Após a polêmica decisão de retirar toda sua discografia de serviços de streaming, Taylor Swift recebeu uma resposta ampla de Daniel Ek, CEO do Spotify.

Em uma postagem no blog da companhia, Ek defendeu o modelo de negócios sustentado pela empresa e, em partes, utilizou a própria argumentação da cantora pop para exemplificar as vantagens do streaming.

“Música é arte, arte tem valor real e artistas merecem serem pagos por isso”, cravou Ek, ao revelar um número surpreendente: os artistas mais tocados do Spotify, assim como Taylor Swift, arrecadam mais de US$ 6 milhões por ano, individualmente.

No total, a empresa liderada por Ek já pagou US$ 2 bilhões para artistas, compositores e selos musicais (US$ 1 bilhão desse total é fruto somente do último ano de atividade do serviço). A renda vem, em grande parte, dos assinantes — 12,5 milhões dos 50 milhões de usuários ativos, no caso. Em comparação, esse número representa o triplo do que era investido em música pelos consumidores no modelo antigo de venda de CDs.

O ponto da argumentação de Ek galga em um aspecto de mudança: os hábitos de consumo estão passando por uma virada. A disputa não é mais com quem compra álbuns e lojas e sim com quem pirateia ou assiste a músicas gratuitamente no YouTube (muitas vezes, em uploads “piratas”, sem o consenso do artista). A única maneira de chamar a atenção dos consumidores é manter o aspecto de freemium do serviço, que apresenta anúncios antes das faixas na versão gratuita. A estratégia a partir daí é clara: o Spotify paga 70% do que ganha para os artistas, moldando a empresa com o restante da fatia.

O lado de Taylor Swift

Em postagem no Wall Street Journal no começo do ano, Taylor Swift defendeu bravamente seu ponto de vista: “Pirataria, compartilhamento de arquivos e streaming diminuíram drasticamente o número de vendas de álbuns”. A constatação bate de frente com o que é dito por Daniel Ek. Dando continuidade à argumentação, Swift ainda afirma que acredita que música não deveria ser gratuita.

O álbum 1989 de Swift, que vendeu 1,2 milhão de cópias em sua semana de estreia no mercado norte-americano, nunca nem chegou a ser inserido no serviço de streaming até a drástica decisão da cantora de sair de vez do Spotify. Shake It Off, hit do novo CD, parece ter sido a gota-d’água para a estrela. A justificativa veio em entrevista para o Yahoo!: “Eu tento ter uma cabeça aberta para as coisas, acho importante ser parte do progresso [...] Muitas pessoas me sugeriram colocar novas músicas no Spotify começando com Shake It Off, então eu tive uma cabeça aberta sobre isso. Eu pensei ‘vamos ver como isso soa’”.

“Não pareceu certo, pareceu que estava dizendo aos meus fãs: ‘Se você criar música algum dia, se você criar uma pintura algum dia, alguém pode entrar em um museu e arrancá-la da parede”.

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