Entre lançamentos de foguetes e investigações a respeito de incidentes no campo de testes da SpaceX, Elon Musk gosta de lembrar o público que sua outra empresa, a Tesla, ainda tem muita lenha para queimar – ou energia elétrica para consumir – quando o quesito é oferecer novidades. Em um anúncio feito na quarta-feira (19), o executivo revelou que, agora, toda a frota de carros da marca vai contar com um sistema completamente autônomo de direção com a atualização do AutoPilot. Para provar seu ponto, a companhia liberou um vídeo mostrando o potencial desse recurso.

Segundo o chefão da casa, os seus novos veículos contarão com hardware especializado de direção autônoma. A ideia é que os bólidos saiam de fábrica equipados com oito câmeras de 360° com alcance de até 250 metros, 12 sensores ultrassônicos e um sistema de radar que pode “enxergar” na  chuva, névoa ou poeira. Tudo isso só é possível graças à “Tesla Neural Net”, que, baseada na microarquitetura das GPUs Titan, na NVIDIA, é 40 vezes mais rápido que a plataforma anterior – basicamente um supercomputador a bordo de um carro.

Elon Musk, o Tony Stark do mundo real

Com isso, a expectativa é que o sistema seja o mais preciso e avançado desenvolvido até agora, mas, provavelmente, não à prova de falhas. Antes de trocar definitivamente o condutor de carne e osso pela sua versão digital, a fabricante acredita que os engenheiros ainda precisam de mais dados e horas de testes para finalizar a parte do software para garantir que toda a operação seja a mais segura possível para seus clientes.

Nossas atualizações de software irão manter nossos clientes na vanguarda da tecnologia

“Como sempre, nossas atualizações de software over-the-air irão manter nossos clientes na vanguarda da tecnologia e continuar a fazer com que cada Tesla, incluindo aqueles equipados com a primeira geração do piloto automático, sejam mais capazes com o passar do tempo”, destacou a companhia. Uma curiosidade é que, pelo menos no início, alguns recursos de segurança devem ficar de fora da jogada. Frenagem de emergência, alerta de colisão, seguimento de faixa e controle de cruzeiro, por exemplo, só serão adicionados quando forem “robustamente validados”.

Demonstrando tudo na raça!

Em pouco menos de quatro minutos, o clipe exibe situações variadas o suficiente para catequizar – ou, pelo menos, impressionar – mesmo o pessoal mais cético em relação à tecnologia de veículos autodirigíveis. Ainda que o mecanismo esteja longe de ficar pronto e ainda mais longe de ser devidamente aprovado pelos órgãos de regulação dos EUA, não dá para deixar de ficar de boca aberta com a forma como o carro circula livremente por uma região da cidade.

Com o novo sistema da Tesla, você pode só apreciar a vista à bordo dessa belezinha

Sim, diferentemente de outros vídeos nos quais o automóvel inteligente é colocado em um percurso fechado ou testado em um percurso simples e livre de influências externas, a publicação da Tesla coloca seu carro em situações reais de trânsito. Ao som de “Paint It Black”, dos Rolling Stones, o brinquedinho sobre quatro rodas sai de uma garagem, atravessa ruas de bairro, ganha acesso a vias arteriais, pega a estrada e finalmente acha um lugar para estacionar na entrada do prédio da empresa.

O mais impressionante é a forma suave e extremamente natural com que o veículo freia, faz curvas, realiza ultrapassagens e retoma velocidade – sem qualquer tipo de dúvida ou engasgo, graças a um conjunto bem grande de sensores e câmeras incluídos no novo hardware. Ok, tudo muito bonito, mas por que há um passageiro no banco do motorista e com as mãos próximas do volante durante todo o trajeto? Não se preocupe, isso não é falta de confiança no sistema, é apenas uma exigência feita pelas leis norte-americanas.

Alguns áses na manga

Posteriormente, Musk foi ao Twitter para falar um pouco mais sobre a capacidade dessa nova plataforma autônoma que deve fazer parte de toda a frota da Tesla muito em breve. Ele revelou, por exemplo, que, quando os carros da marca estiverem procurando por vaga na rua, eles podem ler as placas para saber exatamente onde é permitido estacionar – evitando áreas reservadas para deficientes ou idosos. Chamar o automóvel para a sua posição também vai ser fácil: basta tocar na opção “Summon” (“Convocar”) no app mobile da Tesla.

Além disso, o executivo prometeu uma demonstração ainda mais ousada do sistema autônomo até o final de 2017. Para mostrar que a brincadeira é levada à sério dentro da empresa e que, pouco a pouco os limites dos carros autodirigíveis estão sendo superados, um veículo da empresa deve fazer um trajeto extenso, indo de Los Angeles para Nova York sem qualquer tipo de intervenção humana.

Mesmo evitando falar sobre como deveria se dar a regulação da categoria , Musk aposta em um modo mais passivo de direção em seus produtos para garantir que seu software inteligente para emplacar a ideia de que seu software é mais eficiente que os condutores tradicionais.

Olha, sem as mãos!

E aí, o que achou da “modesta” demonstração do novo sistema autônomo da companhia? Será que o futuro está, quase que literalmente, dobrando a esquina? Alguém aí ficou tenso ao ver o carro acelerando e virando o volante sozinho nas cenas em primeira pessoa? Deixe a sua opinião mais abaixo, na seção de comentários.

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