(Mais) 9 mitos sinistros do entretenimento eletrônico

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Conforme você pode ter lido na semana passada, nós colocamos aqui no BJ uma lista com nove dos mitos mais sinistros que já ganharam fôlego na rica cultura dos video games. Entre conspirações governamentais, fantasmas insepultos, músicas que inspiravam suicídio e armas terroristas construídas com consoles, deve ter ficado claro que sempre pode haver algo oculto nas entrelinhas dos códigos de desenvolvimento.

Mas “Eles” ainda tem muita munição, é claro. Mas, como bons jogadores e teóricos da conspiração incansáveis, nós permanecemos no encalço de alguns dos maiores mistérios que envolvem o entretenimento eletrônico. Nesta segunda parte do que poderia ganhar o nome de “Arquivo BJ”, há nazistas, há ritos de sangue no Super NES (ou algo assim), há desastres nucleares ocultados, há espectros... Sem mais, sigamos todos para a zona do crepúsculo.

Nazistas por trás de The Legend of Zelda

Esta, na verdade, é quase cômica. Quando o primeiro The Legend of Zelda chegou às prateleiras em 1986, gerou-se uma controvérsia por conta do mapa de uma das masmorras incluídas no jogo: ele se pareceria com uma suástica — prova de que, além de perambular por bosques e criar jogos eletrônicos, Shigeru Miyamoto também andava confraternizando com nazistas.

Nada que uma análise um pouco mais estudada não resolvesse, entretanto. Afinal, a suástica é um símbolo muito anterior ao surgimento do III Reich, com representações encontradas em várias vertentes culturais. No budismo, por exemplo, ela pode significar “amor e piedade” (com pontas viradas à esquerda) ou força e inteligência (com pontas viradas à direita). Embora seja difícil saber com certeza qual foi a intenção da equipe de design... Convém, ao menos, dar o benefício da dúvida.

Sangue no Super NES (Mortal Kombat)

Ok, essa talvez não seja tão séria ou diabólica quanto as anteriores. Ocorre que o lançamento de Mortal Kombat nos arcades no início dos anos 1990 causou uma enorme comoção entre pais preocupados nos EUA — que não estavam lá muito preparados para encontrar mutilações e incinerações em jogos de video game.

Dessa forma, ao chegar aos consoles, o jogo foi devidamente “podado” em seus pontos mais extremos — sobretudo pela Nintendo, que fazia a frente como “console familiar” por excelência na quarta geração. Caso você jogasse a versão do Mega Drive/Genesis, entretanto, era possível liberar os Fatalities originais por meio de um código secreto. Entretanto, tal possibilidade não havia no Super NES.

Tudo bem que ainda era possível fazer algum sangue aparecer durante as lutas, mas os golpes de finalização permaneciam inalterados em versões mais comportadas dos originais — como a transformação de um oponente em uma estátua de gelo a ser despedaçada por Sub-Zero, em vez de arrancar a cabeça do pobre diabo com espinha dorsal e tudo. Entretanto, demorou um bom tempo para que os jogadores se conformassem: não havia um “ABACABB” para o Super Nintendo.

Uma bomba ao final de Braid

As menções ao Projeto Manhattan em Braid provavelmente já não soam como novidade em grande parte dos ouvidos. Entretanto, há uma interpretação do final do game que vai um pouco mais além: tem quem diga que, ao final, depois de a princesa escapar do “herói”, o rápido brilho avermelhado seria a detonação de uma bomba— em uma espécie de propaganda antinuclear à la “O Exterminador do Futuro II”.

A Maldição de Madden

Lá pelo início dos anos 2000, a Electronic Arts passou a estampar a capa da sua série Madden NFL com estrelas do futebol americano, o que se mantém até hoje. O problema? Há quem diga que todo jogador que recebe a honraria acaba com grandes chances de se machucar seriamente ou de ter um rendimento medíocre na temporada seguinte — fenômeno que ganhou o nome de “A Maldição de Madden”.

Ok, aqui vale ser um pouco mais racional. Afinal, considerando-se que todo jogador estampado em capas da série encontra-se em um ponto de destaque — tendo vindo de uma boa temporada —, é natural e humanamente razoável que os desportistas não necessariamente consigam manter o mesmo desempenho alto. Quanto aos machucados... Bem, isso é futebol americano, não bocha, convenhamos.

