Quando assistimos a filmes ou jogamos games de ficção científica, é comum pensarmos em que momento os equipamentos, as armas, os veículos e os acessórios futuristas que vemos nessas obras realmente se tornarão verdade – e se existem possibilidades reais de existirem em nosso mundo, pelo menos não em um período tão distante. O último jogo da série Call of Duty trouxe novamente alguns desses questionamentos.

Glen Schofield, diretor criativo da Sledgehammer Games, afirmou que tudo o que vemos em Call of Duty: Advanced Warfare foi feito com base em pesquisas reais. Os desenvolvedores trabalharam diretamente com militares para criar esse futuro que fosse ao menos crível aos nossos olhos. Com o lançamento do jogo, muitos aspectos futuristas foram apresentados devido ao contexto do jogo (o primeiro título da série que pende mais forte para o lado da ficção científica).

Acontece que algumas dessas tecnologias já existem atualmente – sim, de modo adaptado e bastante inferior ao que vemos no jogo, porém elas estão parcialmente presentes. Em primeiro lugar, se tem algo que recebe bastante destaque no novo jogo da Sledgehammer Games, é o uso massivo de exoesqueletos. Hoje, os exoesqueletos já existem em várias versões, sejam protótipos industriais, militares ou voltados ao setor da saúde.

É claro que não é praticável desenvolver hoje um equipamento no estilo “Homem de Ferro”, apesar de já termos publicado um artigo especial aqui no TecMundo que diz que quais aspectos da armadura de Tony Stark são possíveis e impossíveis para nossas tecnologias atuais. O TALOS, projeto em desenvolvimento nos Estados Unidos, é um caso de exoesqueleto em fase de estudos. Mais um exemplo de um exoesqueleto atual e que será produzido para o mercado industrial é o Fortis.

Um suporte para o corpo humano

O objetivo do Fortis não é deixar o usuário mais forte e poderoso, porém aliviar o peso dos equipamentos industriais que ele deve carregar ao distribuir o peso pelo resto do corpo e pelo chão, tudo através da estrutura que é focada no apoio das pernas.

Na Coreia do Sul, também já foram desenvolvidos exoesqueletos capazes de ajudar na construção de navios, como já comentamos anteriormente no TecMundo. Veja abaixo um exemplo do Fortis (ou clique aqui para ler o artigo completo):

No campo militar, existem exoesqueletos que foram testados e produzidos em escalas pequenas, como o Warrior Web e o Hercule.

Porém, diferente do que vemos em Call of Duty: Advanced Warfare, em que os soldados realmente possuem bastante mobilidade e podem dar saltos muito altos com o equipamento, os exoesqueletos reais possuem como objetivo aliviar o peso dos próprios apetrechos que os militares carregam (de modo parecido com o Fortis, porém permitindo mais mobilidade também). 

Armaduras no estilo "Homem de Ferro" definitivamente não estão próximas de se tornarem reais

Um dos grandes desafios das tecnologias militares é fazer com que os equipamentos vestidos não pesem tanto para os soldados, já que em alguns casos eles carregam quase o dobro do próprio peso. E, como todos nós sabemos, se movimentar livremente e rapidamente em um local está profundamente ligado à habilidade de sobreviver no campo de batalha – pessoas lentas são alvos fáceis.

Por isso, os exoesqueletos não estão sendo utilizados extensivamente no campo militar (pelo menos por enquanto), principalmente por serem grandes, pesados e lentos. Os focos atuais das pesquisas desses mecanismos estão concentrados na diminuição do peso que os soldados devem carregar, assim como vesti-los com um equipamento que os deixe mais fortes – algo um tanto complexo de ser equilibrado.

O uso real e prático dos jetpacks

Mais um equipamento interessante foi apresentado em Call of Duty: Advanced Warfare e que já existe hoje, porém não nas mesmas condições: o jetpack. Várias versões dele também já foram produzidas por empresas e universidades, apesar de serem maiores e não tão potentes quando o equipamento que vemos no jogo da Sledgehammer Games.

Na verdade, os jetpacks de Advanced Warfare parecem mais com propulsores momentâneos que permitem que os soldados realizem saltos anormais, enquanto os equipamentos reais, digamos assim, são focados em voos mais estáveis (ou tentam ser). Em alguns casos específicos, como o desse aparelho desenvolvido pela Universidade de Arizona, o objetivo do acessório não é nem permitir que o usuário voe, mas sim que se movimente de modo mais rápido.

Um dos jetpacks mais falados nos últimos anos foi o Martin Jetpack, desenvolvido na Nova Zelândia e adiado algumas vezes. Hoje, já na sua versão final, o equipamento passou por diferentes modificações internas e externas, porém mesmo assim é bem grande e está longe do que vemos nos nós jogos de ficção científica. Entretanto, não há como negar que ele é muitíssimo interessante (você pode conferir mais detalhes sobre ele aqui).

Armas de laser que não são tão reais

Apesar de Call of Duty: Advanced Warfare pender para o lado mais realístico do futuro, o jogo traz duas armas específicas que não existem no mundo hoje, embora haja protótipos e experimentos para desenvolver equipamentos similares. Estamos falando da EM1 Quantum Directed Energy Weapon (capaz de disparar raios laser) e da EPM3 (que pode atirar raios de plasma).

Supostamente, esses armamentos são baseados nas tecnologias DEW (Directed Energy Weapons), que são capazes de concentrar enormes quantidades de energia em um determinado alvo. Contudo, os aparelhos que fazem esse tipo de disparo são enormes, normalmente acoplados em veículos, e exigem muito espaço externo que potencializam suas forças.

Arma EPM3 de Advanced Warfare (capaz de disparar raios plasma e de não precisar de munição, apesar de superaquecer com o tempo).

Diminui-los para escalas de armamentos consideravelmente menores é um tanto implausível – para não dizer impossível, se realmente estamos falando em atingir inimigos. Portanto, nesse quesito, não podemos esperar por poderosas e brilhantes armas de laser em um futuro tão próximo (melhor deixar essas características para filmes como “Star Wars” e “Star Trek”).

De modo geral, podemos dizer que Call of Duty: Advanced Warfare conseguiu trabalhar bem aspectos tecnológicos que existem hoje e deixá-los mais avançados para se tornarem plausíveis no futuro – com algumas ressalvas, é claro, porém que mesmo assim existem hoje de modo parcial e não são completamente fantasiosos. Levando em consideração que esse é, no final das contas, somente um jogo, o resultado obtido pela Sledgehammer Games foi bastante interessante, já que não vemos robôs gigantes ou armas mirabolantes demais.

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