Imagem de Xenoblade Chronicles 3
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Xenoblade Chronicles 3

Nota do Voxel
95

Xenoblade Chronicles 3 é um colosso dos JRPGs

Eu poderia criar uma introdução com sete, oito parágrafos para situar você, leitor, no universo de Xenoblade, e aproveitar o espaço para relatar minha relação de longa data com a franquia. Contar que a dona Nintendo me incentivou a comprar Xenoblade Chronicles três vezes, por exemplo, ou que Xenoblade Chronicles X foi o motivo pelo qual investi em um Wii U em 2015.

Em vez de criar o costumeiro suspense de início de review, eu gostaria de já começar dizendo que Xenoblade Chronicles 3 é um dos melhores e mais ambiciosos JRPGs que pude desfrutar desde que comecei a apreciar o gênero — e tenho certeza de que você vai compartilhar da mesma opinião assim que jogar.

Desenvolvido pelo talentoso estúdio Monolith Soft, Xenoblade Chronicles 3 tem tudo o que se espera de um RPG japonês: narrativa envolvente e apinhada de acontecimentos inesperados, personagens bem desenvolvidos, vilões marcantes, trilha sonora épica, sistema de combate que favorece o “grind” e um mundo vasto e imprevisível. Precisa de mais? 

Sou adepto da filosofia de que não existe jogo perfeito, mas Chronicles 3 é um dos poucos que se aproximam desse rótulo para mim. É um daqueles games especiais em que os primeiros minutos já traduzem o quão fabulosa a jornada vai ser, o tipo de sensação que só um The Legend of Zelda: Breath of the Wild da vida consegue proporcionar. Agora que aticei a sua curiosidade, vamos ao que interessa:

Um conto sobre amadurecimento

Antes de tudo, é válido explicar a quem está chegando agora que não, não é preciso ter desbravado as aventuras de Shulk, protagonista do primeiro Chronicles, nem de Rex, o herói do segundo título, para poder aproveitar o terceiro episódio. Sem a bagagem da série, é provável que você perca uma ou outra referência, mas nada que comprometa a experiência a ponto de deixá-lo “boiando”.

Fonte:  Voxel 

Em Aionios, o mundo no qual a aventura é situada, acompanhamos o interminável confronto entre duas nações tecnologicamente avançadas, Keves e Agnus. O herói da vez é Noah, um habilidoso soldado de Keves cujo dever também é realizar cerimônias especiais para combatentes que pereceram no campo de batalha.

O destino faz com que Noah, ao lado de Eunie e Lanz, se una a um grupo da nação rival, de Agnus, liderado pela simpática personagem Mio e seus dois companheiros, Sena e Taion. O sexteto, portanto, rotulado como um bando de desertores, acaba sendo perseguido pelos cônsules e exércitos dos dois lados.

A trama gira em torno dos soldados de Keves e Agnus, que podem viver apenas 10 anos sem nunca terem tido a oportunidade de envelhecer, trazendo à tona temas importantes numa abordagem mais filosófica. A partir dessa premissa, o time de heróis decide libertar os povos de Aionios de suas nações. Afinal, por que lutar uns contra os outros? Esse é o grande questionamento.

Fonte:  Voxel 

Não vou me aprofundar nos detalhes para preservar a experiência de quem vai jogar, mas o que posso dizer é que há muitas reviravoltas pelo caminho, do jeito que o fã de Xenoblade gosta. Estou amando a maneira com que o enredo se desenrola, ainda que os eventos mais importantes sejam revelados a conta-gotas para inflar nosso tempo no registro de horas.

Como Xenoblade Chronicles 3 tem um valor de produção claramente maior em relação a seus antecessores, as belíssimas cutscenes, com ênfase em uma estética mais moderna e futurista, dão ritmo às batalhas e contribuem para a construção de personagens verossímeis. A história, além de ser excelente, se torna ainda mais épica quando bem animada e roteirizada.

O combate de sempre com algumas melhorias

Há quem diga que o combate de Xenoblade Chronicles é um tanto confuso. E eu entendo a reclamação, já que nos dois primeiros games os sistemas não eram tão bem explicados. À primeira vista, o fato de os ataques básicos serem automáticos simplifica as coisas, mas existem mecânicas complexas por trás das Arts, as habilidades de classe dos personagens.

Fonte:  Voxel 

Em Chronicles 3, os tutoriais são competentes e exibem explicações detalhadas das ações, inclusive de como combiná-las entre si. Tanto que as primeiras oito, nove horas de gameplay são essencialmente dedicadas a apresentar os pormenores do combate, dos ataques básicos às táticas de buffs e debuffs.