O diabólico Berzerk

No hoje longínquo ano de 1981, um garoto de 19 anos chamado Jeff Dailey era conhecido como um jogador bastante decente do clássico Berzerk. Entretanto, certo dia, logo depois de bater seu próprio recorde com 16.660 pontos, Jeff acabou sofrendo um infarto fulminante. Um ano depois, outro sujeito, Peter Burkowski, de 19 anos, também acabou morrendo pelo mesmo motivo, logo depois de colocar seu nome na lista com as dez melhores pontuações.

Coincidência? Há quem diga que o “666” que aparece na pontuação de Dailey já era um indicativo de que havia dedo do “Coisa Ruim” na máquina. Por outro lado, existe também quem garanta que ambos tinham problemas cardíacos, e que a excitação causada pelo jogo apenas acelerou as coisas. Novamente, fique com a perspectiva que lhe parecer mais adequada.

O Pé Grande em GTA

A enormidade do mundo de jogo em Grand Theft Auto: San Andreas foi suficiente para alimentar diversas lendas, incluindo carros-fantasma e até mesmo o aparecimento do mítico Sasquatch. Embora tudo não passasse de um rumor, a Rockstar soube aproveitar bem a ideia, com menções ao Pé Grande em Red Dead Redemption: Undead Nightmare e também em uma das missões finais de Grand Theft Auto V.

A alma penada de GTA V

Não se trata exatamente de um mito aqui, mas ainda assim é de arrepiar a espinha, dependendo da sensibilidade do jogador. Para quem ainda não conhece, há um site dentro do universo de Grand Theft Auto chamado WhoKilledLenoraJohnson. No endereço são agrupadas todas as informações (e especulações) sobre o assassinato da estrela de cinema Lenora Johnson, ocorrido em Los Santos no início da década de 70.

Embora o site seja principalmente útil para resolver o mistério jamais resolvido do assassinato da atriz, há também ali uma página que trata de outro assassinato, o de Jolene Cranley. Além disso, o site dá indicações de como encontrar o espírito inquieto de Cranley, em um ponto específico de Mount Gordo, no qual você deverá estar exatamente às 11 horas da noite — já que à meia-noite a aparição simplesmente desvanece. Pois é, diferentemente do Pé Grande, dessa vez há mesmo algo sobrenatural... Senão, vá lá e comprove por você mesmo.

A GlaDOS sadomasoquista

A ideia de que a GlaDOS tenha sido baseada mais em um corpo feminino do que em um aspirador de pó já foi admitida pelo próprio diretor do game, Jeremy Bennett. Entretanto, há quem vá um pouco mais longe, comparando a silhueta do poderoso computador à imagem de uma mulher amarrada de ponta-cabeça e amordaçada. E aí, o que você acha? Dê uma boa olhada na imagem e compartilhe com a gente.

Menção honrosa: Sheng Long em Street Fighter II

Em uma das frases ditas por Ryu após as vitórias em Street Fighter II: World Warriors, era possível ler “You must defeat Sheng Long to stand a chance” (Você precisa derrotar Sheng Long para ter uma chance). Embora tenha alguém tenha esclarecido que se tratava apenas de uma tradução equivocada do golpe Shoryuken, já era tarde demais: em todo canto já se falava do misterioso Sheng Long, incluindo várias receitas alquímicas para conseguir uma chance com o sujeito.

Mas a coisa toda pegou fogo mesmo com um dos clássicos textos de 1º de abril da revista Electronic Gaming Montly, em que o redator afirmava ter finalmente encontrado uma forma de conseguir a luta:

“Para lutar contra Sheng Long, a misteriosa lenda de Street Fighter, você precisa jogar com o Ryu durante todo o jogo. Você não pode sofrer nenhum golpes desde o início até o final do último round contra M. Bison. Uma vez lá, você deve combater M. Bison por 10 rounds sem que nenhum dos dois acerte o outro. Ao décimo round, e após o último empate, Sheng Long aparece e coloca M. Bison para fora do cenário. Daí em diante, o timer fica congelado em 99 segundos, forçando uma batalha até a morte.”

A descrição continua afirmando que o mítico Sheng Long seria capaz de “disparar fireballs mais rápido do que o Sagat”, o que também se estenderia para chutes giratórios que deixariam a Chun-Li envergonhada. “Nós não duramos muito contra ele, já que os seus golpes causam muito estrago, mas nós suspeitamos que ele possa executar todos os golpes especiais de todos os World Warriors”, conclui o atônito redator da revista.

Anos depois, surge Goken, em Street Fighter IV... E muita gente diz que a inspiração foi o lendário Sheng Long. Será que ele ainda existe em algum canto das novas gerações de Street Fighter? O negócio é adaptar a antiga receita da EGM e ver o que acontece... E boa sorte. 

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