O gênero MOBA não é muito conhecido pela criatividade: a jogabilidade desse estilo se repetiu em vários títulos desde que League of Legends e DotA 2 travam a maior briga pelos games de arena. Apesar das ressalvas ditadas por Smite e Heroes of the Storm, quem já passou por milhares de partidas nesse conceito tende a sentir a falta de um pouco de inovação. Atingiu aquele ponto de saturação em que tudo parece cópia.

Quando o trailer de anúncio de Supernova foi lançado, eu já sabia que esse jogo tinha motivos para me deixar realmente empolgado. Não enlouqueci pelos exércitos e heróis combatendo em arenas e soltando dezenas de magias — isso é quase um requisito básico para o gênero. Me empolguei por um game futurista que não demorou para abraçar o berço dos MOBAs: a estratégia.

Algumas semanas atrás, o game da Namco Bandai chegou em Closed Alpha para que os fanáticos pelo gênero pudessem dar uma olhada no desenvolvimento do jogo. Com um pouco de sorte, conseguimos uma chave para essa limitada fase e viemos contar as primeiras impressões desse título que pode consumir algumas boas horas das suas jogatinas no futuro.

Enraizado na estratégia

Não precisou que alguém reconstruísse o gênero para que ele parecesse saudável e atrativo para outros perfis de jogadores. Supernova traz as mesmas batalhas entre dois times que você tanto conhece ou tenta explicar para seus amigos — a diferença aqui é que, ao invés de tropas invariáveis, você é o responsável por construir o exército que irá cercar as defesas do time inimigo.

Sem dedos rápidos ou lendas coreanas: seu objetivo aqui é apenas definir a composição do seu time. Ao escolher uma das duas facções, disponíveis entre humanos e ciborgues, você terá um leque diferente de unidades para treinar. Humanos contam com diferentes tipos de infantaria e veículos, enquanto os ciborgues focam em unidades mais poderosas individualmente.

Pode parecer simples demais, mas esse conceito resgatou algo muito adormecido em um inconsciente especializado por Warcraft: macrogerenciamento. Você recebe uma quantia de recursos para investir em seu exército, e deverá escolher sabiamente em qual ordem habilitar suas unidades, treiná-las e desenvolver suas melhorias. Um desenvolvimento estratégico muito mais aprofundado que os outros MOBAs.

Para completar o embate tático, algumas unidades são mais efetivas contra outras no campo de batalha, precisando que seu exército se adapte constantemente nos estágios mais avançados da partida.

As tropas podem crescer até um determinado limite, respeitando a força de cada unidade. Com 50 pontos, você pode ter vários tanques de guerra ou uma quantia absurda de atiradores humanos. A escolha depende do calor da guerra e da estratégia da sua equipe.

MOBA temperado com RPG

Outro diferencial grande é a possibilidade de customizar seu comandante por meio de especializações e pontos de atributos. Com os pontos de atributos, você aumenta diversas variáveis do seu personagem, como dano de ataque, recarga das habilidades, vida e armadura, entre outros.

Há também o desbloqueio de “masteries”, que dão novos efeitos ao personagem e aumentam o limite de pontos que você pode usar em determinados atributos. Como joguei muitas vezes de atiradores, eu usava esses pontos para aumentar o dano crítico dos meus tiros, garantindo também retorno de vida a cada ataque e aumentando a velocidade dos meus disparos.

Mas eu também podia fazer combinações muito mais criativas. Se eu gostasse de uma maga como Velandre, por exemplo, poderia especializá-la somente em redução de recarga para soltar milhares de magias pelo mapa. Ou posso torná-la uma guerreira resistente... Nada me impedia de brincar com esses conceitos.

Na saturação do gênero, confesso que realmente senti falta de um jogo em que pudesse construir um herói do jeito que eu queria, sem limitações ou obstáculos. Nem que isso signifique um atirador disparando três tiros por segundo e que pode ser derretido pelo outro time. É aquele risco divertido que você já experimentou ao fazer aquela “build” estranha, não é mesmo?

Um exército com a sua cara

A inspiração de Supernova é forte em League of Legends. Fora das partidas, é possível customizar muitos aspectos que estarão presentes durante a batalha.

Conforme o nível da sua facção, você desbloqueará novas unidades para compor seu exército. Drones invisíveis, tanques de guerra, aeronaves poderosas: todas elas deverão ser selecionadas antes da partida começar, permitindo que o jogador tenha que fazer decisões antes mesmo de entrar no campo de batalha.

Também é possível inserir pequenas tecnologias para aumentar os atributos individuais de cada unidade. Aumento de ataque, vida, resistência... Todos eles poderão receber até três melhorias diferentes nesse quesito.

Seu comandante receberá acessórios para aumentar seus atributos básicos ou dar efeitos adicionais. Pense como as “runas” de League of Legends: elas dão roubo de vida, defesa e até mesmo aumento de experiência para seu campeão.

Antes de entrar no campo de batalha também será possível escolher até três magias diferentes para seu personagem. Explosões em área, drones que revelam um espaço por um tempo determinado, caixas médicas que curam as unidades em volta... São várias opções que seu herói terá à sua disposição conforme o nível da sua facção.

Gameplay derivado

Resgatando novamente a inspiração em League of Legends, o único mapa presente na fase Alfa foi Desert, uma variação de Summoner's Rift com caminhos pelas montanhas, monstros neutros e pequenos espaços de camuflagem. Com certeza você vai se lembrar das “moitas” de League of Legends.

Mas a diferença aqui é a movimentação. Seu comandante não é muito mais rápido que as demais unidades, ficando mais difícil se esquivar de magias e outras habilidades. De fato, as tropas aqui podem ser muito maiores que seu próprio personagem, relembrando um aspecto realístico do seu herói.

Para reforçar esse equilíbrio, batalhar com as ondas de inimigos é uma tarefa constante em Supernova. O exército não é composto por meras unidades que você pode executar imediatamente, o que valoriza seu trabalho em compor a melhor composição para pressionar o adversário.

Mas o jogo te dá uma ajudinha na movimentação. Além do famoso “recall” — aqui feito por uma nave que te busca no campo de batalha e te leva para a base —, essa embarcação pode fazer o trabalho inverso e te levar ao lado das tropas, eliminando aquele cansativo momento em que você precisa voltar a pé para a guerra.

Os comandantes, em sua maioria, não apresentam mecânicas muito diferentes do que já conhecemos em League of Legends ou DotA 2. Tiros em linha reta, bônus de ataque, magias em área, curas... Você conhece isso do seu MOBA favorito. Se ainda não conhece, eles não apresentam uma linha de aprendizado difícil, o que facilita você a entrar nesse mundo frenético das arenas.

Uma promessa quente

Supernova é diferente, exatamente o que um MOBA precisava para cativar a atenção da comunidade. Comparações com League of Legends são inevitáveis, afinal o MOBA da Riot Games é um dos melhores exemplos que equilibram profundidade estratégica com a jogabilidade simples.

Mas aqui há um tempero único: uma valorização diferente para a estratégia. A tática principal da sua equipe não é mais composta pela sinergia de cinco personagens, mas de cinco exércitos inteiros. A Bandai Namco separou algo muito especial com esse jogo, e está tomando muito cuidado em saber se esse conceito está agradando nas fases de testes.

Como um fã das brigas entre humanos e orcs por Azeroth, Supernova representou uma prévia interessante do que está chegando para os frenéticos jogadores de arena. Deixe seu personagem de lado por um instante — ele agora é parte de um exército completo em Supernova.

Via BJ

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