Você acabou de abrir conta em um banco. No processo, existe a necessidade de toda a papelada protocolar: documentos, comprovante de residência e afins. Em alguns casos, certidão de nascimento e até mesmo carteira de vacinação são exigidas. Na hora de pedir um cartão de crédito, a análise e todos os procedimentos inerentes a ela seguem o mesmo ritmo. Ok, carteira de vacinação pode ter sido força de expressão, mas o fato permanece: a burocracia é um dos grandes entraves do Brasil.

Pensando nisso, ou melhor, em eliminar tudo isso, o Nubank traz um conceito simples e inédito ao país: um cartão de crédito totalmente controlado pelo smartphone. Um produto desligado de instituições financeiras, bancos ou qualquer outra coisa regulamentada pela nossa nada querida burocracia brasileira. Um cartão eficiente e que tem como principal objetivo botar um ponto final na complexidade. Bem-vindos à era dos aplicativos no século XXI, senhoras e senhores. Os smartphones querem dominar o mundo.

Para conhecer de perto o serviço, a filosofia da empresa e o perfil dos consumidores que o utilizam, o TecMundo fez uma visita à sede do Nubank, em São Paulo, e conversou com Cristina Junqueira, co-fundadora e vice-presidente de produtos, marketing e operações do Nubank Brasil. Fomos muito bem recebidos por ela e por Mariana Netto, analista de comunicação da empresa, que fez, conosco, um tour pelo prédio da companhia, inteirinho só do Nubank.

A importância de fisgar oportunidade no momento certo

Cristina contou que o serviço nasceu a partir de uma premissa simples e com enorme potencial no Brasil: a penetração no público conectado em smartphones e alérgico ao lento sistema burocrático do país. Ciente da multifuncionalidade do dispositivo móvel – cujos números ultrapassam a quantidade de habitantes por aqui –, o Nubank aposta na simplificação do processo de obtenção de um cartão de crédito e toda a sua operacionabilidade.

Nesse contexto, o Brasil é um dos locais mais proeminentes da América Latina. “Ficamos observando por dois anos o ambiente de startups por aqui, os modelos adotados. Gostamos de um modelo de negócio original, 100% daqui, e não algo que tem uma filial ‘ali no Brasil’. Há muita coisa acontecendo no país, mas não com o nosso perfil. Foi a partir dessa observação que enxergamos a oportunidade, maturamos a ideia e aplicamos”, contou a executiva.

Solução para a burocracia e foco no público conectado

O pontapé inicial para a fundação do Nubank foi a eliminação da burocracia. O Brasil é uma nação bastante conectada à internet, mas ainda não existem soluções plausíveis para todos os entraves que enfrentamos nas operações que envolvem cartões de crédito. “A coisa toda ainda gira muito em torno da agência, é um processo burocrático. A penetração dos smartphones está bombando no Brasil”, relatou a co-fundadora.

Terraço da sede do Nubank, em São Paulo

A filosofia de atingir um público mais jovem e conectado é uma das bandeiras erguidas pelo Nubank. Cristina explica que não é preciso entregar um serviço a absolutamente todo mundo, pois há quem prefira o sistema tradicional dos bancos. “Fizemos uma observação demográfica e constatamos que 50% dos brasileiros têm menos de 30 anos. Essa geração mais nova, que nasceu na internet, se coça ao ouvir alguém falar de ir até agências”, justificou.

Análise de crédito: como funciona? Existe alguma instituição financeira ligada ao Nubank?

Para garantir a qualidade e a segurança do serviço, o Nubank analisa todos os pedidos para evitar duas coisas: fraude e inadimplência. Todas as informações são coletadas a partir do CPF do usuário. A equipe da empresa coleta dados de várias fontes disponíveis no mercado – são milhares de variáveis relacionadas ao seu histórico de consumo, crédito e pagamentos.

A partir dessas informações, os clientes são agrupados em centenas de perfis diferentes até uma filtragem final de cada um. “Na verdade, posso até dizer que somos mais exigentes que um banco tradicional nesse sentido, pois pense comigo: se a gente erra a mão e faz uma análise de crédito que coloque alguém ruim para dentro, eu quebro, acabou. Temos de ser muito cuidadosos. O nosso processo tem que ser mais seguro, mais controlado”, esclareceu a executiva.

