A versão 8.4 do iOS trouxe além da atualização para os consumidores da Apple uma grande novidade. Depois de muitos meses de rumores, finalmente chegou ao mercado o Apple Music, o serviço de streaming de música da empresa da Maçã.

A novidade chega para competir com outros concorrentes já estabelecidos no mercado, como Spotify, Deezer, Rdio e Google Play Music. Entretanto, será que as novidades trazidas pela Apple serão suficientes para fazê-la se tornar líder desse segmento, assim como ela foi na época de ouro do iTunes? Testamos todas as novidades do serviço e as nossas impressões sobre ele são o que você confere agora.

Preço e disponibilidade

Curiosamente, os usuários brasileiros do serviço gastarão menos do que os norte-americanos para ter uma assinatura do Apple Music. Por aqui o serviço custa US$ 4,99 por mês (o equivalente a R$ 15,70), no plano simples, ou US$ 7,99 (o equivalente a R$ 25,10) no plano familiar (em que até seis contas podem usar o mesmo serviço). Nos EUA, esses valores são de US$ 9,99 e US$ 14,99 por mês, respectivamente.

Seleções de músicas do seu interesse são oferecidas na função "Para Você"

Como promoção de lançamento, os três primeiros meses são completamente gratuitos. Contudo, antes de começar a utilizar o sistema, é preciso escolher um dos dois planos e, após o término do período de testes, a renovação é automática. Para evitar essa cobrança, siga este tutorial. Ao menos por enquanto, a novidade está disponível apenas para iOS, mas em breve também poderá ser conferida no Android.

Usando o Apple Music

Ao iniciar a utilização do serviço, você pode configurar o seu perfil de usuário. O processo leva poucos minutos e é importante que você preste atenção aqui. Quanto mais precisas forem as suas respostas, melhores serão as sugestões que a curadoria do sistema vai oferecer posteriormente. Neste ponto você deve indicar quais os estilos musicais você mais gosta e também alguns artistas principais.

O menu principal é dividido em basicamente cinco segmentos: “Para Você”, em que são listados músicas, álbuns e playlists de acordo com o seu perfil; “Novo”, em que são listados os lançamentos dos mais diversos gêneros; “Rádio”, em que você tem acesso à emissora Beats 1; “Connect”, em que você pode seguir as atualizações das suas bandas preferidas; e “Músicas”, espaço em que você tem acesso à sua biblioteca e às músicas baixadas para ouvir offline.

Muitas novidades devem ser lançadas primeiro no Apple Music

Uma curadoria apurada

Basicamente, praticamente todas as músicas que você encontra no iTunes você vai encontrar no Apple Music. Entretanto, a curadoria da empresa mercê um destaque especial pela boa qualidade das playlists. Além de álbuns relacionados ao temas que você curte, há também listas interessantes que mostram o essencial de um determinado artista ou hits de um período específico.

Vale ressaltar que, ao menos nesse ponto, não há nada tão inovador e praticamente todos os serviços concorrentes oferecem alternativas de qualidade como essa. O mesmo podemos dizer do segmento “Novo”. O destaque aqui fica por conta da boa organização e pela forma como o conteúdo é apresentado, característica que facilita a usabilidade do app.

Beats 1: 24 horas ao seu lado

A compra da Beats pela Apple – e consequentemente do serviço Beats Music – resultou na Beats 1, uma rádio online 24 horas por dia, com transmissão diretamente das cidades de Londres, Los Angeles e Nova York. O espaço é comandado por DJs renomados e, ao longo da programação, há entrevistas com artistas e interação com os ouvintes.

Beats 1: Apple 24 horas no ar ao seu lado

Embora as primeiras horas tenham demonstrado que há potencial para o serviço, com uma programação de qualidade, é importante observar aqui se o seu perfil musical “bate” com a proposta da rádio. O número de bandas pouco conhecidas do público brasileiro – mesmo daqueles mais afinados com os lançamentos da música – certamente vai deixar você surpreso. Músicas nacionais por aqui serão uma raridade.

Além da Beats 1, há outras “emissoras” definidas por gêneros musicais, um serviço que já estava disponível no iTunes Music. Em um primeiro momento, pelo menos 53 opções estão listadas, com temas que vão desde o “Samba & Pagode” até “Gospel” ou “Música Mexicana”.

Connect: você mais perto do seu artista

Esse é outro ponto em que a Apple aposta as suas fichas. O Connect é um espaço em que os artistas podem se comunicar diretamente com os seus seguidores, postando mensagens de texto, fotos e até mesmo vídeos. Esse conteúdo é disponibilizado em uma timeline – uma espécie de rede social para interação entre fãs e músicos.

Não perca nenhuma informação sobre a sua banda preferida

Nesse caso, esse sim se mostra um diferencial e tanto do serviço em relação aos concorrentes. De certa forma, o Apple Music “profissionaliza” e aperfeiçoa algo que o Soundcloud já permite aos seus usuários, o que não deixa de ser bem-vindo e demonstra grande potencial de divulgação, especialmente para artistas menos conhecidos.

