Apple TV de quarta geração pode muito bem ser uma das melhores opções do mercado em seu segmento: ela tem um hardware matador, desempenho invejável, sistema operacional simples e uma loja de apps que já conta com uma série de opções. Mas será que isso é o suficiente para convencer você a ter uma dessas na sua sala?

O TecMundo dissecou a nova Apple TV e estamos trazendo para você nossas impressões sobre o aparelho que começou a ser vendido no Brasil em suas versões de 32 GB e 64 GB de armazenamento.

Hardware

O hardware da Apple TV de quarta geração é um tanto misterioso em seus detalhes mínimos, mas a marca informa oficialmente que ela conta com um processador A8 comandando tudo. Esse é o mesmo chip do iPhone 6, aparelho que ainda possui um hardware respeitável entre os dispositivos iOS.

No que toca ao design, a Apple TV em si não mudou muito. Ela continua sendo uma caixinha preta bem discreta, mas agora é um tanto mais alta, possivelmente por conta do hardware melhorado e da fonte de energia integrada.

O que realmente evoluiu no aspecto visual foi o controle. Esse acessório é certamente o maior destaque da quarta geração da Apple TV, pois se conecta ao dispositivo por meio de Bluetooth 4.0 e, por isso, não é preciso apontá-lo para a TV ao utilizá-lo. Sua bateria dura muito, mas, quando acaba, você faz o carregamento por um cabo Lightning que vem na caixa — o mesmo que você usa para carregar seu iPhone ou iPad.

Nele, você encontra apenas seis botões e uma superfície sensível ao toque na extremidade de cima para controlar sua TV. O botão “Menu” estranhamente serve para voltar, enquanto a função home é representada pelo ícone de uma TV. Há ainda uma tecla dupla para aumentar e diminuir o volume, um play/pausa e, por fim, o botão da Siri.

Apple anuncia a sua assistente como o maior destaque da Apple TV, e ela realmente é, mas não funciona no Brasil. Ao clicar nesse ícone, você é levado para uma área de buscas bem pobre, na qual deve selecionar caracteres com o touchpad do controle. Isso é um verdadeiro suplício e, sem a Siri, a busca é muito ruim. Você não encontra muita coisa, e os resultados são bem limitados.

Por outro lado, o controle vem com acelerômetro e giroscópio, o que permite jogar games de corrida, boliche, de plataforma ou qualquer outra coisa. A construção desse acessório realmente impressiona pela qualidade, e ele também consegue controlar sua TV por conta do emissor de infravermelho.

Na parte da frente da Apple TV, você só encontra um LED branco e, atrás, há uma porta para o cabo de energia, uma HDMI tradicional para vídeo em até 1080p@60fps (nada de 4K!) e uma Ethernet para uma conexão com a web mais estável, caso seu WiFi seja meio capenga. Vale destacar ainda que há uma USB-C, mas isso só serve para o pessoal da Apple realizar manutenção no aparelho.

O produto ainda conta com Bluetooth 4.0 e WiFi a/b/g/n/ac. Nas demais laterais, na parte de cima e de baixo, não há nada.

Software

A quarta geração da Apple TV inaugura o sistema operacional TVOS da Apple, que é basicamente um iOS simplificado para ser operado em TVs. Sua interface é bem básica, apresentando uma tela inicial neutra com apps mostrados em uma grade. Nada além disso. Por outro lado, notamos que a estabilidade do SO é muito boa, e o seu desempenho surpreende. Até games mais pesados rodam sem qualquer problema, e a navegação entre apps é extremamente suave.

Isso também vale para a função multitarefa. Você pode deixar vários apps abertos em segundo plano e, quando voltar a eles, tudo vai estar como você deixou. Não será necessário carregar nada novamente. Claro que isso tem suas limitações, mas funciona de uma forma bem satisfatória para o dia a dia.

O que realmente deixa a parte do software interessante é a loja de apps. Há muitos games disponíveis para jogar, e vários deles são inclusive bastante avançados, tanto grafica quanto tecnicamente. Tem jogos de tiro em segunda pessoa, games de plataforma, de boliche, tênis e vários outros.

Ainda não há tantos títulos quanto no iOS, obviamente, mas a Apple facilita o porte de uma plataforma para a outra, e, por isso, já existem algumas dezenas de opções legais. O problema é que a maioria é paga. De qualquer maneira, já dá para baixar Just Dance Now, Asphalt 8 e Jetpack Joyride gratuitamente, por exemplo.

Continuando no campo do conteúdo, não vale a pena comprar nem alugar filmes no iTunes. Tudo é muito caro, tanto os lançamentos quanto os títulos do catálogo mais antigo. Você pode encontrar os mesmos filmes e séries por menos da metade do preço em serviços como Google Play Filmes, por exemplo, que têm uma variedade similar ou até superior. O problema é que, por enquanto, nem a Play Filmes nem qualquer outro serviço de vídeo sob demanda está disponível na plataforma. Assim, você fica preso ao iTunes.

