina. Esse seria uma motivação para que empresas privadas ajudassem a financiar a empreitada astronômica.

Na verdade, toda a reserva terrestre de ouro, cobalto, níquel, tungstênio e outros metais que são essenciais para o progresso econômico e tecnológico vieram de asteroides que se chocaram contra a Terra durante a sua criação.

Mas isso não é perigoso?

Obviamente, o ato de trazer uma “pedra” de muitas toneladas para a órbita terrestre apresenta seus riscos. Os cálculos precisam ser muito precisos, já que qualquer desvio mínimo pode causar a queda de um bólido gigantesco no solo terrestre.

Os cientistas planejam inserir esse corpo nos chamados pontos de Lagrange, regiões da órbita terrestre onde um asteroide poderia orbitar pacificamente, sem oferecer riscos. Inclusive, nós já temos um asteroide de mil metros de diâmetro em um desses pontos. Assista ao vídeo acima para ter uma ideia melhor de como funciona a órbita desse corpo celeste.

Como estacionar um asteroide

Nós já temos a tecnologia necessária para guiar um asteroide até a nossa órbita. Existem diversos métodos disponíveis, que podem ser testados para descobrirmos qual é o mais eficaz. Primeiramente, é possível “agarrar” um asteroide rochoso com uma espécie de garra robótica especialmente desenvolvida para esse propósito.

Braço robótico que pode ser usado para agarrar asteroides (Fonte da imagem: NASA - JPL)

Outra ideia seria usar uma rede feita de kevlar, uma fibra muito resistente e leve, usada em cintos de segurança e coletes à prova de bala. Independentemente do dispositivo usado para segurar o asteroide, ambos usariam propulsores movidos a energia solar ou tratores gravitacionais para mover o corpo celeste até o ponto de Lagrange desejado.

Por enquanto, o maior empecilho para colocar esses planos em prática é o custo elevado para a realização deles. Capturar um asteroide pequeno custaria cerca de 1 bilhão de dólares e a despesa subiria para muitos bilhões caso quiséssemos um asteroide maior. Mesmo assim, as pesquisas e encontros acerca do assunto continuam. Se tudo correr como esperado, o ser humano poderá gabar-se de ter movido, pela primeira vez, um corpo celeste de local.

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