Nesta quarta-feira (31), a Volvo Trucks apresentou o seu VM Autônomo, um caminhão desenvolvido especificamente para auxiliar no processo da colheita de cana-de-açúcar. No entanto, o fato de o veículo andar sozinho não é, por si só, o grande destaque de tudo isso: o ganho de produtividade e a precisão na operação é que são realmente impressionantes.

Antes de explicar como e por que a divisão latino-americana da montadora sueca conseguiu fazer um caminhão para andar nos canaviais, é válido ressaltar a importância desse segmento para a economia do Brasil.

Nosso país é o maior produtor e exportador de açúcar do mundo, com uma estimativa de 694 milhões de toneladas de cana-de-açúcar colhidas em 2017. No ano passado, o país faturou R$ 52 bilhões com o cultivo da planta.

Diante de números tão expressivos, fica fácil entender a importância do desenvolvimento de veículos que ajudem a aumentar a produtividade e, mais que isso, reduzir as perdas. É aí que o VM Autônomo da Volvo entra em ação.

Muito além dos carros de passeio

O novo caminhão ainda não está sendo comercializado, mas já é mais um integrante da família de veículos autônomos de serviço produzidos pela Volvo Trucks, junto com o FMX Mining e o modelo desenvolvido para coleta de resíduos. O que ele compartilha com os demais é a sua capacidade de realizar atividades específicas, sem a necessidade de intervenção direta de um motorista.

No caso do VM Autonomous, o veículo já havia sido adaptado para percorrer os canaviais ao lado das colheitadeiras, com pneus de alta flutuação, mas sem andar sozinho. A Volvo, então, incluiu um sistema que é composto por duas antenas GPS de alta precisão – o GNSS (Global Navigation Satellite System) e o RTK (Real Time Kinematic), para complementar o Volvo Dynamic Steering, sistema de esterçamento autônomo da marca.

Além disso, o veículo conta com dois giroscópios de alta sensibilidade e, para fechar, um display na cabine para que haja a interface entre o motorista e o caminhão.

Outras tecnologias da Volvo também foram utilizadas, como é o caso do Co-Pilot, já utilizado nos equipamentos de construção da marca, e também de contribuições de outros segmentos do grupo para colaborar com a parte de posicionamento do caminhão nos mapas e para a arquitetura eletrônica do veículo.

A parte legal é que o projeto foi desenvolvido por engenheiros da Volvo em Curitiba, contando com a colaboração de especialistas da marca na Suécia, além do suporte de técnicos das plantações de cana-de-açúcar da Usina Santa Terezinha, no interior do estado do Paraná.

Na prática

Mas, como tudo isso funciona na prática? Bom, é importante entender algumas peculiaridades do processo de cultivo de cana-de-açucar: são duas linhas de plantio separadas por 90 centímetros entre elas. Do lado de fora dessas duas linhas, fica o traçado para os veículos percorrerem, que geralmente dão apenas 30 centímetros de espaço para variação no trajeto tanto da colheitadeira quanto para o caminhão.

Manter o trajeto perfeito é extremamente importante, porque caso um veículo passe com as rodas sobre as linhas nas quais os pés de cana estão plantados, isso compromete o desenvolvimento da planta no próximo crescimento – a estimativa é que esse problema, chamado de pisoteamento de soqueiras (brotos), seja responsável por prejuízos que chegam a 12% da produção anual de cana-de-açúcar.

Isso posto, não é difícil entender o motivo da preocupação com a precisão e também a impossibilidade de operação dos caminhões durante a noite. Com a direção autônoma, no entanto, a história muda completamente.

Enquanto o RTK ajuda na parte de geolocalização, os giroscópios identificam com precisão a inclinação e o deslocamento de todo o veículo e seu movimento relativo. Tudo isso funciona em conjunto com a leitura de um mapa do lote, que mostra perfeitamente quais são as linhas que devem ser seguidas pelo caminhão.

O resultado é uma movimentação paralela à colheitadeira com uma precisão de 2,5 centímetros – inclusive durante a noite, algo que, segundo especialistas, seria impossível para um motorista humano.

Inclusive, dado que o processo de colheita é feito em um espaço curto de tempo, o veículo pode operar com precisão durante 24 horas por dia, sete dias por semana. Junte tudo isso e você entende por que a parte de andar sozinho é apenas uma das coisas legais a respeito do caminhão.

Nada de vendas (por enquanto)

Em todo caso, se você tem uma plantação de cana que precisa ser colhida e adoraria ter um VM Autônomo, talvez seja necessário esperar um pouquinho mais. No evento de demonstração da tecnologia, conduzido nas proximidades da cidade de Maringá, os executivos da Volvo explicaram que o veículo faz parte de um projeto e que ainda está sendo testado.

Ainda assim, é possível que em dois ou três anos já seja possível comprar uma versão comercial do veículo.

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