TikTok: novas regras levantam possibilidade de censura

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O app TikTok está sendo alvo de inúmeras críticas após a divulgação dos novos termos para publicação de vídeos. Agora, segundo as normas, moderadores podem remover vídeos que mencionem tópicos delicados sobre qualquer governo e, principalmente, o chinês, incluindo protestos, críticas e até o grupo Falun Gong.

As normas, divulgadas pelo The Guardian, exigem que moderadores da rede social derrubem vídeos que contenham material que mencione os protestos da Tiananmen Square, independência do Tibete ou o grupo Falun Gong — religião proibida na China. Tais tópicos, assim como qualquer crítica a sistemas políticos, são bastante delicados no território chinês, país sede do aplicativo.

As novas normas dividem essas violações em dois tipos: violações ou limitação de alcance. O primeiro tipo julga seu vídeo como se ele estivesse violando os termos de uso do aplicativo, então, é removido totalmente e a conta pode ser banida. A segunda é uma forma de limitar o alcance do vídeo publicado, com ajuda do algoritmo do app.

Internacionalmente, mas o foco é a China

As regras foram colocadas para todos os usuários do mundo. No entanto, sabe-se que foram inseridas para proteger o app no território chinês. Todas as normas tiveram seus textos “maquiados” e, assim, evitar passar a imagem de censura.

Um exemplo disso é a proibição de críticas contra governos. Neste caso, para proteger o governo socialista chinês, o documento descreve a regra como: “críticas/ataques contra políticas, regras sociais de qualquer país, bem como monarquias, parlamento, poderes, socialismo, etc”.

Outro caso é a regra “Demonização/distorção de lugares ou outros países”, que é referência de protestos e movimentos como os ocorridos em Tiananmen Square. Já o caso do Falun Gong, este categorizado como “violação dos termos”, é justificado alegando que o grupo supostamente promove suicídio entre seus participantes.

(Fonte: Bloomberg/Reprodução)

Desenvolvedora responde

Em resposta, a Bytedance alega que os documentos divulgados foram retirados em maio, tempo antes do início dos processos de Hong Kong e que as regras não buscam proteger nenhum país ou cultura específica.

“Nos primeiros dias de TikTok assumimos algumas iniciativas para minimizar conflitos na plataforma e as normas para os moderadores permitiam penalizar por conteúdo que promovia conflito, tais como religiosos e étnicos.”, diz a companhia.

Essa espécie de censura toma proporção ainda maiores quando lembramos que TikTok bateu o Whatsapp e se tornou o app mais baixado no iOS e Android. Agora, com a base de usuários ainda maior, mais pessoas serão afetadas pelas regras e isso pode gerar reações negativas sobre o app.

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