O corpo humano é uma incrível máquina de sensações. Através dos olhos, ouvidos, nariz, pele, língua e outras partes, é possível compreendermos uma infinidade de estímulos produzidos pelo mundo ao nosso redor. Infelizmente, por inúmeros motivos, muitas pessoas possuem algum tipo ou grau de deficiência que as impede de captar todas essas informações.

Pensando nisso, o neurocientista David Eagleman e seu aluno de graduação Scott Novich desenvolveram, com a ajuda de investidores do Kickstarter, um colete com uma tecnologia especial. Por meio dele, um deficiente visual ou auditivo recebe estímulos vibratórios que podem ser traduzidos em informações.  O nome do protótipo é simples: VEST, palavra inglesa para colete, mas também sigla para Versatile Extra-Sensory Transducer, em tradução livre, transdutor extrassensorial versátil.

A ciência por trás do colete

A parte traseira do colete possui uma porção de dispositivos vibratórios que interagem com a pele do usuário. Assim, uma informação sonora, por exemplo, é recebida por meio de um smartphone que está ligado ao colete. O smartphone vai realizar o processo de “tradução” dessa informação, transformar dados auditivos em dados táteis e enviá-los para o colete. A mensagem, agora em forma de vibração, é passada para a pele das costas do usuário. É assim que um deficiente auditivo pode entender uma mensagem sonora.

No fim das contas, todo tipo de sensação que temos não é nada mais do que pulsos elétricos no nosso cérebro. É a maneira como o cérebro os interpreta que muda. E, nesse caso, ele entende a informação tátil das vibrações como palavras, frases, sons e imagens. É dessa mesma forma que, por exemplo, um cego consegue “ler” algo escrito em braile.

Funcionamento do VEST

O neurocientista chama essa teoria de “Sr. Cabeça de Batata”, como aquele brinquedo em que se monta as partes do rosto em um boneco em forma de batata. Cada uma das partes sensitivas do nosso corpo é independente e se conecta diretamente ao cérebro.

Facilidade para se adaptar

Durante a demonstração feita no TED, na última terça-feira (17), em Vancouver, Eagleman afirmou que, com cerca de cinco dias de treinamento, qualquer pessoa pode começar a usar o colete já diferenciando os tipos e locais de vibração e entendendo significados de palavras simples. Com o tempo e mais treinamento, em média de duas a três semanas, conceitos mais sutis podem ser entendidos por meio das vibrações do VEST, facilitando muito a comunicação de pessoas deficientes.

Além dessa função, essa tecnologia pode também ser empregada no futuro em outros tipos de comunicação, por exemplo, o monitoramento de informações complexas como os instrumentos de voo de um avião. Um piloto treinado poderia facilmente ter mais noção do que está acontecendo com a aeronave através desses estímulos vibratórios, sem a necessidade de ver ou ouvir tudo.

Com lançamento comercial esperado para 2016, o colete deve ter um custo de US$ 1 mil a US$ 2 mil, cerca de 20 vezes mais baixo do que, por exemplo, um implante coclear, uma das soluções possíveis para certos tipos de surdez.

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