O mundo dos video games sempre procurou novas formas de imersão para aumentar a experiência dos jogadores. Se você pode ver uma história sendo contada, também pode sentir-se dentro dela e, para que isso seja cada vez mais real, novas formas de controlar os jogos são necessárias, pois nem sempre um direcional analógico e uma sequência de botões são suficientes para que você se sinta no lugar do herói.

Quando a Nintendo apresentou o Wii, a empresa sacudiu o mercado e deixou o mundo todo impressionado com o sistema de controles do console. Era a primeira vez na história que um sistema eficiente de controle por movimentos era lançado, e isso prendeu a atenção de jogadores e curiosos por muito tempo.

A Microsoft foi um pouco mais longe e lançou o Kinect. O aparelho possui diversas câmeras e sensores de movimento para detectar a presença dos jogadores sem a necessidade de controles externos.

(Fonte da imagem: Reprodução/Microsoft)

A empresa também deve trazer, com o próximo Xbox, uma nova versão do Kinect, muito mais poderosa e precisa do que antes. Além disso, ela apresentou recentemente um conceito impressionante: o Illumiroom, um sistema que mescla sensores de movimento com projetores para criar uma nova forma de ver os jogos.

Há pouco tempo nós comentamos sobre o Oculus Rift. O dispositivo é o primeiro “capacete” de realidade virtual realmente poderoso. A tecnologia permite que você entre no mundo dos jogos de forma impressionante.

Qual é o próximo passo nos controles por movimento?

Um dos problemas do Oculus Rift foi apresentado pelo seu próprio inventor, o jovem Palmer Luckey. Segundo ele, movimentos muito rápidos podem acabar deixando o jogador desorientado, e uma forma inteligente para resolver esse problema seria a utilização de uma esteira omnidirecional.

E parece que não teremos que esperar muito para ver um dispositivo como esse pintando por aí, pois uma companhia chamada Virtuix está desenvolvendo um sistema para trabalhar em conjunto com o Oculus Rift.

O equipamento batizado simplesmente como Omni é uma esteira omnidirecional, ou seja, ela funciona quase da mesma forma de uma esteira comum — daquelas que você utiliza na academia para poder correr sem sair do lugar. Entretanto, na Omni você pode correr em várias direções diferentes.

De acordo com a Virtuix, a Omni é a primeira esteira omnidirecional que poderá ser adquirida por consumidores comuns, pois, quando for lançada, terá um preço relativamente acessível; o fabricante espera conseguir colocar o produto no mercado por um valor que fique entre US$ 400 e US$ 600.

Além disso, o modelo também possui vantagens importantes em relação a outros tipos de esteiras omnidirecionais, como a possibilidade de poder ser acomodado facilmente em uma sala de estar comum. Isso só é possível porque que o seu tamanho não é muito diferente daquele de uma esteira de corrida tradicional.

A Virtuix afirma que a Omni foi desenvolvida para proporcionar um modo extremamente realista de movimentos em ambientes virtuais, não sendo exclusivo somente para games, mas que também poderá ser utilizado para eventos, encontros virtuais, turismo virtual e muitas outras atividades.

Como a Virtuix Omni funciona?

Uma esteira tradicional possui um motor que faz uma tira de borracha “correr” sob os seus pés. Conforme você caminha sobre ela, uma força anula a outra, permitindo que você possa correr infinitamente mesmo sem sair do lugar.

A Omni não possui uma esteira móvel, pois reproduzir esse movimento em 360 graus é algo muito mais complicado de se fazer. Em vez disso, ela é construída com uma superfície côncava e lisa, de baixa fricção. São oito placas posicionadas lado a lado formando um octógono inclinado.

(Fonte da imagem: Reprodução/Virtuix)

Para correr sobre ela, é preciso utilizar um sapato especial — que também possui pouca fricção e pode deslizar facilmente sobre a superfície da Omni.

Para evitar que você leve um tombo enquanto corre sobre a esteira, existe uma espécie de suporte que segura você pela cintura (lembrando um pouco aqueles andadores de bebês) e permite uma movimentação mais livre. Além disso, esse suporte pode ser ajustado em altura e diâmetro, permitindo que qualquer um possa usar a plataforma para jogar.

Outro sistema independente é responsável por reconhecer os movimentos do corpo, permitindo que você corra, pule ou se abaixe (inclinando o corpo para frente).

A Omni também poderá interpretar a velocidade com que você caminha sobre ela, como se fosse um controle analógico. Porém, é preciso que essa função seja programada nos jogos para funcionar. A rigor, ela tem duas velocidades: andar e correr, assim como a maioria dos jogos em primeira pessoa.

Virtuix Omni + Oculus Rift = imersão total?

A Virtuix já deixou claro que o Omni precisa de um par de óculos de realidade virtual para que a imersão seja completa.

