A fabricante Tectoy é conhecida por lançar produtos que buscam concorrer contra as gigantes internacionais nos mercados de entrada e intermediário com aparelhos menos potentes, mas com preços acessíveis ao consumidor brasileiro.

Desta vez, com o tablet Tectoy Veloce, a aposta está novamente em fazer você gastar pouco dinheiro, mas buscando também um maior equilíbrio com o desempenho. Isso porque o produto marca o início de uma parceria com a Intel, que será a responsável pelos processadores da marca.
A promessa de ambos os lados é oferecer novos aparelhos econômicos, estáveis e com performance otimizada. Além do novo chip, esse primeiro aparelho ainda traz câmera frontal e uma tela IPS de 7”.

Mas será que essa parceria já rendeu bons frutos para o consumidor e vai elevar a reputação da Tectoy no mercado nacional? É isso que você confere nesta análise.

A resolução das câmeras em megapixels, a memória RAM e o armazenamento interno são os mesmos da linha de tablets da Tectoy lançada em 2013. O que mudou foi a tela, que passou a ter a tecnologia IPS, e o processador Intel. Ambos garantem uma qualidade superior na execução de vídeos, além de fazer com que aplicativos e jogos um pouco mais pesados aparentem maior resolução. Apesar da falta de avanço em vários aspectos, houve melhora em outras áreas – o que faz com que o Veloce possa ser considerado uma evolução da marca.

Tudo bem que a memória de armazenamento pode ser ampliada com um cartão microSD, mas o espaço disponível é de apenas 4,3 GB dos 8 GB originais. Ou seja, quem não puder utilizar um cartão pode ter que economizar em apps, músicas e outros arquivos.

Design

O acabamento do Veloce é praticamente impecável, com ambos os chassis unidos de forma segura e sem erros no encaixe. A cor branca é bonita e a pintura parece bem realizada, mas é preciso ter cuidado com a higiene: a parte traseira do tablet pode ficar encardida facilmente depois de algum tempo de uso.

Os botões para ligar a tela e ajustar o volume, presentes na lateral direita do aparelho, são bem localizados e próximos uns dos outros, além de serem rígidos o suficiente para não serem pressionados por acidente. Já os conectores são firmes e não se desgastam ou quebram com facilidade, e a entrada do cartão microSD é particularmente bem protegida.

Quanto à ergonomia, é possível segurar o tablet tranquilamente e de forma confortável com uma das mãos, mas para mexer na tela ao mesmo tempo é necessário usar as duas. Isso acontece porque, apesar de proporcionar um bom “encaixe” no formato da mão, a traseira do Veloce é bastante escorregadia. Junto com os cantos acentuados, isso impede que você consiga utilizá-lo como se ele fosse um smartphone “tamanho família” na vertical.

E uma coisa não dá para negar: esse modelo é extremamente leve. Isso faz com que ele seja confortável de ser utilizado suspenso pelas mãos por muito tempo, além de poder ser carregado em uma bolsa ou mochila sem problemas.

Tela

O touchscreen do display IPS do Veloce é capacitivo e não apresenta problemas de resposta ou demora para executar comandos feitos com os dedos. O sistema multitoques funciona igualmente bem. Ela não parece ser muito resistente a pancadas e arranhões – uma película adicional que acompanha a caixa do aparelho pode ser bastante útil para evitar pequenos danos ao display. As configurações de brilho são satisfatórias.

O tablet é bastante fino, o que não é necessariamente um ponto negativo, especialmente para quem está atrás de um dispositivo portátil. Porém, as bordas são grossas demais, especialmente nas laterais – e isso não só dá a impressão de que parte do conteúdo foi “espremido” e que mais alguns milímetros poderiam ter sido aproveitados pelo display, mas também cria um desconforto na hora de assistir a vídeos ou visualizar fotografias.

Sistema operacional

A Tectoy implementou um launcher bem sutil por cima do sistema operacional móvel da Google. As modificações são bem leves em relação ao Android puro nas telas oferecidas e na janela de seleção de apps. O problema é que, nas configurações e ferramentas, algumas informações não foram traduzidas e estão em inglês, o que denuncia um desleixo da fabricante.

A barra de notificações recebeu uma personalização que pode ou não agradar usuários veteranos do Android. Se você deslizá-la no lado esquerdo do display, surgem as configurações de rede, brilho e bateria. No canto direito estão as notificações normais, como avisos de mensagens e downloads. Esse recurso não é exclusivo da Tectoy, porém é raro e resulta em uma alternativa interessante de organização.

As mudanças são mais perceptíveis também na barra fixa inferior. Em vez dos três botões tradicionais (um para voltar, outro para visualizar os apps abertos e um terceiro para retornar à tela inicial do aparelho), a Tectoy incluiu mais alguns atalhos. Entre eles, há dois botões para aumentar ou diminuir o volume do tablet que não respondem muito bem ao toque e precisam ser pressionados várias vezes para maiores alterações no áudio.

