Pesquisadores da Universidade de Berkeley, na Califórnia (EUA), estão aprimorando um sistema de leitura de ondas cerebrais que poderá substituir tanto as tradicionais senhas quanto os mais avançados métodos de biometria. Segundo John Chuang, um dos diretores do laboratório universitário BioSENSE, tudo o que usuário terá de fazer para acessar uma rede social ou conta bancária será pensar em uma palavra.

Os estudos conduzidos pelos cientistas norte-americanos datam de 2013, quando o Neurosky MundSet foi introduzido (saiba mais aqui). O aparelho é acoplado à cabeça como um headset comum que, ao entrar em contato com a testa, capta e interpreta as ondas emitidas pelo lobo frontal do cérebro. Sob o nome de “passthought” (senha de pensamento), o produto dos experimentos promete ser a última palavra em segurança.

Sistemas biométricos vulneráveis

Bancos como o Republic Bank (no estado de Kentucky) e Mountais America Credit Unio (em Utah) já usam um sistema de identificação biométrica capaz de ler o padrão dos vasos sanguíneos dos olhos. No começo deste ano, ainda, a MasterCard anunciou que um novo mecanismo de segurança permitiria a confirmação das compras através do envio de selfies por seus clientes – o que deverá ser implementado também pela Amazon,  segundo uma das suas próprias patentes.

Sistemas de certificação biométrica não são capazes de dizer o que é real ou não

Os cada vez mais robustos sensores de leitura de digitais têm, também, dificultado a vida de hackers, uma vez que os mais recentes equipamentos exigem o escaneamento de objetos para a criação de padrões de profundidade de campo – criados, nesse caso, pelas ranhuras e poros presentes nas pontas dos dedos.

Imagens em alta resolução podem ainda burlar sensores biométricos.

Essas soluções se dão em função dos hábitos nada saudáveis do próprio usuário: segundo o Kaspersky Lab, quase um quarto dos internautas usa um mesmo password para acessar quase 20 sites – o que é um prato farto para cibercriminosos.

De qualquer modo, há, ainda, um problema: sistemas de certificação biométrica não são capazes de dizer o que é real ou não. É que uma imagem em alta resolução pode burlar um sensor de leitura de impressão digital, por exemplo. Significa que forjar logins a partir de um sistema de biometria avançada é difícil, e não impossível.

Pensamentos únicos e inimitáveis

O trunfo dos passthoughts é o fato de que, conforme explica Chuang, nossos pensamentos são únicos, inimitáveis. Isso acontece “porque cada cérebro é diferente”, diz o pesquisador. Mesmo que um mesmo cenário seja imaginado por uma multidão, cada pessoa irá não apenas visualizar determinado objeto de forma distinta; os caminhos percorridos pelo raciocínio de cada um serão também únicos.

Introduzido em 2013, o Neurosky MundSet está sendo aprimorado e deve ser lançado dentro dos próximos anos.

Os padrões da atividade cerebral, assim, seriam forjados para anteder às solicitações de acesso por parte de um usuário específico: bastaria, então, pensar em uma palavra para desbloquear seu Facebook ou conta bancária. Ainda não há previsão para o lançamento das “senhas de pensamento”. Mas podemos estar prestes a abolir as tão frágeis e ultrapassadas ID’s. 

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