Conteúdo para assistir

Essa dificuldade do conteúdo sob demanda não se reflete no streaming. Há vários apps desse tipo disponíveis na Apple TV. Você pode usar Netflix, YouTubeCrunchyroll e Esporte Interativo sem qualquer problema. Eles normalmente funcionam muito bem e com agilidade, mas isso não se repete com outros serviços presentes.

NFL, NBA e outros apps de esportes normalmente são travados por região; quando eles não são, você tem que criar uma gambiarra com contas americanas e brasileiras da Apple para conseguir assistir a alguma coisa. Fora isso, apps como Globo PlaySBT não estão presentes, deixando o conteúdo nacional bem prejudicado.

Somando essas limitações ao fato de os preços do iTunes serem muito proibitivos, você tem na verdade pouca coisa para assistir, considerando que esse aparelho se propõe a substituir sua TV a cabo ou satélite. A Apple criou um dispositivo que é mais um console para games mobile do que um aparelho para ver TV de fato.

Para piorar as coisas, a versão de 64 GB da Apple TV tem um preço tão alto que quase chega ao valor de um console de video game atual! A oferta da Apple no departamento de games, entretanto, é infinitamente inferior e mais limitada do que a entregue pela Microsoft e pela Sony com Xbox One e PS4. Claro que, tecnicamente, não dá para comparar esses dois consoles com a Apple TV 4ª geração, mas os preços da Maçã no Brasil nos forçam a considerar isso.

Integração com outros aparelhos

Se você tem uma série de aparelhos Apple em casa, a nova Apple TV deve se encaixar muito bem em sua sala. Ela conta com AirPlay para espelhar iPhones, iPads e Macs na tela da TV ou mesmo enviar conteúdo local para a tela grande. Isso funciona muito bem e de forma bastante simples.

Contudo, ela só está pronta para aparelhos da mesma marca. Você praticamente não pode usar a Apple TV com smartphones Android ou computadores Windows. Até existem algumas exceções, mas é muito sofrido conseguir fazer essas coisas funcionarem, especialmente considerando que esse dispositivo deveria facilitar a sua vida, e não o contrário.

Nesse ponto, ela perde feio para o Chromecast, que é muito mais democrático nesse sentido, funcionando com vários aparelhos e sistemas operacionais.

Temos que citar ainda o app “Remote” da Apple para iOS. Ele deveria servir basicamente como um segundo controle remoto para a Apple TV, mas infelizmente funciona muito mal. Em nossos testes, foi um verdadeiro suplício parear um iPhone 5s com esse app à Apple TV. Quando o pareamento finalmente foi concluído, não conseguíamos controlar a Apple TV. Simplesmente uma experiência horrível.

Esse app deveria substituir o teclado virtual da Apple TV e facilitar a busca e a entrada de dados para login em apps. Sem ele, você sofre e perde bastante tempo digitando com o touchpad. Novamente, é muita dificuldade para um aparelho que deveria facilitar a sua vida.

Vale a pena?

A quarta geração da Apple TV é certamente uma das melhores opções do segmento em hardware e software, principalmente se considerarmos que o mercado brasileiro ainda tem poucos bons concorrentes para ela. Mas, como tudo o que carrega a marca da Apple é muito caro no Brasil, esse aparelho tem sim esse lado negativo. A versão de 32 GB de armazenamento custa nada menos que R$ 1.349, e a de 64 GB sai por R$ 1.749.

Isso é realmente caro, mas, se você tem grana para torrar, não dá para dizer que é algo com preço exorbitante (pense no valor do iPad Pro!). Mesmo assim, as limitações que a Apple cria para o dispositivo no Brasil e a falta de compatibilidade com mais aparelhos são pontos muito frustrantes.

Praticamente não dá para integrar smartphones Android ou computadores Windows à Apple TV, e, por isso, ela perde muito feito para o Chromecast. O dongle da Google funciona com uma variedade de outros dispositivos, inclusive iPhones, e custa uma fração do preço da nova oferta da Maçã.

Para completar a seção dos contras, a Siri não funciona, o que deixa o sistema de busca péssimo, e vários apps de streaming não deixam você assistir ao conteúdo por aqui com facilidade, a exemplo de apps estrangeiros de esportes.

Tudo isso realmente ofusca a qualidade do hardware que a Apple embarcou nesse aparelho. O processador é excelente, o desempenho do SO é impecável, e há uma grande quantidade de apps e games para instalar. Contudo, como estamos falando de um aparelho que deveria deixar o ato de assistir TV mais inteligente e imersivo, jogos e afins podem ser considerados elementos secundários.

No fim das contas, o Chromecast da Google oferece muito mais para os brasileiros e não cobra os olhos da cara por isso. Dessa maneira, entendemos que não vale a pena ter uma Apple TV no Brasil.

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