Mas a maior novidade é mesmo a presença de um botão digital para capturar a tela. Ele é mais rápido que o atalho tradicional, que envolve pressionar dois botões físicos e aguardar alguns instantes, e salva normalmente a imagem na galeria. Só que esse não é um recurso utilizado tantas vezes pelo consumidor regular para exigir um botão próprio, sem contar que o ícone em forma de câmera se confunde com a função de fotografia – acredite, tiramos várias screenshots sem querer durante os nossos testes.

Câmera

O Veloce não é um tablet de qualidade quando o assunto é fotografia. A presença de uma câmera frontal até eleva o patamar do aparelho e o torna uma alternativa para videoconferências, mas a resolução em ambos os lados é extremamente baixa.

Tanto a câmera traseira quanto a frontal têm qualidade baixa de resolução e não são indicadas para quem está em busca de boas fotografias. A gravação de vídeo também não apresenta grandes resultados, especialmente se você mexer muito o braço que segura o aparelho.

O app da câmera é muito simples e limitado. As configurações de qualidade são quase nulas e não há algumas ferramentas bem comuns, como a grade de enquadramento. Os modos de vídeo e panorâmico são os únicos recursos adicionais que existem.

Áudio

Se o vídeo do tablet é garantido, o mesmo não pode ser dito do áudio. A qualidade de som que sai do Veloce é fraca: há muito ruído e baixa definição, dando a impressão de que o aparelho ainda está dentro de uma caixa. Além disso, o volume mais alto possível não é tão estrondoso assim.

Outro fator negativo está no conteúdo da caixa do aparelho: ele não acompanha um fone de ouvido, apenas o cabo micro USB e o encaixe para tomadas, o que faz com que você precise usar seu próprio fone caso queira um áudio relativamente melhorado – mas ainda com problemas.

Reprodução de vídeo

Testamos o Tectoy Veloce na reprodução de vídeos e ele mostrou um bom desempenho – isso levando-se em conta as especificações técnicas e o público do aparelho. Ele reproduz vídeos com competência na melhor definição que consegue, apresentando boas características de brilho e cor.

Se você visualizar o conteúdo contra o sol (e isso não vale somente para vídeos), alguns reflexos podem complicar a identificação da imagem, mas ainda assim é possível visualizar o que é exibido no display.

Bateria

A bateria de 2.800 mAh pode assustar pelo valor um pouco baixo para os padrões de tablets, mas ela aguenta bem a execução de jogos e vídeos e fica na média desses aparelhos. Em reprodução contínua de conteúdo, ela pode durar até 3 horas e meia. Em modo standby, completamente sem uso e com a tela bloqueada e desligada, ele pode aguentar entre 20 horas e 30 horas até zerar completamente a bateria.

Benchmarks

O Tectoy Veloce suporta grandes jogos e apps normalmente, tem boa resolução para gráficos 2D e 3D e memória RAM dentro dos padrões. Mesmo sem apresentar problemas no uso casual, ele obviamente não é um aparelho de elite, ficando atrás até mesmo de vários smartphones de anos atrás, de acordo com testes realizados pelo TecMundo. Em comparação com outros tablets de 7” ou intermediários de fabricantes similares, ele também não apresenta grande desempenho.

Mas fica a lembrança: o problema de usar um processador Intel é a falta de compatibilidade com certos jogos, já que muitos escolhem ignorar a arquitetura e deixam de fora esses chips.

Preço

O valor sugerido pela fabricante é de R$ 329,00, mas é possível encontrá-lo em sites de pesquisa de preço como o Buscapé por R$ 279,65 à vista. O valor, especialmente na promoção citada, é bastante baixo – principalmente levando em conta que esse tablet é mais indicado para quem ainda não é veterano entre esse tipo de aparelho e vai utilizá-lo somente para lazer e acesso à internet de forma mais casual.

Vale a pena?

O Veloce é o primeiro aparelho da parceria entre Intel e Tectoy e é natural que a integração entre processador e gadget ainda não esteja totalmente equilibrada. Mesmo assim, a fabricante consegue oferecer um produto com qualidade para o mercado intermediário, corrigindo pontos negativos de modelos anteriores – embora algumas falhas tenham sido mantidas.

O aparelho não apresenta falhas no design e roda a grande maioria de aplicativos e jogos sem problemas. A reprodução de vídeo é competente e a bateria está dentro dos padrões de tablets medianos.

Entre os defeitos, destacam-se a câmera de baixa resolução em ambos os lados e a largura da tela reduzida por conta de bordas grossas demais, sem contar os problemas na reprodução de áudio. O sistema operacional personalizado apresenta algumas decisões questionáveis, mas nada que realmente prejudique a navegação do usuário.

Superior ao concorrente DL X-Pro 7, o Veloce possui vários pontos positivos que devem ser aprimorados no decorrer da linha, deixando esperançosos os fãs da fabricante e quem está em busca de um tablet de qualidade e baixo custo.

Em resumo, para a faixa de preço e para usuários sem grandes pretensões de uso para um tablet, ele é uma grande escolha. Caso queira um pouco mais de potência, aguarde por um produto ainda melhor vindo da parceria entre Intel e Tectoy ou economize para obter um dispositivo menos recente, mas de configurações elevadas, como o ASUS MemoPad HD 7.

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