Dá para dizer com bastante segurança que, em boa parte dos negócios, os chineses podem até não ser os primeiros a investir em um novo produto, mas não demora até que eles abracem um mercado e mostrem para os competidores “como se faz”. Se no segmento mobile a China mostra um crescimento constante de sua força ano a ano, o país se prepara para dar um salto ainda mais espetacular em um determinado nicho do setor automotivo – um movimento que deve assustar nomes já estabelecidos da indústria.

O mercado em questão é o das fabricantes de baterias, especificamente daquelas que resolveram se especializar nos veículos híbridos ou 100% elétricos. Gigantes em escala global em uma infinidade de ramos, as sul-coreanas Samsung e LG Chem – o braço “químico” da LG – se preparam para ampliar sua linha de produção desses componentes para a Europa. Simultaneamente, a BYD pulveriza a sua fabricação entre soluções para carros e centrais de armazenamento de energia.

O foco da companhia chinesa é superar todos os outros competidores

Bastante conhecida no setor, a Panasonic, por sua vez, formou uma aliança lucrativa com a Tesla para alavancar ainda mais os seus negócios na área e ajudar a montadora de Elon Musk a construir a sua tão almejada Gigafactory nos EUA. Onde os chineses entram nessa história? Por meio da marca CATL (Contemporary Amperex Technology Ltd), um nome que começa a despontar nesse segmento sem qualquer perspectiva de colocar o pé no freio no futuro próximo – para azar de suas concorrentes.

A CATL triplicou sua produção de células de íon-lítio no ano passado

A companhia baseada na cidade de Ningde, na China, parece estar investindo realmente pesado na produção de baterias para automóveis elétricos. Para se ter uma ideia de como uma empresa desconhecida do público final já é influente no mercado, basta conferir que a CATL triplicou sua produção de células de íon-lítio no ano passado para atender à demanda da indústria. Achou pouco? Bem, ela também recebeu um aporte financeiro que quadriplicou seu valor, chegando a nada menos que US$ 11,5 bilhões – “apenas” R$ 37 bilhões. Chato, hein?

Vantagens táticas

Com uma movimentação como essa, a chinesa já deixou a LG Chem para trás no setor e se encontra atualmente na rabeira da Panasonic e da BYD. A ambição da marca, porém, não acaba por aí, uma vez que a CATL espera ter uma produção equivalente à do estágio inicial da Gigafactory da Tesla até 2020: cerca de 50 GWh. A vantagem da companhia asiática em relação a um de seus principais competidores, no entanto, é exatamente a sua localização privilegiada.

Como os veículos elétricos estão se popularizando cada vez mais na China, o céu é o limite na hora de suprir a necessidade do componente em território chinês. O próprio CEO da CATL, Huan Shilin, afirma que a empresa vai continuar caminhando para onde o país apontar. Essa “ajudinha” do governo local vem tanto na forma de investimentos em dinheiro – como incentivos na cifra dos US$ 15 milhões (R$ 48,3 milhões) – quanto em um aumento da produção mínima de GWh para que as empresas do ramo continuem atuando.

A BMW já tem uma relação bem estreita com a CATL

As operações da companhia não devem ficar restritas ao país por muito tempo

Subindo essa base para 8 GWh, por exemplo, a China acaba fazendo com que os fabricantes menores desistam do setor ou vendam a sua participação para as marcas mais estabelecidas – algo que, de um jeito ou de outro, beneficia bastante a CATL. As operações da companhia, porém, não devem ficar restritas ao país por muito tempo, uma vez que Shilin chegou a afirmar que em menos de três anos eles esperam se tornar líderes do segmento em questão de preço e performance.

Acredite, não se trata de ousadia. A empresa já listou a BMW como uma de suas grandes clientes no mercado estrangeiro e não tem poupado esforços – e grana – para marcar a sua presença na Europa. Uma fábrica europeia, por exemplo, está nos planos da CATL, que já se adiantou na parte burocrática ao abrir escritórios na França, na Alemanha e na Suécia. Alguém aí duvida da capacidade desse pessoal de destronar os grandes nomes das baterias ao longo dos próximos anos?

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