Na hora em que uma pessoa é demitida, mil coisas passam na sua cabeça: como pagar as contas durante os próximos meses, a maneira certa de atualizar seu currículo e, em alguns casos mais controversos, até ideias maquiavélicas de como se vingar da empresa. Esse último item parece ter afetado o norte-americano Triano Williams, que, ao ser demitido do seu emprego na American College of Education (ACE), “raptou” todas as senhas da instituição e pediu um regaste de US$ 200 mil – cerca de R$ 642 mil – para acertar as contas.

Foi preciso um longo histórico negativo dentro da companhia para que, teoricamente, o profissional de TI colocasse em prática uma estratégia próxima à da aplicada pelos cada vez mais temidos ransomwares. De acordo com o USA Today, o episódio teve origem em uma decisão da universidade de dar uma boa enxugada em seu quadro de funcionários. Ao que parece, a ação teve início no ano passado e afetou principalmente o setor de Tecnologia da Informação da universidade – que trabalha majoritariamente com cursos oferecidos pela web.

A universidade depende do conteúdo online para funcionar

De um dia para o outro, milhares de estudantes tiveram acesso negado às suas apostilas

Com o crescimento dos cortes, Williams eventualmente acabou se tornando o único representante da categoria lá dentro e, por consequência, o responsável por administrar todas as soluções digitais da empresa – desde os emails até o material que era distribuído aos alunos pela internet. Alguns meses depois, o rapaz também foi desligado pelo ACE. O resultado da demissão? De um dia para o outro, milhares de estudantes tiveram acesso negado às suas apostilas, o que causou diversos problemas no período de volta às aulas.

De início, a universidade acreditava que apenas os passwords dos usuários tinham sido alterados; porém, quando tentaram acessar a conta principal da instituição – que gerencia todas as outras –, se deram conta de que a história era bem mais complicada. Depois de bloquear esse usuário principal em virtude de tentativas sucessivas de login com o password antigo, a empresa teve que contatar o ex-funcionário para tentar resolver a situação, já que o suporte da Google se recusava a restaurar o acesso à companhia.

Sacanagem ou ação justificada?

Como Williams era o único administrador registrado para a conta do Gmail da ACE, ele se sentiu na liberdade de dizer à sua antiga empregadora – por meio de advogados – que bastava uma carta de recomendação e US$ 200 mil para que ele consertasse tudo. Não contente com isso, o norte-americano também fez questão de se esquivar de acusações de ter feito qualquer mudança de propósito. Ele afirma ter deixado a senha correta salva em um notebook devolvido em maio de 2016 para a instituição de ensino e que eles teriam perdido essa informação.

Após mais algumas rodadas de acusações e processos movidos nos tribunais dos EUA por advogados de ambos os lados, um juiz chegou a ordenar que o profissional de TI pagasse quase US$ 250 mil (R$ 803 mil) a seus ex-empregadores para compensar possíveis prejuízos com toda a situação – mudando completamente o cenário da disputa e das “exigências” do administrador. A saga tecnológica – e jurídica –, no entanto, parece bem longe de acabar.

Tanto ele quanto outros funcionários da escola sofreram discriminações raciais e foram demitidos por serem negros

Embora possa parecer, em um primeiro momento, que Williams esteja tentando tirar vantagem do episódio, ele chegou a explicar que tanto ele quanto outros funcionários da escola sofreram discriminações raciais e foram demitidos por serem negros. Com base nisso, tanto o valor pedido por ele quanto a tal carta de recomendação seriam formas de acertar os erros da própria empresa com seu antigo colaborador.

Enquanto as coisas não se resolvem definitivamente, a ACE conseguiu até obter acesso à sua conta através de um novo contato com a Google, que, depois de conferir que não se tratava de nenhum caso de hacker aplicando suas táticas de engenharia social, liberou senha e dados para a escola. As lições, com isso, parecem ser bem claras: 1) é mais sábio registrar serviços na nuvem no nome da companhia, não de algum funcionário específico; e 2) pode sair bem menos caro, na maioria das vezes, tratar os empregados com um pouco mais de dignidade.

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