Quando falamos em delatores e "personae non gratae" para governos, os nomes de Julian Assange e Edward Snowden são os primeiros da lista. Ambos lutam em temas como a vigilância de massa e liberdade para o povo. Porém, eles são bem diferentes: enquanto Assange tem uma postura anárquica com o WikiLeaks, Snowden teve uma postura analítica quando divulgou ao mundo documentos secretos. E essa postura do WikiLeaks gerou uma polêmica nesta semana: centenas de dados médicos sigilosos de cidadãos da Turquia e Arábia Saudita, supostamente, foram jogados na internet.

De acordo com a Associated Press, o WikiLeaks expôs os dados pessoas de "centenas de cidadãos comuns", incluindo vítimas de estupro, crianças doentes e pessoas com distúrbios mentais. Essas informações, segundo a AP, estavam em arquivos médicos em posse desses governos e acabaram divulgados dentro de um grande pacote de vazamentos.

As pessoas contatadas "não sabiam" ou "não deram atenção" para o vazamento

O problema nisso é que essas informações podem ser utilizadas por criminosos, já que é possível pegar nomes completos, números de identidade, números telefônicos e até endereços. A AP entrou em contato com 23 pessoas que tiveram os dados revelados, a maior parte na Arábia Saudita. A agência notou que a maioria das pessoas contatadas "não sabiam" ou "não deram atenção" para o vazamento, mas uma mulher (deficiente física) comentou: "Isso é um desastre. E se meus irmãos, vizinhos e pessoas que eu nem conheço virem isso? Qual é o intuito de publicar a minha história?".

No entanto, de acordo com o próprio WikiLeaks, a história real não é bem essa.

O outro lado

O WikiLeaks bateu pesado na Associated Press: "Este artigo é ridículo". A organização comentou via Twitter que essa história de vazamentos de dados árabes vem desde 2015. Ainda, que os relatos de que eles publicaram dados sensíveis de mulheres turcas são completamente falsos.

Sobre os dados médicos, o hacker Michael Best, da GlomarDisclosure, assumiu parte da autoria do vazamento e também comentou que "tudo já foi retirado do ar". "O WikiLeaks foi criticado por postar links para a base de dados que incluiam essas informações. Contudo, pelo menos alguma culpa deveria cair em mim, já que fui eu quem subiu os arquivos que o WikiLeaks linkou", escreveu no site da GD.

"Este artigo é ridículo", disse o WikiLeaks

Ética

Julian Assange é uma das maiores figuras de nosso século — sim, ao lado de Edward Snowden. Contudo, como citamos, Assange tem uma postura anárquica com o WikiLeaks: a ideia é atingir os governos e instituições da maneira mais forte possível, com "100% de transparência". Ou seja, sem analisar contratempos que os dados revelados podem trazer. Sabe aquela frase: "algumas pessoas só querem ver o mundo queimar"? Temos um pouco disso aqui.

Assange ou Snowden: quem está certo?

Já a postura de Edward Snowden, podemos afirmar, foi contrária. Antes de o ex-analista da CIA publicar detalhes de programas de vigilância da NSA, ele contou com a ajuda do jornalista Gleen Greenwald e da escritora/cineasta Laura Poitras para realizar uma análise dos documentos — como uma política de minimizar efeitos contra possíveis dados revelados de cidadãos comuns.

É uma questão delicada. Como o WikiLeaks deveria agir? Qual é a sua opinião sobre as posturas? Diga nos comentários.

Julian Assange e Edward Snowden

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