Uma extensão para Google Chrome que havia sido removida da loja oficial da plataforma por roubar conversas de usuários com ferramentas de inteligência artificial (IA) voltou a ser distribuída. Identificado como “AI Sidebar with DeepSeek, ChatGPT, Claude and more”, o programa alcançou novamente computadores corporativos por meio da própria rede de distribuição do Google.
O histórico do aplicativo reúne irregularidades graves. Em dezembro de 2025, a empresa de segurança OX Security alertou que a extensão espionava interações de usuários com as plataformas ChatGPT e DeepSeek. O software capturava o conteúdo completo dos chats, além de endereços de páginas visitadas, pesquisas e dados de autenticação, e enviava as informações para servidores externos.
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Na época, o relatório da OX Security destacou o risco da prática para as empresas. “Esses dados podem ser usados para espionagem corporativa, roubo de identidade, campanhas de phishing direcionadas ou vendidos em fóruns clandestinos. Organizações cujos funcionários instalaram essas extensões podem ter exposto, sem saber, propriedade intelectual, dados de clientes e informações confidenciais de negócios”, detalharam os pesquisadores.
Após os alertas e o acúmulo de mais de 300 mil instalações, o Google retirou o programa do ar em janeiro deste ano.
Retorno à loja e mudança de tática
O reaparecimento da extensão ocorreu em meados deste ano. Segundo análises da empresa de segurança Netskope Threat Labs, os desenvolvedores adotaram uma tática em duas etapas para reingressar na Chrome Web Store e enganar os sistemas de verificação.
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Primeiro, eles distribuíram a versão 1.7.2.0 entre os dias 20 e 31 de julho. Essa atualização não continha códigos suspeitos e serviu para construir um histórico de confiança. Duas semanas depois, os criadores lançaram a versão 1.7.3.0 com uma inserção pontual de 21 linhas de código.
Essa nova modificação alterou o comportamento do programa. Em vez de roubar conversas como na versão antiga, a atualização passou a abrir links de afiliados automaticamente em uma nova aba do navegador toda vez que o software atualizava ou no momento em que o usuário tentava desinstalá-lo. O objetivo era gerar comissões financeiras para os criadores em plataformas de geração de vídeo por inteligência artificial.
Os especialistas da Netskope Threat Labs identificam como risco principal a vulnerabilidade mantida pelo canal de atualização do aplicativo. "O mesmo mecanismo que entregou um link de afiliado entregaria qualquer outra coisa que o operador escolhesse compilar em seguida”, analisaram eles.
A empresa de segurança informou que notificou o Google antes de publicar as descobertas e recomenda que usuários e equipes de tecnologia das organizações removam a extensão imediatamente dos seus navegadores.
Por falar em vulnerabilidades no universo digital, um vírus desenvolvido por autoridades para invadir iPhones se popularizou entre criminosos. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.
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