A sacada do engenhoso sistema de batalha é saber o momento certo de pressionar botões e posicionar os seis heróis jogáveis, uma vez que existem habilidades que demandam estar em ângulo específico em relação ao inimigo. Você pode, por exemplo, ganhar velocidade de ataque se for capaz de desferir um golpe especial no mesmo momento que uma investida automática. Quase tudo é questão de timing e de estar no lugar certo.

As lutas são sempre intensas e divertidas, mas o bacana mesmo é poder fundir os personagens da party para assumir temporariamente suas formas Ouroboros, consideradas por ambas as nações de Aionios como ameaças à humanidade. Com visuais estilosos à la EVA-01 de Neon Genesis Evangelion, os Ouroboros têm árvores de skill únicas e poder de dano amplificado, sendo bastante úteis em confrontos-chave da história.

Fonte:  Voxel 

Variedade de classes e repetição “no automático”

Por ser um JRPG, Chronicles 3 exige “grindar”, isto é, matar monstros repetidamente para subir de nível, mesmo na dificuldade normal. No entanto, quando você estiver de saco cheio, basta habilitar o modo automático, no qual os personagens agem de maneira independente, gerenciando ataques básicos e Arts sem qualquer intervenção do jogador.

Ainda que não possa ser usado em embates contra chefes e monstros especiais, o auto-battle é um recurso interessante a quem não tem intenção de se aprofundar nas mecânicas mais complexas e só quer apreciar a narrativa e os incríveis cenários que o título oferece. Trata-se de uma opção honesta e que pode funcionar bem em determinados trechos, especialmente em momentos de preguiça do jogador após um dia exaustivo de trabalho ou estudo.

Um outro ponto relevante é que, graças às classes, os personagens têm suas particularidades, agregando variedade ao gameplay. Tal como nos jogos anteriores, você pode trocar de herói — e de classe! — ao alcance de um único botão. Cansou de controlar a espada de Noah? É só trocar para o martelão gigante de Sena que está tudo certo. Quanto maior for o nível da classe de um boneco, maior o leque de Arts e Talent Arts à disposição dele.

Fonte:  Voxel 

Apesar de o combate funcionar de maneira exemplar, fica aqui uma rápida ressalva: a interface do modo batalha é poluída e abarrotada de ícones grandes, o que acaba atrapalhando e gerando desconforto em lutas mais estratégicas e demoradas. Ter ao menos uma opção para o jogador configurar o tamanho e a quantidade de coisas na tela já ajudaria.

O salto técnico que tanto esperávamos

Não há como negar que a franquia Xenoblade sempre se destacou pelo impecável trabalho artístico da Monolith Soft na concepção dos ambientes, isso desde os tempos do Wii. Das vastas planícies verdejantes de Aetia às cachoeiras nas montanhas rochosas de Pentelas, é impossível não se deslumbrar com a rica biodiversidade de Aionios.

Talvez até seja um ponto positivo que o game não tenha um modo foto, pois eu teria passado metade do meu tempo registrando a beleza natural dos lugares ao invés de progredir na missão principal. A evolução que tivemos de Chronicles 2 e Chronicles: Definitive Edition para cá é nítida, com cenários ainda mais densos e detalhados.

Fonte:  Voxel 

Em termos de desempenho, há motivos para comemorar: no modo portátil, o terceiro capítulo da saga roda satisfatoriamente bem, além de ter abandonado de vez o visual pixelado e em baixa resolução de Chronicles 2. Não achei que fosse me surpreender com aspectos técnicos, mas posso afirmar que Xenoblade Chronicles 3 é lindão à sua maneira.

Conteúdo a rodo

A meu ver, o grande atrativo da franquia criada por Tetsuya Takahashi sempre foi a sensação de escala que os games passam. A liberdade que Chronicles 3 concede depois de um tempo de jogatina é algo que poucos títulos conseguem entregar para nós. E explorar só é bom quando se tem o que fazer e o espaço do mapa é bem aproveitado, né?

O mundo de Aionios é dividido em gigantescas áreas e reserva uma enxurrada de atividades, o que não é uma grande novidade a quem já deixou centenas de horas nas demais obras da série, incluindo o DLC standalone Xenoblade Chronicles 2: Torna – The Golden Country.

Fonte:  Voxel 

Assim que uma colônia é libertada, seus membros passam a ofertar diversas missões secundárias ao grupo de Noah, desde resgatar soldados a coletar itens em partes bem específicas das regiões. Conforme você ajuda as comunidades, o seu nível de afinidade com elas aumenta, resultando em preços melhores nos vendedores locais e novos acessórios disponíveis.