A empresa também não esconde a sua empolgação com o Oculus Rift. Segundo o criador do equipamento, a união da Omni com o novo capacete de realidade virtual vai finalmente trazer uma experiência de realidade virtual perfeita para as salas de estar.

Porém, ainda é preciso resolver um problema: Oculus Rift coloca o movimento da câmera na sua cabeça, ou seja, a mira da arma, em teoria, ainda é feito com o movimento da câmera. Isso causaria um efeito estranho nos jogos; imagine você correndo por um ambiente virtual e tendo que mirar “com a cabeça” nos alvos. Isso seria o mesmo que ter uma arma presa na sua cabeça, o que não faria sentido.

(Fonte da imagem: Reprodução/Virtuix)

Para resolver esse problema, a Virtuix disse já estar trabalhando em um sistema independente de detecção de gestos e movimentos que deverá “desacoplar” a movimentação da mira do movimento da câmera, tornando a jogabilidade muito mais real.

A empresa garante que, em breve, movimentos de armas como espadadas e arco e flecha farão parte do conjunto. Desse modo, o sistema poderá funcionar de forma independente, permitindo que você caminhe para onde quiser, mire nos inimigos com as mãos e movimente a cabeça apenas para olhar para os lados, exatamente como acontece na vida real.

Multiplataforma

A Omni está sendo criada com base no PC, mas o produto final deve ser compatível com outras plataformas, como o PlayStation e o Xbox. Segundo a fabricante, em teoria, o sistema pode funcionar com qualquer outro que receba os comandos via teclado ou mouse.

Porém, para garantir compatibilidade total, é preciso que os softwares ofereçam suporte à plataforma. Isso não é tão difícil acontecer, uma vez que muitas empresas já estão anunciando compatibilidade com o Oculus Rift.

(Fonte da imagem: Reprodução/Virtuix) 

O projeto ainda é recente e, no momento, a Virtuix está se preparando para iniciar uma campanha no Kickstarter. Se tudo correr bem, a empresa planeja começar a arrecadação de fundos para o projeto em junho deste ano. De acordo com a equipe, é preciso planejar muito e calcular exatamente quanto tudo vai custar antes de começar a arrecadação.

Outros modelos de esteiras omnidirecionais

A Virtuix está investindo para criar um produto que seja muito mais acessível ao público em geral. A esteira da empresa não é o primeiro produto desse tipo, mas é uma das primeiras iniciativas a oferecer um equipamento mais atraente para o consumidor comum, tanto em termos de tamanho quanto de preço.

O novo equipamento também parece ser muito mais confortável para os movimentos, principalmente se comparada com outros modelos de esteiras omnidirecionais. Um exemplo disso é a Wizdish, que trata-se de uma plataforma plana em que você apenas desliza os pés para frente e para trás para simular a caminhada. Quem olha de longe deve imaginar que o jogador está dançando o “Moonwalker”.

(Fonte da imagem: Reprodução/Wizdish)

Outro modelo de esteira omnidirecional em projeto é o Stringwalker. O equipamento é bastante complexo: o usuário deve posicionar cada um dos pés sobre quatro “cordas”, que controlam os passos, anulando os movimentos. Cada corda possui um motor independente que serve para controlar as passadas, permitindo movimentos em qualquer direção.

(Fonte da imagem: Reprodução/Tsukuba)

A Virtusphere parece ter saído diretamente de um parque de diversões. O equipamento é uma esfera gigantesca que fica sobre um mecanismo de rotação. Assim que a pessoa entra nela, é possível caminhar e correr livremente em qualquer direção, pois os movimentos são anulados pelo sistema de rotação. Diversos sensores ficam conectados a um capacete de realidade virtual sem fio para que o utilizador possa entrar no mundo virtual.

(Fonte da imagem: Reprodução/Virtusphere)

Já o CyberWalk é o maior e mais complexo sistema de todos. O equipamento é composto por uma série de esteiras (semelhantes aos modelos tradicionais de academia) que são posicionadas lado a lado para que seja possível mesclar os movimentos executados nos eixos X e Y. Assim que a pessoa muda de direção, as esteiras trabalham no sentido oposto para anular os movimentos.

A realidade virtual chegou definitivamente?

Será que a Virtuix Omni vai cair no gosto do popular? Afinal de contas, por mais divertido que seja entrar completamente em um mundo de realidade virtual, correr e pular por horas a fio não é uma tarefa muito fácil (e talvez nem mesmo divertida) para a maioria dos jogadores.

A verdade é que a união da Omni com o Oculus Rift deverá nos proporcionar uma nova e praticamente inédita forma de entretenimento. E talvez, pela primeira vez na história, o consumidor comum vai poder ter acesso a avançados sistemas de realidade virtual; algo que antes era restrito aos laboratórios de pesquisa e treinamentos militares.

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