O Android pode ser um sistema bastante robusto e já bem consolidado, mas isso não significa que ele é imune a falhas. Muito pelo contrário, aliás, há vários relatos de usuários reclamando de problemas dos mais diversos tipos com o robozinho da Google.

Particularmente, eu utilizo o Android desde 2009, sendo que raramente tive situações de grande estresse com o sistema. Minha satisfação é tanta que eu dificilmente cogito optar por outras soluções e até mesmo recomendo o produto para muitos amigos e familiares.

Como redator na NZN desde 2008 e no TecMundo desde seus primeiros dias, tive e ainda tenho a oportunidade de testar dezenas de aparelhos — dos mais simples aos mais avançados —, sendo que costumo atualizar meu smartphone anualmente.

No ano passado, eu resolvi adquirir um Moto X Force pelas inúmeras características positivas apresentadas em nosso review e também pelas suas qualidades ímpares. Não me recordo de quase nenhum caso de insatisfação com o aparelho e sempre teci elogios quanto aos produtos da Motorola para meus amigos.

Todavia, essa história mudou um pouco após a tão aguardada atualização para o Android Nougat. O update anunciado há muito tempo finalmente chegou para o Moto X Force, porém parece que eu tive um grande azar ao clicar no botão “Atualizar”. Ocorre que, alguns dias após a mudança do sistema, o aparelho começou a travar, ficar lento e até congelar.

Aparelho top de linha com desempenho precário?

Imagine que estou falando aqui de um smartphone equipado com Snapdragon 810, um chipset equipado com processador de oito núcleos, com alguns componentes Cortex-A57 que podem alcançar a frequência de operação de até 2,0 GHz. E não é só isso, esse aparelho ainda tem uma Adreno 430, 3 GB de memória RAM e 64 GB de armazenamento.

Em mais de um ano de uso intenso, eu nunca havia experimentado o Moto X Force dando sinais de lentidão. Com aproximadamente 90 apps instalados, 40 GB do armazenamento utilizado, o celular nunca dava qualquer problema. Todavia, após a atualização para o Nougat, algo mudou e ele simplesmente virou uma carroça.

Quem me conhece sabe que apesar de brincalhão, sou a paciência em pessoa, mas juro que quase arremessei o celular na parede para testar a proteção ShatterShield. É apenas frustrante pagar mais de 2 mil reais em um smartphone top de linha e ter o desempenho inferior ao de um celular básico. E pior: o celular estava aquecendo muito e gastando a bateria em menos de um dia — sendo que normalmente, a autonomia chegava fácil a mais de 36 horas.

Felizmente, mantive o controle e não arremessei o aparelho na parede. Confesso que antes de procurar algumas soluções e investigar o caso em detalhes, eu já estava pensando em qual seria minha nova marca favorita e qual smartphone poderia me atender de forma melhor. Todavia, resolvi arregaçar as mangas e correr atrás do prejuízo — já que a garantia havia terminado fazia algumas semanas.

Uma longa jornada

Como de costume, recorri aos fóruns internacionais para averiguar se outras pessoas passavam por problemas similares. Resumindo: sim, há outros relatos de problemas no Moto X Force, no Moto G5 e até no Moto Z Force, porém ninguém tinha uma explicação bem clara para o problema e a Motorola não se pronunciou em nenhuma das publicações dos usuários.

Para tentar solucionar a questão, eu comecei a efetuar alguns testes. Primeiro, desinstalei uma enormidade de aplicativos que poderiam estar entrando em algum conflito com o sistema. Verifiquei quais softwares estavam consumido mais recursos da CPU e também da bateria e fui removendo — e ficando sem meus apps — tudo aos poucos. Após deletar quase 20 apps, entendi que o problema não parecia ser nos programas.

Seguindo uma dica dos fóruns, entrei no modo de recuperação do Android e fiz uma limpeza no cache do sistema (esta pode ser uma solução após updates, já que o sistema se livra de arquivos temporários que podem estar atrapalhando o funcionamento de alguns recursos). Após reinicializar o aparelho, percebi que consegui perder alguns minutos fazendo o procedimento, pois não houve qualquer melhoria.

Pois bem, considerando que os problemas começaram após o update para o Nougat, imaginei que a falha poderia ser na interface do Google Now Launcher. Então, como solução temporária, resolvi testar o Evie Launcher. Apesar de ser um software de terceiro, o programa ajudou na performance, sendo que a utilização geral do celular já não era mais tão desesperadora. Aqui, já cogitei que uma restauração de fábrica talvez fosse necessária.

Claro que não parei por aí e — também por motivos de preguiça de fazer um backup de 40 GB — resolvi efetuar outros testes. Voltei à interface normal do Android e comecei a usar alguns recursos de desenvolvedor para limitar o uso de hardware e testar algumas funções que poderiam melhorar a velocidade do sistema, mas piorar a usabilidade.

Nessa etapa, eu até cheguei a desativar a execução de apps em segundo plano, o que solucionou boa parte dos problemas. Todavia, com tal opção ativada, o Android simplesmente não mantinha nada funcionando além do app principal, o que gerava alguns cansaços e estresses, pois não era possível sequer alternar entre um jogo e um WhatsApp, pois o celular perdia o progresso no game.

A odisseia não estava finalizada. Para dar continuidade aos testes, reiniciei o Moto X Force em Modo de Segurança — que é um recurso do Android para desativar todos os apps de terceiros e deixar apenas as funções básicas habilitadas. Finalmente, nesse modo o celular voltou à normalidade. O problema: não tinha nenhum dos meus apps e games favoritos disponíveis (além de ter uma marca d’água gigante informando que era o Modo de Segurança).

Esse último teste foi suficiente para eu entender que o celular não estava com problema e que havia sim algum erro decorrente da atualização do Android Nougat. A solução era a que eu tanto temia: uma formatação completa para restaurar tudo ao modo de fábrica. O chato: salvar tudo no computador, reinstalar tudo, baixar 1,5 mil músicas do Spotify.

Tudo normal, mas fica a lição

Foi um processo longo, mas agora tudo parece ter voltado ao normal. Após a redefinição do Android, ainda tive um ou outro bug em alguns casos, mas as atualizações dos programas e mais uma reinicialização deixaram o celular voando. Hoje não quero mais trocar meu Moto X Force, mas confesso que já penso duas vezes em ter tanta certeza de que um top de linha é garantia de tranquilidade e uma experiência 100% satisfatória.

Antes de concluir, quero deixar registrado que entrei em contato com a assessoria da Motorola para obter um parecer oficial, confira:

“A Motorola informa que não há registros anteriores sobre esse caso. Desta forma, trata-se de uma questão isolada e, caso persista, a empresa continua à disposição para fazer uma análise do produto por meio do Serviço de Atendimento ao Consumidor.

A Motorola reforça que tem como principal objetivo fabricar produtos duráveis e confiáveis. Além disso, seu maior compromisso é atender às solicitações dos consumidores da melhor forma possível.”

Enfim, fica aqui o registro pessoal da minha enorme jornada rumo a um Android melhor. Espero que a publicação possa servir para outros consumidores que estejam com problemas similares. Boa sorte a todos. Vida longa e próspera!

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