Para aqueles que ouvem música de forma muito mais casual – apenas ouvem, mas não fazem questão de conhecer detalhes das bandas – o recurso deve ter pouca utilidade. Porém, para aqueles que gostam de se aprofundar no tema e querem conhecer mais a fundo seus artistas preferidos, fazendo questão de saber tudo sobre o dia a dia de um cantor, certamente vão adorar a ideia.

Interface e usabilidade

Um dos lemas de Steve Jobs era de que em muitos casos “menos é mais”. Ou seja, no ponto de vista dele, uma interface simples é mais eficiente do que um design com mais funções, mas que possa complicar a experiência de uso do consumidor.

Embora o visual de exibição das capas de álbuns e playlists seja agradável e elegante, o mesmo não se pode dizer dos menus de contexto. Nesse caso, as informações nem sempre são disponibilizadas de forma clara e em alguns casos há tantas opções que a lista de funções chega a cobrir a tela inteira. Baixar uma música para ouvir offline, por exemplo, pode se tornar uma tarefa confusa em muitas ocasiões.

Basta navegar um pouco pelo serviço para perceber que seu visual “destoa” das demais interfaces da empresa

A opção aparece dentro de um álbum e dentro de uma playlist, mas está indisponível ao ouvir uma emissora de rádio, por exemplo. Entretanto, os menus de acesso a esse recurso são similares e é natural que, em um impulso, você também queira baixar por ali. A solução, nesses casos, é favoritar a música e buscar ela por fora para fazer o download depois.

Dentro da opção “Música”, será comum também pequenas confusões entre as músicas que estão na sua Biblioteca – compradas via iTunes, por exemplo – e aquelas baixadas via emissora. Em muitos casos, ambos os formatos se misturam e, visualmente, pode ficar complicado categorizá-las de uma forma mais eficiente.

Menus entulhados de opções não costumam fazer parte dos serviços da Apple

Apple Music no iTunes

Além de poder ouvir o Apple Music via app, no celular ou no tablet, é possível escutar as canções também via iTunes, no PC ou no Mac. Nesse caso, pesa contra o serviço o fato de ele não disponibilizar nenhum player via web, como outros serviços fazem. Entretanto, a experiência de uso no player da Apple se mostra extremamente satisfatória, com uma interface mais clara até mesmo do que a do app.

Obviamente, isso faz com que o usuário mantenha a obrigatoriedade de manter o iTunes sempre ativo, característica habitual para aqueles que utilizam produtos da Apple. Entretanto, uma vez que o serviço for disponibilizado também para Android, usuários desacostumados ao iTunes podem não gostar de limitações como essas.

Desempenho pode ser refinado

Estamos na primeira semana de uso do software e, como todo aplicativo, logo após o seu lançamento é natural que alguns pequenos problemas apareçam na usabilidade. Em nossos testes encontramos alguns deles que merecem destaque. Em pelo menos duas ocasiões o app deixou de funcionar para cliques, mantendo apenas o recurso de scroll ativo.

Músicas da Biblioteca e baixadas offline viraram uma coisa só

Quando isso aconteceu, foi preciso reiniciar o aplicativo para voltar a ter acesso ao uso. Além disso, em outra ocasião, o app deixou de funcionar subitamente. Todos os problemas foram percebidos nos dois primeiros dias de uso, mas é válido mencionar que tenha ocorrido pelo menos três incidentes em apenas quatro dias.

Contudo, na maior parte do tempo, a experiência de uso foi a mais agradável possível, com streamings de boa qualidade e resposta impecável aos controles.

Vale a pena?

Os serviços relacionados à música sempre foram um dos pilares mais importantes da Apple e é de se imaginar que o Apple Music não será diferente. Ele deve receber atenção especial por parte da empresa nos próximos meses e, por conta disso, será aperfeiçoado com o passar do tempo.

Entretanto, sua primeira versão se integra perfeitamente ao iOS. Ele pode não ser o melhor do mercado, mas de cara já nasce como uma das opções mais interessantes para aqueles que já utilizam um iPhone ou iPad.

Aqueles que não estão acostumados com o SO da Apple vão estranhar certas limitações – e nesse caso há opções mais interessantes no mercado, como o Spotify ou o Deezer

O valor do investimento é praticamente o mesmo em todos os serviços, de forma que vale muito mais a pena pesquisar quais deles contam com o maior número de músicas que agrade ao seu perfil. Nesse primeiro momento, ainda não há como migrar playlists de outros serviços para o Apple Music, o que pode frustrar muita gente.

Porém, o serviço se mostra bastante promissor e certamente chega ao mercado muito forte na disputa pelos consumidores. Podemos dizer que com Apple Music, Spotify, Deezer, Rdio e Google Play Music disponíveis por aqui, o consumidor brasileiro está bem-servido nesse quesito.

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