A tecnologia e tudo o que ela oferece atualmente, disserta Cristina,  são fortes aliadas nesse processo. “A tecnologia que podemos usar hoje torna todo o processo mais seguro. Nesse sentido, tudo é mais robusto. Claro que usamos dados do mercado, são muitas variáveis, mas tudo é feito por nós. Estamos nos preparando para tomar decisões com base no device de cada usuário, sabe, ver quanto tempo ele fica na tela, traçar um perfil cada vez mais preciso. Não existia algo assim aqui. Os bancos nunca mudaram seus processos”, ponderou.

Salão de jogos e recreação do Nubank

Um produto, uma bandeira, sem anuidade e sem tarifas: o valor à simplificação

Atualmente, o Nubank opera com um único cartão de crédito. Um plástico, o Platinum, e uma bandeira, Mastercard. Nada de entupir o cliente com opções diferentes que podem gerar confusão em interpretação, limites de crédito ou coisas do tipo: aqui, a ideia é simplificar ao máximo e otimizar todos os processos.

“Em alguns bancos, os plásticos podem ter 400, 500 variações diferentes. Pra quê tudo isso? Qual a diferença desse para aquele? Essa complexidade toda confunde o cliente. Estamos numa pegada de simplificar a vida dele. Quando o Banco Central fez um mapeamento em 2009, foram detectadas mais de 80 emissões de tarifas nos cartões de crédito. Oitenta. Aí ele acabou com isso e disse que seriam só algumas: anuidade, tarifa de saque, pagamento de conta e outras. O nosso produto não tem anuidade e não tem tarifa alguma. Até existem cartões sem anuidade no mercado, mas e todas as outras tarifas? (...) Prezamos pela transparência”, endossou a vice-presidente.

A taxa de juros do Nubank, em casos naturais de atrasos no pagamento, é absurdamente menor. “A taxa média do mercado está em 13% hoje. A nossa taxa básica é de no máximo 7,75%, quase metade. E não há tarifas adicionais. É o que você não pagou vezes 7,75%, é isso. Não tem maluquice nem invenção”, completou a co-fundadora.

Crescimento exponencial com possível expansão a outros países

O Nubank está crescendo em média 63% ao mês, de acordo com Cristina. A equipe da empresa é diversificada e tem a pegada da juventude tecnófila, exatamente como o perfil dos clientes, com grande engajamento em redes sociais. “É uma demanda mais sofisticada. O nosso próprio canal é o chat pelo app, que os clientes adoram, depois tem e-mail, Twitter, tudo. É impressionante: a gente espirra aqui dentro e está no Twitter. É um engajamento enorme”, contou Cristina.

Este é um dos ambientes de trabalho do Nubank

A ideia é seguir um caminho estratégico e “com calma”, de acordo com a vice-presidente, num crescimento calmo e gradativo no Brasil para depois pensar em ir a outros países. “A gente conversa [sobre a expansão a outros países], mas o Brasil é tão grande e tem tanta oportunidade aqui. O modelo é aplicável em vários lugares, claro, mas queremos continuar com esse nosso cuidado. A ideia [de ir a outros países] existe”, pontuou Cristina.

Como funciona?

Atualmente, o Nubank está disponível para iOS e Android. Há duas formas de adquirir o cartão de crédito: fazer um pedido no site oficial ou entrar por meio da indicação de alguém que já usufrui do serviço. Há uma lista de espera, e quem solicitar o cartão através da indicação ganha prioridade.

Todo o controle é feito pelo smartphone: fatura, data de vencimento, atendimento ao cliente via chat. E basicamente é isso. O serviço é tão simples e funcional que não requer mais explicações. Não deixe de acessar o site da Nubank para conferir essas e quaisquer outras informações adicionais.

Você utiliza um cartão de crédito Nubank? O que acha da ideia de um serviço assim funcionar de forma totalmente digital? Comente no Fórum do TecMundo.