Sistemas inteligentes para equipar veículos tendem a se tornar comum no futuro. O Android Auto, por exemplo, é uma iniciativa da Google que pretende equipar carros nos Estados Unidos até o final desse ano. O CarPlay, da Apple, com a ajuda da assistente de voz Siri, é outro ótimo caso que ilustra bem o assunto.

Porém, nem tudo são “flores” quando o tema são os sistemas operacionais automotivos. Isso porque, de acordo com um estudo realizado nos Estados Unidos, a quantidade de erros de interpretação dos comandos de voz desses mecanismos diminui bastante a concentração dos motoristas.

Estudo: como funcionou e o que avaliou

Os testes foram conduzidos pela Universidade de Utah e liderados pelo professor David Strayer, que teve a parceria da Fundação AAA, instituição voltada para a segurança no trânsito. Ao todo, 162 alunos e voluntários foram submetidos a avaliações três ambientes diferentes: em um laboratório, em um simulador de direção e em uma via pública. O objetivo final era verificar qual era o nível de distração ao utilizar comando de voz para interagir com o carro.

Dois sistemas foram utilizados no decorrer dos testes: as plataformas de conectividade de algumas das principais fabricantes de automóveis do mundo (Chevrolet, Chrysler, Ford, Hyundai Toyota e Mercedes-Benz); e a assistente de voz da Apple, a Siri. A avaliação consistia em criar simulações de interação entre o motorista e o sistema automotivo, como o envio de mensagens de texto, postagens no Facebook e o uso do calendário.

Cada uma das interações era avaliada com uma nota que ia de 1 a 5 dada pelo próprio motorista. Quanto mais próxima de “1”, menor o grau de distração proporcionado pelo sistema avaliado. E, por consequência, as notas mais altas representaram aquelas opções que atrapalharam mais o condutor.

Resultados: Siri é “desastrosa” quando precisa ajudar o motorista

Os resultados do teste indicaram que a assistente de voz da Apple obteve a pior nota quando se tratava de fazer as interações propostas. Dentre todas as alternativas avaliadas, o Entune, da Toyota, foi aquele que se saiu melhor. A seguir, listamos a classificação das opções avaliadas em ordem crescente de nota (lembrando que quanto mais perto de 1, menor é a distração causada pelo sistema):

  • Entune (Toyota): 1,7
  • Blue Link Telematics System (Hyundai): 2,2
  • UConnect System (Chysler): 2,7
  • SYNC com sistema MyFord Touch (Ford): 3
  • COMMAND system (Mercedes): 3,1
  • MyLink (Chevrolet): 3,7
  • Siri (Apple – em atividades específicas): 4,14

Vale ressaltar que, apesar de a Siri ter obtido uma nota relativamente ruim, o sistema foi avaliados em um teste como esquema diferente do que foi projetado para as outras montadoras. No entanto, a política de notas e a forma como elas eram dadas às opções foi o mesmo em todos os momentos.

Quem é o culpado?

"Quando esses sistemas ficam mais complexos, como quando passam a enviar mensagens ou fazem postagens no Facebook, eles exigem mais trabalho e podem ser perigosos durante a condução", explicou Strayer, líder do estudo. Apesar disso, a culpa não é exatamente das plataformas de interação e sim da sua capacidade de interpretar os comandos do usuário.

Ainda segundo Strayer, os sistemas que obtiveram as piores notas foram aqueles que resultaram em erro mesmo quando os comandos de voz eram claros e totalmente aceitáveis do ponto de vista “humano”. Isso causava frustação no motorista e exigia que ele dedicasse mais atenção para o interpretador entender o que ele queria. Houve confusão, por exemplo, na troca de estações de rádio e realização de ligações.

Qual é a solução?

Segundo Deborah Hesman, presidente do Conselho Nacional de Segurança dos Estados Unidos e ex-integrante do Comitê de Segurança de Transportes, a falta de regulamentação é a principal causa dos problemas apresentados por esses sistemas. “É como no Velho Oesta”, conta Hesman em referência a desorganização das leis que regem esse segmento.

Órgãos públicos do país norte-americano estão dando orientações às montadoras em relação aos mecanismos automotivos de interação com o motorista. Essa lição também é muito bem vinda para os assistentes de voz como a Siri, Google Now e Cortana. Se essa regulamentação sair do papel, quem sabe todos possam desfrutar de sistemas que não atrapalhem na hora da condução dos carros.

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