Além das dezenas de objetivos de cada colônia, há contêineres das nações “dropando” de tempos em tempos no mapa, garantindo itens raros a quem estiver disposto a coletá-los. Falando em raridade, como de praxe, o nível dos itens é indicado por cores: branco (comum), amarelo (raro) e roxo (lendário), tendência conhecida nos RPGs atuais. É importante estar ciente dessa diferenciação quando estiver vasculhando bases e cavernas.

Minhas atividades prediletas, contudo, são as “Soldier Husks”, nas quais Noah e Mio protagonizam uma espécie de ritual de passagem, a fim de enviar os corpos dos soldados abatidos ao lugar a que pertencem. Confesso que não me canso de assistir às animações em que os personagens tocam melancólicas canções em seus instrumentos de sopro, como uma forma de “purificar” os parceiros que sucumbiram.

Fonte:  Voxel 

Também me peguei repetindo as lutas contra os chamados monstros únicos, cuja dinâmica é semelhante às raids que conhecemos, já que garantem itens valiosos e pontos adicionais de experiência. Inclusive essas versões mais poderosas das criaturas representam verdadeiras oportunidades de “farmar”, ainda que elas não apareçam com tanta frequência por aí.

Sistema de navegação aprimorado e locais de descanso: ótimas adições

Nos moldes dos acampamentos de Torna – The Golden Country, uma das novidades de Chronicles 3 são os locais de descanso. Os “Rest Stops”, além de desbloquearem pontos de viagem rápida, servem para subir de nível, salvar o progresso, fabricar itens, preparar refeições e até debater estratégias de missões em andamento.

De cara, você pode até ficar com a impressão de que os acampamentos não trazem mudanças substanciais à progressão, mas logo percebe que seus bônus fazem diferença, especialmente depois do nível 30, que é quando a barra de experiência começa a levar mais tempo para subir — e o “grind” se faz necessário.

Fonte:  Voxel 

Por fim, mas não menos importante, o sistema de navegação, minha principal ressalva no Chronicles original e em Xenoblade Chronicles 2, foi totalmente reconstruído para facilitar a vida de quem não está familiarizado com JRPGs. Agora, a rota de um objetivo é traçada em uma linha no chão, seja ele principal ou secundário. Acredite: você nunca mais se sentirá perdido no mapa.

A Definitive Edition do Chronicles original já tinha evoluído o direcionamento das quests, dos caminhos a serem seguidos, mas Chronicles 3 foi capaz de aperfeiçoar e tornar o sistema ainda mais intuitivo. No fim do dia, sinto que todas as melhorias feitas no novo game foram planejadas pela desenvolvedora para atender a um único requisito: como levar a franquia ao jogador que não gosta ou não tem paciência para JRPGs? Você conseguiu, Monolith Soft!

Veredito

Xenoblade Chronicles 3 é um colosso dos RPGs japoneses, arrisco dizer que o maior e mais acessível dentre todas as opções disponíveis atualmente. Considerando o âmbito do gênero ao qual pertence, você não vai encontrar nada como este game nas plataformas mais parrudas da atual geração, o que mais uma vez atesta o potencial inesgotável do console híbrido da Nintendo.

Com Xenoblade Chronicles 3, a Nintendo entrega seu JRPG mais ambicioso e acessível

Talvez você não tenha reparado, mas eu entreguei de bandeja o veredito da análise já no terceiro parágrafo do texto. Com personagens complexos e um mundo vasto e intimidador, Xenoblade Chronicles 3 encontra o equilíbrio perfeito entre história, combate e exploração, posicionando-se como o título mais audacioso da Nintendo lançado após The Legend of Zelda: Breath of the Wild e Super Mario Odyssey.

Xenoblade Chronicles 3 foi gentilmente cedido pela Nintendo para a realização desta análise 

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Pontos Positivos
  • Sólida, a história mais uma vez apresenta personagens profundos e temas complexos;
  • Com tanto conteúdo assim, dá para “morar” dentro do jogo por um tempo;
  • As formas Ouroboros são um excelente complemento ao combate;
  • O mundo de Aionios é fascinante, um convite irresistível à exploração;
  • Os inúmeros tutoriais cumprem seu papel de elucidar mecânicas mais difíceis;
  • Reconstrói os sistemas de progressão e navegação para tornar a experiência mais acessível.
Pontos Negativos
  • A interface do combate é uma zona e não há a opção de personalizá-la completamente.